Sunday, December 31, 2006

O presente estaria cheio de todos os futuros, se já o passado não projectasse sobre ele uma história. Mas, infelizmente, um único passado propõe um único futuro - projecta-o diante de nós como um ponto infinito sobre o espaço.
André Gide, In Les nourritures terrestres Picture by Hubble, NASA

Saturday, December 30, 2006

"Tenho o gosto do Segredo"

«Nem sempre se escreve com o desejo de se ser compreendido; há, pelo contrário, um desejo paradoxal de o não sermos; não é simples, mas há como que um "espero que, deste texto, nem todos entendam tudo"; com efeito, se a transparência da inteligbilidade estivesse garantida, destruiria o texto, mostraria que não tem porvir, que não transborda o presente, que se consuma imediatamente; portanto, uma certa zona de desconhecimento e de incompreensão é também uma reserva e uma possibilidade excessiva - uma possibilidade para o excesso de se ter um futuro e de, por conseguinte, se gerarem novos contextos.»
Jacques Derrida, O Gosto do Segredo

Friday, December 29, 2006

O ouro nosso de cada dia.

Foto de Sebastião Salgado, Serra Pelada- Brasil 1986
"Não há de tão extravagante como deixar morrer um número incontável de homens para tirar do fundo da terra o ouro e a prata: esses metais por si mesmos absolutamente inúteis, e que só são riqueza porque os escolheram para serem os seus símbolos."
in "Cartas Persas", Montesqieu (1721)

Thursday, December 28, 2006

Fashion and Conscience

E porque a Igreja Católica não é só salvar alminhas e dizer coisas bonitas como " Paz no Mundo e dignidade para todos", ficam a saber que esta religião também se interessa pela Moda! Assim como está atenta aos problemas do mundo, também está atenta à arte do vestir bem! E como se veste!!! O exercício da Moda é um ritual de elegância, sumptuosidade e bom gosto, onde a seda e o bordado a ouro são marcas de qualidade e requinte. Porquê ter de escolher entre os valores da religião, e a Moda, quando se pode ter ambas as coisas? Assim como não se poupa a esforços na luta contra a fome, na luta contra aos atentados à Vida e à Moral, e nas suas constantes missões para salvar o Mundo e ajudar todos, a Igreja Católica também não se poupa a esforços para se vestir adequadamente à sua filosofia. Aqui temos um verdadeiro exemplo da sábia arte do "savoir-faire", pois tudo o que faz, faz em prol dum Mundo melhor, mas sempre Fashion!!

Agora ando com ela....

"Normalmente, a ausência de dor é apenas a condição física necessária para que o indivíduo sinta o mundo; somente quando o corpo não está irritado, e devido à irritação voltado para dentro de si mesmo, podem os sentidos do corpo funcionar normalmente e receber o que lhes é oferecido. A ausência de dor geralmente só é «sentida» no breve intervalo entre a dor e a não-dor; mas a sensação que corresponde ao conceito de felicidade do sensualista é a libertação da dor, e não a sua ausência. A intensidade de tal sensação é indubitável; na verdade, só a sensação da própria dor pode igualá-la"
Hannah Arendt, In A Condição Humana De quem só conhecia os excertos. Leituras avulso no sofá ou nos bancos da plataforma do metro. Os meus olhos percorrem as palavras de alguém que (sobre)viveu ao inferno e que conseguiu reflectir sobre ele. Picture by Angelo Bronzino

Wednesday, December 27, 2006

"Digo-te aquilo que descobri. Podemos partilhar conhecimentos, mas não a sabedoria. Podemos encontrá-la, podemos vivê-la, podemos ganhar importância com ela, podemos fazer maravilhas com ela, mas não podemos comunicá-la e ensiná-la. Foi isto que por vezes pressentia, quando ainda era um aprendiz, aquilo que me afastou dos mestres. Descobri uma ideia, Govinda, que tu tomarás por troça ou por loucura, mas que é a minha melhor ideia. É assim: para cada verdade, o contrário é igualmente verdade! Mais concretamente: uma verdade apenas se deixa exprimir e envolver em palavras quando é parcial. Tudo o que pode ser pensado com o pensamento ou dito com palavras é parcial, tudo é parcial, tudo é metade, a tudo falta a totalidade, integridade, unidade. Quando o sublime Gotama ensinava acerca do mundo, era obrigado a dividi-lo em Sansara e Nirvana, em ilusão e verdade, em sofrimento e libertação. Não podia ser de outra forma, não há outro caminho para os que querem ensinar. Mas o mundo, aquilo que existe à nossa volta e dentro de nós, nunca é parcial. Uma pessoa ou uma acção nunca são completamente Sansara ou completamente Nirvana, uma pessoa nunca é completamente santa ou completamente pecadora. Pode ser assim, porque estamos subjugados pela ilusão de que o tempo é algo real. O tempo não existe, Govinda, vi-o inúmeras vezes."

