
Wednesday, May 31, 2006

(...) Depois de a enfermeira sair, pensei na pergunta que ela tinha feito: que espécie de louco era o meu marido? Desta vez não estava a culpar-me por ter casado com ele. Culpava a mãe dele! Por o ter trazido ao mundo, por lhe atender todos os desejos como se fosse sua criada, por dar sempre de comer primeiro ao marido e ao filho, por só me deixar comer depois de eu ter apanhado pedaços de comida agarrados à barba do meu sogro, por deixar a mesquinhez do filho crescer como um estranho apetite, de tal modo que ele havia de ter fome de alimentar o seu próprio poder.
E talvez isso fosse errado da minha parte, culpar outra mulher pelas minhas próprias infelicidades. Mas era assim que eu fora educada: a nunca criticar os homens ou a sociedade que eles governavam (...). Só podia culpar outras mulheres que tinham mais medo do que eu.
In A Esposa do Deus do Fogo, Amy Tan
Judith Slaying Holofernes
Artemisia Gentileschi
Monday, May 29, 2006
The Rainbow Of Her (Our) Reasons
Porque não abdico de sete palmos de terra para ninguém:
Eu só quero que sejas quem tu realmente és .

Magnífico episódio!!!
Sustenho a respiração do princípio ao fim e controlo a vontade de anotar tudo. Mas mesmo tudo.
Magnífica a cumplicidade despropositada de Ruth para com a filha a quem ainda no episódio anterior gritava para que fosse trabalhar. Claire, sóbria, ouve tudo, pouco confortável nos seus novos sapatos de menina bem comportada. Totalmente espartilhada pelos collants obrigatórios que a tornam "muito feminina" e "muito adulta". Sufoca o espírito, sufoca o sonho na norma dos dias. Troca absoluta de papéis: Ruth tornada Claire e Claire morta lentamente no processo de tornar-se Ruth. Soberba escalada ao mundo dos adultos.
"Pode alguém ser quem não é?" (Sérgio Godinho)
Sunday, May 28, 2006
Livro de Versos

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e o que os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Álvaro de Campos
Saturday, May 27, 2006
ROMANCE DE UM DIA NA ESTRADA
(Letra e Música de Sérgio Godinho)
Andava há já vinte dias
Ao frio, ao vento e à fome
Às escondidas da sorte
Um dia fraco, outro forte
Que o dia em que se não come
É um dia a menos para a morte
Um dia fraco outro forte
Quando um barulho de cama
A voltar-se de impaciente
Me fez parar de repente
Era noite e o casarão
Não tinha lados nem frente
Dentro havia luz e pão
Me fez parar de repente
Ó da casa, abram-me a porta
Fiz as luzes se apagarem
Cheguei-me mais à janela
Vi acender-se uma vela
Passos de mulher a andarem
E uma mulher muito bela
Chegou-se mais à janela
Não tenhas medo, não trago
Nem ódio nem espingardas
Trago paz numa viola
Quase que não fui à escola
Mas aprendi nas estradas
O amor que te consola
Trago a paz numa viola
Meu marido foi
Tomar conta das herdades
Ela disse “Companheiro”
Eu disse “Vem”,
ela “Tu primeiro”
“Tu que me falas de estradas.”
