Tuesday, July 14, 2009
Sunday, July 12, 2009
Três vozes em dez corpos
Convidei a Tamodachi (que parece estar desaparecida, mas apenas anda exausta do brilho dos computadores) para ir ver a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo. A sala era acolhedora, os lugares privilegiados, tal como a possibilidade de assistir a um espectáculo que condensa em si três vozes.
Quando vi os primeiros minutos da Fragmented Bodies, de Gagik Ismailian, ocorreu-me que invejamos @s artistas não pela sua fama, mas pela sua liberdade. Num passado ainda recente, parte das profissões ligadas à arte eram mal vistas pel@s portugues@s: actores e actrizes eram vistos como boémios, com condutas demasiadamente liberais, pouco enquadrados na norma que ditava trabalhos das 09 às 18 e que se pernoitasse em casa, com tectos a tapar o céu estrelado, que a noite essa fez-se para dormir e não para sonhar. In-ve-ja. No fundo, era a inveja da possibilidade que el@s têm de sonhar (e tornar os sonhos realidade) no seu próprio trabalho, no seu quotidiano, de conhecer pessoas e autor@s novos, de trabalhar enquadrad@s numa norma que não entendem e na qual não podem penetrar.
Fragmented Bodies é uma peça inspirada em Foucault (Vigiar e Punir) em que @s bailarin@s (cinco) vestem uniformes laranjas a lembrar prisioneiros e segundo o coreógrafo: "segue uma viagem que começa no corpo inocente até chegar ao ser aprisionado e à sua fúria de se sentir preso numa cela".
Porque Fragmented Bodies é uma peça forte, quase dolorosa, Amor aos Retalhos, de Cláudia Nova (ex prima bailarina do extinto Ballet Gulbenkian), foi uma surpresa particularmente agradável.
"Será o meu amor por ti um distúrbio? Um distúrbio?", repete a voz que verbaliza os movimentos da bailarina. Há quem fale em excesso de dramatismo no bailado contemporâneo e que em oposição a esse drama não se conseguem exprimir sentimentos. Mas o trabalho de Nóvoa consegue transmitir as emoções de quem escreve, aguarda, recebe, lê, rasga e reconstrói cartas de amor.
Quando vi os primeiros minutos da Fragmented Bodies, de Gagik Ismailian, ocorreu-me que invejamos @s artistas não pela sua fama, mas pela sua liberdade. Num passado ainda recente, parte das profissões ligadas à arte eram mal vistas pel@s portugues@s: actores e actrizes eram vistos como boémios, com condutas demasiadamente liberais, pouco enquadrados na norma que ditava trabalhos das 09 às 18 e que se pernoitasse em casa, com tectos a tapar o céu estrelado, que a noite essa fez-se para dormir e não para sonhar. In-ve-ja. No fundo, era a inveja da possibilidade que el@s têm de sonhar (e tornar os sonhos realidade) no seu próprio trabalho, no seu quotidiano, de conhecer pessoas e autor@s novos, de trabalhar enquadrad@s numa norma que não entendem e na qual não podem penetrar.
Fragmented Bodies é uma peça inspirada em Foucault (Vigiar e Punir) em que @s bailarin@s (cinco) vestem uniformes laranjas a lembrar prisioneiros e segundo o coreógrafo: "segue uma viagem que começa no corpo inocente até chegar ao ser aprisionado e à sua fúria de se sentir preso numa cela".
Porque Fragmented Bodies é uma peça forte, quase dolorosa, Amor aos Retalhos, de Cláudia Nova (ex prima bailarina do extinto Ballet Gulbenkian), foi uma surpresa particularmente agradável.
"Será o meu amor por ti um distúrbio? Um distúrbio?", repete a voz que verbaliza os movimentos da bailarina. Há quem fale em excesso de dramatismo no bailado contemporâneo e que em oposição a esse drama não se conseguem exprimir sentimentos. Mas o trabalho de Nóvoa consegue transmitir as emoções de quem escreve, aguarda, recebe, lê, rasga e reconstrói cartas de amor.
"Eu estou cansado de te amar, eu estou cansado de sentir, eu estou cansado de dizer, e porque te amo não posso parar"
Na última peça "cherché, trouvé, perdu", de Patrick Delcroix encontramos a interpretação dos ciclos da busca, dos encontros e desencontros. Os conceitos são simples e autênticos:
Chercher: procurar. Esforçar-se para descobrir, para encontrar alguém, alguma coisa.
Trouver: Encontrar. Aperceber-se de algo, alcançar aquilo que se procurava ou que se desejava ter.
Perdre: Perder. Deixar de ter em sua posse ou à sua disposição alguma coisa ou alguém.