Tuesday, December 26, 2006

Monday, December 25, 2006

Será nosso DIREITO? Sim!!!

"Contribuir com os meus impostos, para abrir clínicas de aborto, não!" Ó meus Senhores e minhas Senhoras... Francamente!!!! Que campanha ridícula é esta? Se me dissessem: "Eu, contribuinte, estádios de futebol é que não pago!!!", ou, "Eu contribuinte, BMWs ao Governo é que não pago!!!", isso seriam campanhas merecedoras de atenção e até de prémios, mas não em relação ao aborto... Tenhamos consciência!!! Sejamos realistas meus Senhores e minhas Senhoras! Nós, Portugueses, pagamos imensas coisas que fazem revoltar o espírito mais forte, mas muito poucos espíritos de bom senso se manifestam, e no entanto, em relação a isto, toda a gente, faz um escândalo. Tenhamos decência!!! Eu e qualquer mulher, como Cidadãs, cumpridoras dos nossos deveres sociais, pagadoras dos nossos impostos, que descontamos para a Segurança Social, temos DIREITO à Saúde gratuitamente, pois é para isso que PAGAMOS! Com esta campanha, estão a dizer-me que, se eu, ou qualquer outra mulher, quiser fazer um aborto, em local público (entenda-se hospital ou clínica), em condições humanas, e porque é, e volto a repetir, nosso DIREITO ter acesso à Saúde, não o podemos fazer, porque o contribuinte em geral não nos quer pagar o aborto? É isso que nos estão a dizer? Uso este exemplo: e se eu, contribuinte, disser NÃO aos estádios de futebol que são construídos para Clubes que "compram e vendem" jogadores por fortunas, e que alegam não ter dinheiro para pagarem, eles, os seus impostos e os seus descontos? Estádios pagos por todos, que apenas alguns usufruem, e que fazem muito poucos enriquecer? Onde é que nós, os contribuintes, colocámos esse cartaz? Mais um: e se eu, contribuinte, não quiser pagar os cursos que são necessários frequentar, para que se tenha acesso ao Redimento Minímo Garantido? Porque há pessoas a beneficiar desses curso que não os põe em prática. E nós, contribuintes pagamos, não um, nem dois, mas vários cursos a pessoas que não retribuem nada à sociedade, porque viver do R. M. G. é mais fácil! E as baixas fraudulentas? E os falsos desempregados a receber Subsídio de Desemprego? Onde estão estes cartazes? Ou se eu, contribuinte, disser NÃO à renovação constante da frota de BMWs usados pelo Governo para se fazer transportar? Todos pagamos, só alguns usufruem. Onde é que estava o cartaz? Uso ainda este, e se eu decidir que, não querendo ter filhos meus, também não quero pagar a educação dos filhos dos outros que os querem? Onde é que eu posso pôr o cartaz? E porque é que nós, contribuintes que defendemos a Vida no seu geral, não EXIGIMOS medicamentos gratuitos para o Cancro, para o HIV/Sida, ou pílulas contraceptivas e preservativos gratuitos, ou mais hospitais, ou seja o que for que contribua para a VIDA realmente? Onde é que estão esses cartazes? Não façam é cartazes a dizer que não querem pagar um DIREITO que nos assiste enquanto Cidadãs. Tenham vergonha!!!

Saturday, December 23, 2006

Tenho pena e não Respondo

Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.

Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros --- cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.

Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?
Fernando Pessoa

Já não me importo

Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar.

Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei

Indiferente
A quem sou ou suponho que mal sou,

Fito a gente
Que me rodeia e sempre rodeou,

Com um olhar
Que, sem o poder ver,
Sei que é sem ar
De olhar a valer.

E só me não cansa
O que a brisa me traz
De súbita mudança
No que nada me faz.
Fernando Pessoa

Vem sentar-te comigo, Lídia

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
             (Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
             Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
             E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
              E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
              Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
              Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçámos as mãos, nem nos beijámos
               Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
               Pagã triste e com flores no regaço.