“E eu só conheço um carreiro”
Ela disse “Companheiro”
A contas com a nossa noite
Afundados num colchão
Entre arcas e um reposteiro
Descobrimos um vulcão
Era o mês de Fevereiro
E o Inverno se fez Verão
Descobrimos um vulcão
E eu que falava de estradas
E só conhecia atalhos
E ela a mostrar-me caminhos
Entre chaminés e orvalhos
Pela manhã, sem agasalhos
Voltei a rumos sózinhos
E ela a mostrar-me caminhos
Andarei mais vinte dias
Ao frio, ao vento e à fome
Às escondidas da sorte
Um dia fraco, outro forte
Que o dia em que se não come
É um dia a menos para a morte
Um dia fraco outro forte
Um dia fraco outro forte
Andava há já vinte dias
Ao frio, ao vento e à fome
Às escondidas da sorte
Um dia fraco, outro forte
Que o dia em que se não come
É um dia a menos para a morte
Um dia fraco outro forte
Quando um barulho de cama
A voltar-se de impaciente
Me fez parar de repente
Era noite e o casarão
Não tinha lados nem frente
Dentro havia luz e pão
Me fez parar de repente
Ó da casa, abram-me a porta
Fiz as luzes se apagarem
Cheguei-me mais à janela
Vi acender-se uma vela
Passos de mulher a andarem
E uma mulher muito bela
Chegou-se mais à janela
Não tenhas medo, não trago
Nem ódio nem espingardas
Trago paz numa viola
Quase que não fui à escola
Mas aprendi nas estradas
O amor que te consola
Trago a paz numa viola
Meu marido foi
Tomar conta das herdades
Ela disse “Companheiro”
Eu disse “Vem”,
ela “Tu primeiro”
“Tu que me falas de estradas.”
“E eu só conheço um carreiro”
Ela disse “Companheiro”
A contas com a nossa noite
Afundados num colchão
Entre arcas e um reposteiro
Descobrimos um vulcão
Era o mês de Fevereiro
E o Inverno se fez Verão
Descobrimos um vulcão
E eu que falava de estradas
E só conhecia atalhos
E ela a mostrar-me caminhos
Entre chaminés e orvalhos
Pela manhã, sem agasalhos
Voltei a rumos sózinhos
E ela a mostrar-me caminhos
Andarei mais vinte dias
Ao frio, ao vento e à fome
Às escondidas da sorte
Um dia fraco, outro forte
Que o dia em que se não come
É um dia a menos para a morte
Um dia fraco outro forte
Um dia fraco outro forte
de Poe
"Estabelecer uma tentativa causa/efeito entre o desastre e a atrocidade ultrapassa-me. No entanto, posso detalhar os sucessos sem deixar nenhum detalhe ao acaso."
"O gato negro e outros relatos de terror "- Edgar Allan Poe
"O gato negro e outros relatos de terror "- Edgar Allan Poe
Thursday, May 25, 2006
Wednesday, May 24, 2006
Tuesday, May 23, 2006
Eu vou.
Sunday, May 21, 2006
A love Story

But could a flame ever burn
for a match and a stick?
It did quite literally;
he burned up quick
Tim Burton In The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories (1997). Podem ler as outras aqui.
Saturday, May 20, 2006
À Bola! Ao Bolo!
Não assisti à transmissão em directo da formação da bandeira mais BELA, mas parece-me que a coisa inaugurou oficialmente o início da cruzada... ou melhor, da cruzadinha a que nos dedicamos em nome da Pátria. E patrioticamente, de mão ao peito e ao som do hino, mandamos os nossos cruzados para Évora para os campos de treino. Para a guerra vão, garbosos nas suas armaduras de borracha e patrocínios. Que se espraie o nome da Nação por esse mundo fora, levantando a partir de hoje, de novo, o esplendor de Portugal. Pela Pátria jogar. À Bola, gritamos nós. Ao Bolo, gritam dirigentes, jogadores e afins.
Pessoa não sabia o que dizia. A minha Pátria é (já só) a bola portuguesa.
Pessoa não sabia o que dizia. A minha Pátria é (já só) a bola portuguesa.