Há obras que gostaríamos de repetir. Em que desejamos que o tempo pare naqueles instantes ou horas em que nos sentimos privilegiad@s por partilhar tanta beleza ou alegria. Esta pude repeti-la. Outras tantas há que perdi, algumas encaro-as como adiamentos.
Estou a adiá-las, repito baixinho.
Na última peça "cherché, trouvé, perdu", de Patrick Delcroix encontramos a interpretação dos ciclos da busca, dos encontros e desencontros. Os conceitos são simples e autênticos:
Chercher: procurar. Esforçar-se para descobrir, para encontrar alguém, alguma coisa.
Trouver: Encontrar. Aperceber-se de algo, alcançar aquilo que se procurava ou que se desejava ter.
Perdre: Perder. Deixar de ter em sua posse ou à sua disposição alguma coisa ou alguém.
Há obras que gostaríamos de repetir. Em que desejamos que o tempo pare naqueles instantes ou horas em que nos sentimos privilegiad@s por partilhar tanta beleza ou alegria. Esta pude repeti-la. Outras tantas há que perdi, algumas encaro-as como adiamentos.
Estou a adiá-las, repito baixinho.
Sunday, July 05, 2009
Tuesday, June 30, 2009
Sunday, June 28, 2009
Saturday, June 27, 2009
Monday, June 22, 2009
Sunday, June 21, 2009
Saturday, June 20, 2009
Monday, June 15, 2009
Deixando para trás as nuvens, a água, e o meu nadador salvador, faço minhas as palavras dele:
And by the way now…
Where’d all the good people go?
Saturday, June 13, 2009
Thursday, June 11, 2009
Wednesday, June 10, 2009
Tuesday, June 09, 2009
Monday, June 08, 2009
É uma história banal. Apenas mais uma história banal.
Duas pessoas cujas vidas se cruzam e decidem juntar-se. Anos mais tarde, embora ambas as partes reconheçam o fracasso da relação e do convívio, há uma que decide 'dar o salto'.
Neste caso, é ela. Na verdade, ele também. Simplesmente, nesta história, ele é o mais comodista, pelo que, para além de não ter mudado nada face às queixas permanentes dela, também não quer mudar nada, apesar de reconhecer que "aquilo não é vida para ninguém". Ela queixa-se que ele não partilha nada com ela: "depois de jantar, vai ver televisão ou jogar playstation". Ele teme a solidão (da sua própria companhia) que dá como certa depois da saída dela. E talvez tema também perder o conforto que é não ter de se preocupar com refeições e lida da casa.
Para ela, a gota de água foi quando, face a uma fragilidade física, ele afirmou não ter dinheiro para co-participar na operação a que ela se sujeitaria. Dizia-mo enquanto chorava. Os seus olhos azuis a fecharem-se na dor. Não interessava que a família dela ajudasse nas despesas clínicas, porque ele falhara no essencial: "era com ele que eu deveria contar". Sim, deveria ser ele que devia estar com ela frente ao médico. Era ele que ela queria que a tivesse ido buscar à clínica.
Mas ela esteve sozinha. Sempre só.
Neste caso, é ela. Na verdade, ele também. Simplesmente, nesta história, ele é o mais comodista, pelo que, para além de não ter mudado nada face às queixas permanentes dela, também não quer mudar nada, apesar de reconhecer que "aquilo não é vida para ninguém". Ela queixa-se que ele não partilha nada com ela: "depois de jantar, vai ver televisão ou jogar playstation". Ele teme a solidão (da sua própria companhia) que dá como certa depois da saída dela. E talvez tema também perder o conforto que é não ter de se preocupar com refeições e lida da casa.
Para ela, a gota de água foi quando, face a uma fragilidade física, ele afirmou não ter dinheiro para co-participar na operação a que ela se sujeitaria. Dizia-mo enquanto chorava. Os seus olhos azuis a fecharem-se na dor. Não interessava que a família dela ajudasse nas despesas clínicas, porque ele falhara no essencial: "era com ele que eu deveria contar". Sim, deveria ser ele que devia estar com ela frente ao médico. Era ele que ela queria que a tivesse ido buscar à clínica.
Mas ela esteve sozinha. Sempre só.
Apenas mais dois nomes. Duas repórteres. Agora condenadas a doze anos de reeducação. No mapa da violação dos direitos humanos, a Coreia do Norte é apenas mais um. Há jornalistas pres@s, assassinad@s por todo o planeta. Na geografia da liberdade de imprensa há uma certa concentração em África e no Médio Oriente, mas não deixa de ser irónico que a Guerra que mais baixas tenha provocado entre @s profissionais desta profissão tenha sido na Europa. E nem o rectângulo aqui escapa. O caso remonta a 2004, com o caso das escutas telefónicas da Casa Pia. Ainda nesse ano, um repórter do Correio da Manhã foi condenado a uma pena de prisão (suspensa) por recusar revelar as suas fontes. O conflito entre a lei e o Código Deontológico aprovado por esta classe profissional levou um jornalista à barra de tribunal em terras lusas. Terá sido apenas um?