                                      Ricardo Reis

Friday, December 22, 2006

Por vezes

Por vezes, apetecia-me acabar com os relógios. Não ter de olhar para o pulso, para as paredes, para os marcadores de horas pendurados e perceber como o tempo se escapa. Por vezes, apetecia-me que não houvesse horas: para comer, para dormir, para trabalhar, para namorar e que o tempo nada mais fosse que o passar das estações, do sol a pôr-se e a levantar-se. Por vezes, apetecia-me não ter de comer e poder jejuar durante o tempo que me apetecesse sem ter de me preocupar com as quantidades de nutrientes e sais minerais que o meu corpo vai reclamar. Por vezes, também me apetecia não ter de existir. Não ter de dormir e acordar. Não ter de sair da cama e enfrentar um mundo que, cada vez mais, me cansa. Por vezes, apetecia-me não ter de ser eu e poder usar uma máscara colorida.

Thursday, December 21, 2006

Espírito Natalício ou Questão Existencial

Picture by Barbara Kruger

Mais uma que li...

"Diz-se que o homem é um animal sociável. (...) Mas observei, (...), pessoas que não só são sociáveis, como são elas próprias a Sociedade Universal. (...) São sempre solícitos, pois têm sempre um negócio importante a tratar com todos aqueles que vêem, onde vão e de onde vêm. Nunca se lhes tiraria da cabeça que é de boa educação visitar todos os dias o público circunstanciadamente, não contando as visitas que fazem por atacado nos locais onde as pessoas se reunem. Mas como a via é muito reduzida, elas não contam nas regras do seu cerimonial. Cansam mais as portas das casas com pancadas de aldraba, que os ventos e as tempestades. Se se fosse a examinar a lista de todos os porteiros, todos os dias ali se encontraria o seu nome estropiado de mil maneiras em caracteres suiços. Passam a vida no acompanhamento de um enterro, em cumprimentos de condolências ou em felicitações de casamento. (...). Enfim, voltam a suas casas bem fatigados, vão repousar para poderem retomar no dia seguinte as suas funções. Um deles morreu no outro dia de cansaço e puseram-lhe no túmulo este epitáfio: " Aqui repousa o que nunca repousou. Foi a quinhentos e trinta enterros. Regozijou-se com o nascimento de duas mil e seiscentas e oitenta crianças. As pensões pelas quais felicitou os amigos, sempre em termos diferentes, ascendem a dois milhões e seiscentas mil libras; o caminho percorrido na calçada a nove mil e seiscentos estádios; aquele que fez no campo a trinta e seis. A sua conversa era divertida; dispunha de um repertório completo de trezentas e sessenta e cinco histórias; possuia, aliás, desde a sua juventude, mil oitocentos apótegmas tirados dos Antigos que sempre empregava nas ocasiões brilhantes. Morreu enfim no sexagésimo ano da sua idade. Calo-me, Viajante. Porque como poderia eu acabar de te dizer o que ele fez e o que ele viu?"
in "Cartas Persas", Montesquieu (1721)

E porque sou muito herege...

" Esse direito é da natureza, é incontestável. A origem de todos esses erros grosseiros reside na extravagância dos sistemas deíficos. Os imbecis que acreditavam em Deus, persuadidos de que era só a ele que devíamos a existência e que portanto quando o embrião entrava em maturação logo uma pequena alma emanada de Deus o vinha animar, - foram esses parvos, repito, quem deve ter chamado crime capital à destruição dessa pequena criatura, porque, segundo eles, não seria pertença dos homens. Seria obra de Deus, pertenceria a Deus: quem poderia dispor dela sem cometer crime? Mas logo que o facho da filosofia dissipou todas essas imposturas, desde que a quimera divina foi calcada aos pés, desde que, mais bem instruídos nas leis e segredos da física, desenvolvemos o príncipio da geração, vendo que esse mecanismo material nada mais apresenta aos nossos olhos que seja mais admirável do que o desenvolvimento do grão de trigo, nessa altura recorremos para a natureza contra o erro dos homens. Ampliando a medida dos nossos direitos, acabámos por reconhecer que tínhamos completa liberdade para nos apossarmos de algo que, contra a nossa vontade ou por acaso, tínhamos dispensado, sendo impossível exigir de qualquer indivíduo tornar-se pai ou mãe sem querer; reconhecemos que uma criatura a mais ou a menos no mundo não era coisa com tantas consequências e que, em resumo, éramos sem dúvida senhores desse bocado de carne, embora animado, da mesma forma que o somos das unhas que cortamos e que temos nas pontas dos dedos, das excrescências de carne que de nosso corpo extripamos, ou das digestões que expelimos das tripas, dado que tanto uma coisa como as outras dependem de nós, pertencem-nos, e nós somos os possuidores absolutos de tudo aquilo que de nós emana. (...)"
in "A Filosofia na Alcova", Marquês de Sade

E já agora uma questão nada matemática...

Quando um homem não quer um filho, pode alegar que não é dele, pode fugir (seja mudando de cidade, seja mudando de país, ou mesmo de continente), pode não assumir a paternidade dessa criança. E, quando uma mulher não quer um filho, o que é que pode fazer?