Friday, May 19, 2006
Tenho um problema com (alguma) a polícia
Tenho um problema com a polícia. Não com toda a polícia. Não... decididamente, não com tod@s, mas com os polícias que nos invadem com o olhar. Com aqueles polícias que nos diziam que se fossemos suas "filhas não andaríamos na rua áquelas horas" e que, concluiam no fundo da sua infinita sapiência: que assim sendo, não tínhamos "legitimidade para nos queixarmos de assédio". Daqueles polícias que puxam dos galões para fazerem valer o seu ponto de vista (desviado). Tenho um problema com a polícia que me pergunta se moro ali perto (durante uma operação STOP). Com a polícia que me deixa a secar não sei quanto tempo para apresentar uma queixa, me atende com um rosto fechado que logo se abre ao ouvir a minha profissão. Tenho um problema com a polícia que permite que nos dias de jogos a 2ª Circular fique com menos uma via de trânsito, ou que a bomba da BP da Avenida Padre Cruz se transforme num imenso parque de estacionamento e que implica comigo porque tenho o carro parado - comigo lá dentro - com os 4 piscas. Tenho um problema com aquel@s polícias que quando mandam parar uma figura pública lhe oferecem presentes ou, no extremo oposto - são particularmente duros, porque não sabem como lidar com uma situação de incumprimento da lei ou com as suas preferências. Mas acima de tudo, tenho um problema com a polícia que desperdiça as balas numa luta que pretendem ser justa. Tenho um problema com o corporativismo da polícia. Tenho um problema com os senhores das fardas. Das fardas que escondem um Ser Humano.
E não, isto não quer dizer que não agradeça aos polícias que, sem o mínimo de condições, diariamente, arriscam couro e cabelo, para fazer cumprir a lei.
Thursday, May 18, 2006
Wednesday, May 17, 2006
Ora aí está uma boa pergunta....
Monday, May 15, 2006
Futebol feminino visto por Tony Jenquins

Pronto, pronto, tenho sido injusta... afinal... também se fala de mulheres que jogam futebol... pelo menos, o Tony Jenquins, no Expresso de 03 de Julho de 1999 (como é que eu descubro estas coisas...):
"Antes do início desta prova, Hamm já tinha marcado 109 golos, mais do que qualquer jogador internacional americano de sempre, homem ou mulher. (...)
No seu segundo jogo, as americanas bateram a Nigéria em Chicago por 7-1, perante 65.080 adeptos aos gritos. E na final espera-se que 92 mil adeptos encham o Rose Bowl, de LA.
As mulheres podem não ser tão grandes e fortes como os homens – de facto pode ser precisamente esta a razão de o seu jogo ser mais fluído e criativo -, mas jogam com a mesma dureza.
Cabeceiam com a mesma força e, na semana passada, a capitã norueguesa, Linda Medalen, teve de abandonar o campo no jogo contra o Japão com o nariz partido.
O que não se vê, felizmente, no jogo feminino, são as quedas teatrais que os homens utilizam tantas vezes com a intenção de enganarem o árbitro e conseguirem a marcação de livres.
Elas não são apenas excelentes atletas como a maioria é atraente, tem formação universitária, é inteligente e tem sentido de humor. (à semelhança dos nossos heróis jogadores, certo?)
(...)
Metade dos jogadores amadores de futebol na América são mulheres, este desporto está a crescer mais rapidamente entre as raparigas do que entre os rapazes e já prevêem que possam vir um dia a ajudar os homens!
Um documentário da National Public Radio fez notar esta semana que o fenómeno não é novo. Depois da IIª Guerra Mundial, o futebol no Reino Unido era tão popular que atraía regularmente 50 mil adeptos a cada jogo.
Os homens tiveram tanto medo de que isso pudesse pôr em risco a viabilidade financeira do seu desporto que o futebol feminino foi proibido."
Só é pena que, por estas bandas, o futebol feminino e as restantes modalidades sejam votadas ao esquecimento. À excepção do atletismo e do judo (somente aquando dos jogos olímpicos) o panorama desportivo português reduz-se ao que já sabemos.
Na foto: a Jogadora Mia Hamm.
Sunday, May 14, 2006
Estamos esclarecida(o)s
Tinha prometido a mim própria não dizer uma palavra sobre isto.... e na verdade, creio que não poderiam ser mais claros:
"Porque só podem participar mulheres na construção da bandeira humana?
É uma forma de mostrar que as mulheres têm um papel activo no futebol, são um reflexo da emoção do futebol, e portanto este desporto é também um desporto no feminino porque envolve milhares de mulheres, como queremos demonstrar ao realizar a Bandeira Humana."
"Porque só podem participar mulheres na construção da bandeira humana?
É uma forma de mostrar que as mulheres têm um papel activo no futebol, são um reflexo da emoção do futebol, e portanto este desporto é também um desporto no feminino porque envolve milhares de mulheres, como queremos demonstrar ao realizar a Bandeira Humana."