Sunday, June 07, 2009
Bientôt nous plongerons dans les froides ténèbres;Adieu, vive clarté de nos étés trop courts!
J'entends déjà tomber avec des chocs funèbres
Le bois retentissant sur le pavé des cours.
Tout l'hiver va rentrer dans mon être: colère,
Haine, frissons, horreur, labeur dur et forcé,
Et, comme le soleil dans son enfer polaire,
Mon coeur ne sera plus qu'un bloc rouge et glacé.
J'écoute en frémissant chaque bûche qui tombe
L'échafaud qu'on bâtit n'a pas d'écho plus sourd.
Mon esprit est pareil à la tour qui succombe
Sous les coups du bélier infatigable et lourd.
II me semble, bercé par ce choc monotone,
Qu'on cloue en grande hâte un cercueil quelque part.
Pour qui? — C'était hier l'été; voici l'automne!
Ce bruit mystérieux sonne comme un départ.
Charles Baudelaire
Qu'on cloue en grande hâte un cercueil quelque part.
Pour qui? — C'était hier l'été; voici l'automne!
Ce bruit mystérieux sonne comme un départ.
Charles Baudelaire
Thursday, June 04, 2009
Monday, June 01, 2009
Sunday, May 31, 2009
Thursday, May 28, 2009
Wednesday, May 27, 2009
Monday, May 25, 2009
Decifrador de Imagens
persegue um fantasma de vestígios
como Ulisses amarrado
ao querer do conhecer
A descoberta é invenção provisória:
as vozes não se vêem
o que se vê não se ouve
A imaginação
ergue-se do arrepio da sombra
guerrilha entre parênteses
ergue-se da constante chacina
procurando outra coisa
outra causa
o outro lado do ver
Ana Hatherly
Foto de Robert and Shana Parkeharrison
Thursday, May 21, 2009
Wednesday, May 20, 2009
Tuesday, May 19, 2009
And She fights for her life
As she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
As it pours
And she fights for her life
As she goes in a store
With a thought she has caught
By a thread
She pays for the bread
And She goes...
Nobody knows
Monday, May 18, 2009
Sunday, May 17, 2009
Wise Up
It's not
What you thought
When you first began it
You got
What you want
Now you can hardly stand it though,
By now you know
It's not going to stop
'Til you wise up
Saturday, May 16, 2009
Inconformismo(s)

Não me conformo com a existência de gralhas após dezenas de revisões. Descobri-las um ano depois é coisa para me fazer ter vontade de dizer o mesmo palavrão muitas vezes....
Por estas alturas, nem mesmo o processo de negação - "terei sido mesmo eu a escrever isto?", me alivia. Porque, infelizmente, só posso ter sido eu a escrevê-lo.... e o pior, é que alguém (para além de mim própria) pode lê-la....
Por estas alturas, nem mesmo o processo de negação - "terei sido mesmo eu a escrever isto?", me alivia. Porque, infelizmente, só posso ter sido eu a escrevê-lo.... e o pior, é que alguém (para além de mim própria) pode lê-la....
How did they got there?
(what????!!!!!!!!!!!) como é que eu pude escrever uma coisa destas num abstract?????
pronto... e agora vou para ali ter um ataque!!!!
Foto de Alexandra Estrela
(what????!!!!!!!!!!!) como é que eu pude escrever uma coisa destas num abstract?????
pronto... e agora vou para ali ter um ataque!!!!
Foto de Alexandra Estrela
Friday, May 15, 2009
Jeanie Schroder's Sousaphone
Haverá (mesmo) um pouco de tudo em tod@s?
Terá sido apenas um acaso da História (e dos seus escribas) o esquecimento das origens das coisas que fomentam uma sabedoria sobre as tais "tradições" que parecem legitimar tudo contra a lógica humanista? O que será que perdemos com a amnésia da humanidade?

Apesar de preferir instrumentos de corda, encontrei uma beleza particular no instrumento de sopro que Jeanie Schroder (Devotchka) tocava no concerto.
Descubro-o Sousaphone. Pelo nome, relacionei-o com algum português (continente ou da diáspora) - que, à semelhança dos dinossauros, com regularidade, ficam com nomes que incluem pessoas ou lugares (Lourinhanossaurus antunesi é apenas um exemplo). Este foi o seu inventor. Segundo a wiki, o inventor desta magnífica peça tem Portugal, Espanha e Alemanha no sangue dos ascendentes. E ocorreu-me que também gostaria de poder descobrir que há muitas mais influências em mim do que aquelas que conheço.