Uma questão de pura matemática

"abortar por opção quando já bate um coração?" Creio ser esta a mensagem que está escarrapachada em vários outdoors do país. Fiquei um pouco baralhada. Ora, dizem eles e elas que "bate um coração". Bom, eu pelas minhas contas, digo que são dois. Mas devo estar a fazer mal as contas, porque, na verdade, isto de ser dona de útero e ovários e ter menstruação (dizem) impede as raparigas de serem particularmente boas em cálculos matemáticos (por alguma razão as faculdades de letras estão cheias de meninas e as das ciências naturais e exactas de rapazes - já se sabe, há explicação para tudo e quase todas residem no facto de as raparigas terem um aparelho reprodutor muito complexo). Bom, mas dizia eu que cartaz me deixou baralhada. Pus-me a tentar fazer contas e... (ó! que diabo!) não é que contei dois corações! A saber: o da dona do útero e o do embrião. Mas bom, devo ser eu que sou uma tipa de má fé e não me apercebo que @s autor@s deste slogan se referiam, obviamente (dah!!!!) ao coração da reprodutora, à dona dos ovários, portanto. Ou será que essa não tem coração? Se calhar não tem, pois claro. Bom, tem ovários, tem útero... lá coração é que se calhar não tem. Esse talvez pertença só ao embrião. Ah.. claro, que a tal que pretende "abortar por opção" para além de um coração, terá também um cérebro formado (embora eu mantenha as minhas reservas face a alguns seres humanos). Claro que não vou falar dos movimentos extremistas contra o aborto legal nos EUA que, por exemplo, só a título do seu IMENSO respeito pela vida humana assassinam a sangue frio pessoal médico que trabalha em clínicas de planeamento familiar, onde se pratica o aborto. É que nestas questões, parece que há sempre corações mais importantes que outros. Ingenuidade minha... pura questão matemática: há corações que contam e outros que não. Picture by Barbara Kruger

Wednesday, December 20, 2006

Este Natal

Este Natal, quero que os meus amigos que só me enviam emails e sms no Natal não o façam. Quero que me enviem antes um sms no dia 12 de Janeiro ou um email no dia 17 de Fevereiro ou uma carta no dia 24 de Março ou ainda que me telefonem no dia 5 de Abril. Ou em qualquer outro dia, mas não no Natal. Assim vou apreciar mais e ficam com a garantia de que responderei, feliz, aos emails, às cartas, aos telefonemas, aos sms.

Top As Coisas Que Ouvimos

A Dirim lançou o Top Manias, e eu apanhei-lhe fio e lanço o Top As Coisas Que Ouvimos. E como ultimamente tenho ouvido muitas coisas, no mínimo, insólitas, achei que as devia exorcizar aqui. Sim, não sou egoísta, de maneira que também vos quero dar o prazer de serem assombrados por estas Coisas Que Ouvimos. No top do Top está uma frase que ouvi no trabalho e que provém de uma mulher. A frase é: "Antes a pílula era de borla, ou comparticipada, e davam-na nos Centros de Saúde. Agora já não, já devem ter começado a fazer a campanha do aborto pelo sim. Assim, é só engravidar e depois é só ir ao hospital e abrir as pernas. E nós (contribuintes) é que pagamos (os abortos)." A seguinte frase é da mesma proveniência, e sobre o mesmo assunto, mas noutra ocasião: "Referendos para quê? As pessoas já votaram, e agora querem fazer um novo referendo para quê? Isto é mas é uma palhaçada que só serve para gastar o dinheiro dos contribuintes, sim porque nós é que pagamos esta palhaçada." Bem, deixando os comentários à parte, passo para a próxima frase, que também ouvi no meu trabalho, mas cuja proveniência é de um superior: "Nós, aos feriados, pagamos a 100%, mas para motivar as pessoas a virem trabalhar. É mais como um incentivo..." (Por esta altura já se devem estar a questionar porque é que eu não mudo de trabalho, eu sei! Eu também me questiono, acreditem!) E por fim, deixo aqui uma frase que ouvi, e que por acaso adorei: "A Opinião é como o olho do cú. Todos temos uma, e todos achamos que a dos outros cheira mal!"

Prorrogação

Adio-me por mais uns dias. Picture by Von Des Pair

Estou Exausta

De tanta decoração natalícia, tanto pai natal, tanta caixa a fingir de presente nas montras, tantos cartões de crédito a passar, tanta mensagem escrita, tanto mail, e tantas "boas festas".