Ou seja: quando as mulheres jogam futebol - enquanto equipa, enquanto profissionais -, ninguém lhes liga nenhuma, são totalmente esquecidas pelos patrocinadores, pela comunicação social. Não ganham prémios, não são entrevistadas ou agraciadas pela presidência. Não ganham fortunas. Porque o único papel activo que a organização concebe que as mulheres possam ter no desporto rei é serem um corpo sem individualidade, por baixo da capa da bandeira de um país cujo ego se alimenta.. de (mau) futebol.
Para que não restem dúvidas II

"O feminismo pode ser definido como a defesa de direitos iguais para homens e mulheres acompanhado de um compromisso de melhorar a posição das mulheres na sociedade. Ele pressupõe, portanto, uma condição básica de desigualdade, seja esta concebida como dominação masculina, patriarcado, desigualdade de género ou efeitos sociais da diferente sexualidade (..)"
In Dicionário do Pensamento Social do Sec. XX
Ou seja, para quem (ainda) não entendeu, o feminismo (em todas as suas correntes teóricas) parte do princípio que existe uma desigualdade social de género (isto é, baseada na identidade sexual) com prejuízo para as mulheres e, portanto, defende a igualdade (formal e efectiva) para TOD@S os Seres Humanos, sejam homens ou mulheres.
A Dupla Moralidade
A dupla moralidade está em desuso?
Não cante vitória antes de tempo. Para que isso suceda, as mulheres têm que ter isso claro. Muitas vezes, somos as nossas piores inimigas. Todas deveríamos fazer exame de consciência. Envergonha-me escutar como uma mulher despreza a outra.
Do Pleasuredome
Não cante vitória antes de tempo. Para que isso suceda, as mulheres têm que ter isso claro. Muitas vezes, somos as nossas piores inimigas. Todas deveríamos fazer exame de consciência. Envergonha-me escutar como uma mulher despreza a outra.
Do Pleasuredome
(Ainda) o Peso das Medidas II

E a propósito deste post da Woman once a bird....e da conversa que tivémos ontem sobre isto (e mesmo correndo o risco de me estar a repetir):
"A violência simbólica é uma forma de poder que é directamente pregada no corpo, como por magia, sem qualquer aparente constrangimento físico. Mas esta magia funciona porque activa os códigos impostos e absorvidos pelos estratos mais profundos do corpo" (Pierre Bourdieu)
Apanhadas na submissão encantatória, característica da violência simbólica inscrita nas camadas misteriosas da carne, as mulheres renunciam ao que ele chama les signes ordinaires de la hierarchie sexuelle, tais como a velhice, ou um corpo gordo. Ao fazerem isto, explica Bourdieu, as mulheres aceitam espontaneamente uma posição subserviente. É esta espontaneidade que Bourdieu chama «encantamento mágico».
"A violência simbólica é uma forma de poder que é directamente pregada no corpo, como por magia, sem qualquer aparente constrangimento físico. Mas esta magia funciona porque activa os códigos impostos e absorvidos pelos estratos mais profundos do corpo" (Pierre Bourdieu)
Apanhadas na submissão encantatória, característica da violência simbólica inscrita nas camadas misteriosas da carne, as mulheres renunciam ao que ele chama les signes ordinaires de la hierarchie sexuelle, tais como a velhice, ou um corpo gordo. Ao fazerem isto, explica Bourdieu, as mulheres aceitam espontaneamente uma posição subserviente. É esta espontaneidade que Bourdieu chama «encantamento mágico».
Tanto Naomi Wolf como Bourdieu (este chega com 15 anos de atraso relativamente a Wolf) chegam à conclusão de que os insidiosos «códigos do corpo» paralisam as capacidades das mulheres ocidentais de competirem com o poder, apesar de o acesso à instrução e às oportunidades profissionais estar aberto. As mulheres entram no jogo do poder com tanta energia já desviada para a aparência física, que hesitamos em dizer que o campo de jogos está nivelado. «Uma fixação cultural na magreza feminina não é uma obsessão sobre a beleza feminina», explica Wolf, «é uma obsessão sobre a obediência feminina. As dietas são o mais poderoso sedativo político da história das mulheres; uma população feita de loucos tranquilos é uma população manipulável».
