Thursday, December 28, 2006

Agora ando com ela....

"Normalmente, a ausência de dor é apenas a condição física necessária para que o indivíduo sinta o mundo; somente quando o corpo não está irritado, e devido à irritação voltado para dentro de si mesmo, podem os sentidos do corpo funcionar normalmente e receber o que lhes é oferecido. A ausência de dor geralmente só é «sentida» no breve intervalo entre a dor e a não-dor; mas a sensação que corresponde ao conceito de felicidade do sensualista é a libertação da dor, e não a sua ausência. A intensidade de tal sensação é indubitável; na verdade, só a sensação da própria dor pode igualá-la"
Hannah Arendt, In A Condição Humana De quem só conhecia os excertos. Leituras avulso no sofá ou nos bancos da plataforma do metro. Os meus olhos percorrem as palavras de alguém que (sobre)viveu ao inferno e que conseguiu reflectir sobre ele. Picture by Angelo Bronzino

7 comments:

nefertiti said...

adorei o post! a imagem é surpreendente. boas festas.

Dirim said...

Querida Nefertiti! A Hannah Arendt é... genial :) Boas festas para ti também e que o novo ano seja pleno em Renovações :) :)

Tamodachi said...

Por mim a dor é um mal necessário, pois ela por vezes lembra-nos que estamos vivos. Se há sensação mais forte, uma delas é concerteza a dor, que nos moi, e nos desgasta, mas que também nos faz sentir partes de nós que normalmente são inconscientemente ignoradas, ou sentir saudades da vida saudável, e por isso dar-lhe mais valor.
Uma frase interessante que ouvi sobre a dor: " Não deixei de a sentir nem por 5 minutos!"

Tamodachi said...

Já agora andas com a Hannah Arendt ou com uma dor?

Dirim said...

Ando com a Arendt e com uma dor de garganta :(

Tamodachi said...

Então andas com elas...

Fidélio said...

Por falar em Arendt, vi na semana passada que saiu uma nova edição das "Origens do totalitarismo", agora em Português, e cuja leitura desde já recomendo. Muito mais interessante - e se conseguirem deitar-lhe a mão - recomendo também a leitura do "Crisis of the Republic", pequena obra prima, em que a autora descreve e analisa a manipulação nos diferentes sistemas políticos, bem como as diferentes formas de reacção por parte dos manipulados. A não perder, até porque o livre é bastante assustador. Único senão: é de leitura complicada.