Tuesday, December 19, 2006

Eternidade

Eram inseparáveis e mesmo após abandonarem o mesmo espaço físico continuaram a sê-lo durante algum tempo. Mas nem mesmo as juras de carinho e lealdade eternas resistiram ao hábito incorporado das novas vidas. Dias que incluiam casamentos, trabalhos, empregos, crianças, sogr@s e jantares em famílias, cocktails quando o rei de um país republicano se benzia, maridos e mulheres, e por vezes alguns rituais religiosos, quando a fé no real se tornava demasiado dolorosa para se apoiarem no cepticismo. O acaso fez com que um dia trocassem mails. "Estou bem, obrigado. E tu? Gostaria de te ver. Vamos tomar um café?". Do outro lado responderam: "Café? Claro, eu ligo." Escrevera-o como quem responde a um cliente: "temos todo o prazer em tê-lo connosco". E nada mais. Afinal, fora tão fácil. Não havia qualquer número para onde ligar. Picture by Armin Weigel

Básico - por falar em manias

Acho incompreensível (para além de irritante) a mania que certas pessoas têm de querer impingir aos outros o que consideram ser o melhor para el@s. Não gosto de bróculos, que querem? Faz bem? Tem ferro? Pois vos digo que há outras fontes desse mineral tão ou mais eficazes que as árvores em miniatura. Não, não bebo. Não quero, já disse. E as insistências, do beba lá que vai gostar, menina. Se ainda não provou como vai saber. Eu bebo há muitos anos e nunca me fez mal, pelo contrário. Ainda bem, só é pena que isso que bebe e que me quer à força fazer beber ainda não lhe tenha dado discernimento para perceber que o que é bom para si pode não ser para mim e que o resto do planeta não tem que gostar só porque sua excelência gosta. Se eu não o impeço de beber, por favor, não me obrigue a fazê-lo. E o contrário? Vai comer isso? Ah, menina, não pode ser assim, que depois engorda. Ai eu não as como e se tivesse uma filha não lhas metia à boca, não senhora. Gosto de acordar cedo. Obrigo alguém a fazê-lo? Incomodo alguém por fazê-lo? Não. Mas parece que a ele sim, que passa por mim na rua e diz: "acordou cedo hoje, menina", como se fosse da sua conta os meus horários e a minha relação com a cama. Naquele comentário que roça a quase simpatia e o não ter nada que dizer senão a frase invasora em busca de uma explicação para a quebra ritual e o hábito. Esta mania de esgueirar o olho para o lado em busca de informações desnecessárias, a mania da invasão da vida privada com o inquérito constante, do onde foi, porque foi, ai eu vou antes ali, ao que é mais barato - ganha bem a menina, para poder ir ali, não? Não trabalha à sexta? Sorte a sua, que deve ter um bom trabalho. Eu ouvi-a entrar no prédio, sim senhora, menina. Mas não se preocupe que o outro que mete lá em casa não vai saber da minha boca, que está mais cosida que um sapo daqueles das bruxas. A apropriação da vida d@s outr@s em tentativas de incorporarem corpos e quotidianos que lhes são estranhos. E hoje é daqueles dias em que não tenho paciência para eles. É um daqueles dias em que, de bom grado, fugia para outro prédio, para outro bairro, para outra cidade, para outro país, ou quiçá, para outra galáxia. Fui informar-me. Parece-me que @s condutor@s das naves para as outras galáxias estão em greve. Ficaram a dormir, pois então. E nem percebem como é que uma simples greve pode travar a modificação numa pessoa. Era hoje que estava disposta a mudar a minha vida. Ou pelo menos, de me ver livre de algumas manias alheias. Picture by Francesca Woodman