Wolf defende que a investigação «confirmou aquilo que a maioria das mulheres conhece demasiado bem: que a obsessão com o peso leva a um 'colapso da auto-estima e do sentido de eficiência', e que «uma prolongada e periódica restrição calórica resulta numa personalidade diferente cujas características são a passividade, a ansiedade e a emocionalidade». Também Bourdieu, que se concentra mais no modo como este mito entalha as susa inscrições na própria carne, reconhece que recordar constantemente às mulheres a aparência física desestabiliza-as emocionalmente, porque as reduz a objectos para exibir. «Reduzindo as mulheres ao estatuto objectos para serem vistos e julgados pelo outro, a dominação masculina coloca as mulheres num estado de permanente insegurança física... Têm de manter uma luta para serem acolhedoras, atraentes e disponíveis». Congelada na posição passiva de um objecto cuja existência própria depende do olhar do observador, a mulher ocidental moderna e instruída transforma-se numa escrava de harém.
In O Harém e o Ocidente, Fatema Mernissi (Edições Asa).
A Horvallis reflecte bastante sobre estes temas e tem um post sobre este livro, no original chamado "Sherazade goes west" e cujo objectivo inicial foi perceber qual o fascínio que a palavra harém exercia sobre os homens ocidentais. A avó de Fatema viveu num Harém. Fatema conclui que:
"Sim, encontrei finalmente a resposta para o enigma do harém. Enquanto o homem muçulmano usa o espaço para estabelecer o domínio masculino excluindo a mulher do espaço público, o homem ocidental manipula o tempo e a luz. Declara que, para ser bela, uma mulher deve aparentar 14 anos. Se ousar aparentar 50, ou pior, 60, é declarada inaceitável. Apontando o holofote para a mulher criança e emoldurando-a como ideal de beleza, condena a mulher madura à invisibilidade. De fcto, o homem moderno ocidental reforça as teorias de Kant do sec. XIX: para serem belas, as mulheres devem ter uma aparência infantil e tonta. Se uma mulher tiver um aspecto maduro e se mostrar segura de si, ou permitir que as suas ancas alarguem, é condenada como feia. Deste modo, as paredes (no sentido de prisão) do harém europeu separam a beleza da juventude, da fealdade da maturidade. (...)
A violência criada pelo harém ocidental é menos visível que a do harém oriental porque o envelhecimento não é atacado directamente, é antes mascarado de escolha estética."
De resto, Wolf (The Beauty Mith, how images are used against women) afirma que celulite - enquanto ideal estético, ou melhor, a ausência dela - foi criado pela revista Vogue. Garante Wolf que, antes de, nos anos 60, a Vogue começar com uma "campanha" que explicava que ter celulite era feio, esta era considerada normal nas mulheres.
Já agora.. os homens também têm celulite. Será que iremos chegar a ver produtos para acabar com a celulite dos homens?
Creio que Fatema também é muito tendenciosa neste livro, porque garante (por diversas vezes) que o estatuto das mulheres muçulmanas é "melhor" que o das ocidentais. Afirma ela:
"a base da misoginia no Islão actual é bastante fraca, e apoia-se apenas na distribuição do espaço. Se as mulheres invadem o espaço público, a supremacia masculina fica seriamente ameaçada. E actualmente os homens muçulmanos já perderam a base do poder, uma vez que o monopólio do espaço público foi desgastado pelo ingresso maciço das mulheres nas áreas científicas e das profissões".
O Feminismo está a passar por aqui
Vi esta frase - pela primeira vez - no muro da FCSH, na Av. de Berna. Ontem, voltei a vê-la em várias paredes do Bairro Alto. Sorri.
E hoje.. passa por aqui: O FEMINISMO ESTÁ A PASSAR POR AQUI.
E hoje.. passa por aqui: O FEMINISMO ESTÁ A PASSAR POR AQUI.