Manual do abandono de autores

Parte Um - Abandonos absolutos de fazer ranger os dentes Este é um post difícil. A minha primeira reacção foi a de incredulidade. De seguida, pensei em assobiar para o lado e deixar passar. Terceira hipótese, começar a elaborar uma lista de tudo o que deixei por ler. Finalmente, decidi cingir-me aos ódios mais viscerais. Muitos houve que abandonei por falta de tempo, paciência ou simplesmente, bad timming. Como é óbvio, começo pelo meu ódio de estimação maior. Saramago - ele mesmo - para grande desgosto da Dirim. A minha não relação com Saramago é longa; começou aos 16, quando me ofereceram o Memorial de Um Convento. Beneficiou a Dirim, a quem ofereci o maldito, após anos de tentativas infrutíferas de conseguir ultrapassar a décima quinta página. Infelizmente, não me dei por suficientemente nauseada em relação ao Saramago. Anos mais tarde, lançei-me ao O Ano da Morte de Ricardo Reis, esperançada que, sob a égide de Pessoa, se desse uma espécie de passe de mágica. Obviamente, nada aconteceu. A última tentativa deu-se há três anos, influenciada por todos os professores de português que pululavam à minha beira. O Ensaio sobre a Lucidez teve um efeito decisivo para mim, conferindo-me o discernimento de nunca mais me aproximar do dito senhor. Um mau relacionamento que perdura desde a adolescência é o que mantenho com António Lobo Antunes. Comecei por tentar ler Os Cús de Judas, já nem sei bem com que idade, mas assim de memória, lá pelos 18. Nada feito então e nada feito agora. Nem as crónicas da Visão consigo apreciar. Admito que as minhas tentativas não foram tão persistentes como no primeiro caso, mas a verdade é que as crónicas têm constituído um excelente lembrete para não gastar dinheiro em tentativas mais arrojadas. Outro existe a quem nem dei o benefício da dúvida. Refiro-me ao execrável Miguel Sousa Tavares. Se excluir as colunas de opinião de alguns anos no Público - que lia num perfeito acto de autoflagelação - nunca me aventurei na leitura de nada que esse senhor tenha publicado. Por duas razões: porque tenho mau feitio e porque decidi que não me tornaria uma contribuinte para as suas caçadas, touradas, arenas homofóbicas e machistas. Abomino a personagem e não consigo em absoluto distanciar-me do desprezo que voto ao "sinhor". Aquele ar de J. Bond falhado é suficiente para me provocar o vómito, mesmo antes de abrir a bocarra. Quanto mais a Pena. Portanto, nem a recomendação mais que idónea de um (por algum tempo) equatoriano à força que muito respeito (S) foi suficiente contra esta violenta reacção alérgica. Estes são os meus mais violentos bloqueios. Curiosamente, todos na língua que (não) é a minha.

When I Have Fears That I May Cease to Be...

HEN I have fears that I may cease to be
Before my pen has gleaned my teeming brain,
Before high-pilèd books, in charact'ry,
Hold like rich garners the full-ripened grain;
When I behold, upon the night's starred face,
Huge cloudy symbols of a high romance,
And think that I may never live to trace,
Their shadows, with the magic hand of chance;
And when I feel, fair creature of an hour
That I shall never look upon thee more,
Never have relish in the faery power
Of unreflecting love;--then on the shore
Of the wide world I stand alone, and think,
Till Love and Fame to nothingness do sink.
John Keats Picture: Cavafy's Journal, by Duane Michaels

Sunday, December 17, 2006

Bloqueios Literários

O convite para confessar alguns bloqueios literários veio da Horvallis. Relembrar livros cuja leitura recusamos não é uma tarefa simples. Desconfio sempre por não me surgir uma lista infindável, pois sou uma convicta de que não se deve forçar a leitura. Apetece lemos, não apetece não temos de ler, ponto final. Qual é a dúvida?
A leitura supõe-se sempre um acto de prazer. (Sim, sim, claro que há as de obrigação, mas a essas chamo estudos. Isto é, a tudo o que se lê por obrigação e do qual não se tire prazer, chamo "estudo" - não, não tenho qualquer trauma com estudos, pelo contrário). Digo "está a estudar" e não "está a ler", caso a leitura tenha algum carácter obrigatório e a este, se junte a ausência de qualquer gratificação na sua execução. E porque associo a leitura ao prazer, corroboro integralmente os Direitos Inalienáveis do Leitor (Daniel Pennac), dos quais destaco:
1. O direito de NÃO ler 5. O direito de ler Não importa o Quê. Ora, sou pessoa de invocar com alguma regularidade o primeiro direito. Por isso mesmo (volto a dizer) desaconselho severamente as leituras forçadas. A verdade é que já forcei algumas leituras. Sei porquê: é tão estranho ouvir algumas pessoas que gostamos e prezamos tanto, com as quais temos tanto em comum, a elogiarem tanto a obra (ou @ autor(a)), que coloco na leitura um esforço que, habitualmente, nego. Refiro-me a uma insistência que, por hábito, não coloco numa obra. Uma das leituras forçadas (sem qualquer fruto, já que nunca consegui passar das primeiras páginas) foi com dois livros do:
Lobo Antunes. O que, da família, abandonou a psiquiatria para se dedicar à escrita. O António. Tentei duas vezes. É bem possível que tenha começado pelas obras erradas - mas há mesmo obras erradas? aquela coisa dos livros difíceis... ou mais complexos e densos? Bom, adiante. Iniciei a minha tentativa com a Ordem Natural das Coisas... pode ter sido a altura errada... já lá vai o ano de 1995 (acho). Anos mais tarde (já tínhamos entrado no novo século e lanço-me no Manual dos Inquisidores... (idem). Cheguei à conclusão que a escrita de Lobo Antunes me afastava tanto dos conteúdos que nunca mais tentei ler nada dele. Ofereci os livros a quem, por certo, desfrutou melhor da sua leitura que eu da sua não leitura. Jane Austen. Eu sei que (à semelhança do anterior) muita gente a elogia. Que todos dizem coisas que oscilam entre o mais ou menos bem e o óptimo...no caso de Austen não me forcei a lê-lo. Comprei um livro dela no início da adolescência. O título entusiasmou-me: Orgulho e Preconceito (imaginei logo uma luta inter-etnica). O conteúdo desiludiu-me tanto que o ofereci e nunca mais tentei ler Jane Austen. Passando dos bloqueios autorais para os livrescos (e com grande pena minha, desde já admito...): a estória do menino que vivia em Chora-que-logo-bebes. Só o nome da terra tem tudo para ser algo cativante, mas não consegui. Foram diversas tentativas (creio que a última cheguei ao segundo capítulo) entre as viagens nas carruagens do Metro. Admito que guardo em mim uma grande esperança de conseguir ler esta obra do José Gomes Ferreira. Ainda não descobri quando. Mas acho impossível uma obra que tem um João Sem Medo, habitante de Chora-que-logo-bebes, onde há um muro que ostenta: "É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir" não ser um livro cuja leitura seja por demais gratificante. Por acaso, o deus das pequenas coisas (tal como a Horvallis) também foi outro que acabei por não ler. Tive-o cá em casa ainda uns meses. Não me recordo bem, porque acabei por não passar das primeiras páginas. A ilusão do fim ou a greve dos acontecimentos do Baudrillard. Recordo-me de o ter adquirido há mais de dois anos, via Internet. Estava muito entusiasmada. O que pudera ler da sinopse deixara-me muito curiosa: "por todo o lado há muita gente a tentar apagar o séc. XX. Há muita gente a tentar apagar os sinais da guerra fria, talvez mesmo todos os sinais de todas as revoluções políticas ou ideológicas". Acabara de ler Os Assassinos da Memória, do Pierre Vidal-Naquet, o qual me tinha agradado bastante e, estava muito interessada no revisionismo histórico e no negacionismo. Li 36 páginas. Ainda sublinhei algumas frases que achei interessantes e quando (actualmente) folheio o livro continua a parecer-me ter reflexões muito ricas.. contudo... achei o início excessivamente abstracto, com referências imensamente rebuscadas e coloquei-o na prateleira com intenção de não o voltar a buscar.
Entre outras coisas, Pennac fala também do direito de ler a última página de um livro no início da leitura da obra, bem como de saltar páginas. Foi precisamente por reclamar estes direitos que li Ora Esguardae, da Olga Gonçalves. O cruzamento de analepses e prolepses estava a deixar-me agoniada e estava decidida a colocar o livro de parte para nunca mais lhe tocar. Foi precisamente o facto de saltar (muitas) páginas - onde encontrei excertos que me interessaram - que me levaram a recuar e continuar a leitura - sempre com o objectivo de chegar à parte que me tinha realmente seduzido. Quais foram os vossos bloqueios literários? Everything: sim, também é para ti!

Top Manias

Mais um que veio pela Horvallis. Se bem que, a nossa querida WOAB já me tinha contemplado com semelhante pedido, corria o mês de Fevereiro do ano que agora termina. Não é fácil para mim elencar as manias que tenho. Ainda assim, consegui reconhecer duas nas que a Horvallis identificou nela própria: 1. a dispersão, que nos leva a (no meu caso) a acreditar que consigo fazer dezenas de coisas em simultâneo, acabando por nada fazer; 2. a repetição (até à exaustão) de uma música que se goste. Suspeito mesmo ter criado algumas inimizades junto d@s vizinh@s, aos quais, estou certa, ultrapassa a compreensão para quem insiste horas (ou dias...) numa só faixa de um CD. 3. Do lado do blogue que já foi seu reconheço o sublinhar os livros (antes, transcrevia as frases que mais gostava em cadernos que tinha para o efeito) - mas só com lápis, ou pelo menos, muito raramente com esferográficas. 4. Queimar incenso nos vasos das plantas. 5. Dizer certas palavras ou expressões noutros idiomas.

Thursday, December 14, 2006

Li e cito

"As leis são furiosas na Europa contra aqueles que se matam a si próprios: fazem-nos morrer, por assim dizer, uma segunda vez; são arrastados indignamente pelas ruas; cobrem-nos de vergonha; confiscam-lhe os bens. Parece-me, Ibben, que estas leis são bem injustas. Quando estou esmagado pela dor, pela miséria, pelo desprezo, porque querem impedir-me de pôr termo às minhas penas, e privar-me cruelmente de um remédio que está nas minhas mãos? Porque razão se pretende que eu trabalhe para uma sociedade, à qual não quero pertencer mais? Que cumpra, mau grado meu, uma convenção que se faz sem mim? A sociedade está apoiada numa vantagem mútua. Mas quando se torna onerosa para mim, quem me impede de renunciar? A vida foi-me dada como um favor; posso portanto restitui-la quando já não o é: a causa cessa; logo o efeito deve cessar também. (...) Mas, dirão, vós perturbais a ordem da Providência. Deus uniu a vossa alma ao vosso corpo, e vós os separais. Logo estais a opor-vos aos seus desígnios, e resistis-lhe. Que quer isso dizer? Perturbo a ordem da Providência, quando altero as modificações da matéria e torno quadrada uma bola que as primeiras leis do movimento, quer dizer as leis da criação e da conservação, tinham feito redonda? Não, sem dúvida: não faço mais que usar o direito que me foi dado e, neste sentido, posso perturbar segundo a minha fantasia toda a natureza, sem que se possa dizer que me oponho à Providência. Quando a minha alma for separada do meu corpo, haverá menos ordem e menos coordenação no Universo? Acreditais que esta nova combinação seja menos perfeita e menos dependente das leis gerais? Que o Mundo ali tenha perdido alguma coisa? E que as obras de Deus sejam menores, ou antes, menos imensas? Pensais que o meus corpo, tornado uma espiga de trigo, um verme, erva, esteja transformado numa obra da Natureza menos digna dela, e que a minha alma, liberta de tudo aquilo que tinha de terrestre, se tenha tornado menos sublime? Todas estas ideias, meu caro Ibben, não têm outra origem que não seja o nosso orgulho; nós não sentimos a nossa pequenez, e, apesar de a termos, queremos ser considerados no Universo, nele figurar e nele ser objecto importante. Nós imaginamos que o aniquilamento de um ser tão perfeito como nós degradaria toda a natureza, e não reconhecemos que um homem a mais ou a menos no mundo- que estou a dizer? - todos os homens juntos, cem milhões de cabeças como a nossa, não passam de um átomo subtil e leve, que Deus distingue apenas por causa da imensidade dos seus conhecimentos."
in "Cartas Persas", Montesquieu (1721)

Saturday, December 09, 2006

Papéis

A nossa vida está cheia de papéis. Papéis em branco, papéis de rascunho, papéis para assinar, papéis para reciclar, papéis velhos, papéis novos, papéis esquecidos, papéis que não queríamos encontrar, papéis perdidos, papéis julgados perdidos, papéis com memória, papéis de outros, papéis nossos, papéis misturados com papel, papéis cheios de coisas, papéis cheios de tudo.

Thursday, December 07, 2006

Apesar de quase não se encontrarem nunca, estavam ligadas por um elo espiritual que era mais do que laços de sangue, mais do que amor fraterno, mais do que solidariedade de raça.
In A Sibila, Agustina Bessa-Luís
Para ti, (também) tu sabes porquê :)

Wednesday, December 06, 2006

História de Verão

Uma abelha, dessas que dizem ser italianas, entrou pela janela, obstinou-se em escolher-me, pousa-me no ombro, descansa de seus trabalhos. Lisonjeado com aquela preferência, comecei a amá-la devagar, retendo a respiração, com receio de que não tardasse a dar pelo seu engano, que cedo viesse a descobrir que não era eu a haste de onde se avistam as dunas. Mas o seu olhar tranquilizava, era calma ondulação do trigo. Agora só uma interrogação perturbava a minha alegria - comigo, como é que faria o seu mel? Eugénio de Andrade, Memória doutro Rio, Vertentes do Olhar
No Natal de 2005 fui presenteada com o Poemário, da Assírio & Alvim. O poemário, não sendo uma antologia, contém um poema por cada página, que representa um dia de cada mês. É muito interessante, porém, totalmente incompatível com grandes deslocações, já que é de lombada gorda, o que lhe retira algum sentido prático enquanto agenda/diário. Por isso mesmo, fiquei surpresa ao ler o poema de hoje. É que, passo dias e dias sem abrir o poemário... e logo hoje, dia 05, a citação que lá está foi exactamente uma das minhas experiências..... (de hoje) não sei se isto vos costuma acontecer.

Friday, December 01, 2006

Está alguém aí?

Será que, da única vez que eu não peço para ganhar o Euromilhões, ou uma extravagância semelhante, Deus se decidiu a conceder-me o desejo e vos fez desaparecer?
Se não, parece, porque anda tudo muito calado... :)