Saturday, May 13, 2006
Digging a ditch

Este é o som que me tem feito sorrir enquanto subo a rua São Pedro de Alcântara rumo a um elevador encaixotado de memórias. O jardim do miradouro continua em obras... A Häagen Dazs tornou-se um non-smoker place e o prédio do Jornal República lá continua ... sem as marcas de uma história conturbada, mas com algumas palavras testemunhas de um episódio da história do pós 25 de Abril.
Unto your dreaming
When you're alone
Unplug the TV
Turn off your phone
Get heavy on with digging your ditch
Cause I'm digging a ditch where madness gives
Digging a ditch where silence lives
Digging a ditch for when I'm old
Digging a ditch where stories told
Where all these troubles
That weigh down on me will rise
Unto your dreaming
When you're alone
Where all these worries
Weigh heavy on my heart
Will rise, will rise, will rise...
Dave Matthews Band
E adoro aquele cartaz.. lembra o Lalique...
Educar para o Celibato
Há trabalhos maravilhosos na Comunicação Social Portuguesa. Este é um deles. Sobre o autismo. A visão de quem convive com um ser humano não reconhecido por mais ninguém. A esperança encarnada em todos os esforços para levar uma vida normal. A arte da paciência porque exige não só persistência, mas acima de tudo, muito amor. E a culpa.. essa culpa que as mulheres sentem - como se tivessem feito algo de errado e que o autismo dos filhos é de sua responsabilidade (ou castigo). E os pais, os pais que continuam a tentar, a acreditar.. e o novo valor da palavra efémero. Um sofrimento (quase) isolado, vidas interrompidas por uma doença que ainda ninguém compreende bem. A Ouvir.
Friday, May 12, 2006
Cenas de uma defesa...
"O João disse que o Carlos gosta dele próprio"
De quem gosta o Carlos? Dele próprio? Ou do João - autor da frase? - "partindo do pressuposto que o João é narcisista, então a leitura de que o Carlos gosta do João está correcta" (deixa-me acrescentar que somente tu poderias dar uma resposta destas...)
Será isto uma anáfora de longa distância? Orientada para o sujeito? Explica Lueji, explica...
De quem gosta o Carlos? Dele próprio? Ou do João - autor da frase? - "partindo do pressuposto que o João é narcisista, então a leitura de que o Carlos gosta do João está correcta" (deixa-me acrescentar que somente tu poderias dar uma resposta destas...)
Será isto uma anáfora de longa distância? Orientada para o sujeito? Explica Lueji, explica...
Wednesday, May 10, 2006
Just for Lueji!
"... isto é só um passinho na sua promissora carreira.. portanto, como certos políticos.. ela vai andar por aí..."
Esperemos, pois, que te mantenhas sempre por cá - apesar de seres uma estrela, tenho esperança de que não nos irás abandonar. E amanhã é outro dia - dia de novos posts dedicados a ti, porque por agora.. tenho mesmo que me enfiar na banheira e ver se lá deixo esta exaustão que me ataca a mente...
Não me vou embora sem antes te dar isto :)
Esperemos, pois, que te mantenhas sempre por cá - apesar de seres uma estrela, tenho esperança de que não nos irás abandonar. E amanhã é outro dia - dia de novos posts dedicados a ti, porque por agora.. tenho mesmo que me enfiar na banheira e ver se lá deixo esta exaustão que me ataca a mente...
Não me vou embora sem antes te dar isto :)

Foto do Dias com Árvores
Sunday, May 07, 2006
Naquele dia tinha acordado com uma sensação estranha de explicar. Talvez pela fase de menina-mulher que atravessava. De forma inexplicável, compreendeu aquela sensação de que via coisas que mais ninguém podia ver.
A partir de então não duvida do que vêm os seus olhos.
Um breve conto.
Cruzes contra a imigração

Esta é uma das fotos do Público de hoje... vem com esta legenda:
"O Ku Klux Klan continua activo nos estados do sul dos Estados Unidos e mostrou-o ontem numa manifestação contra a imigração em Russellville, no estado do Alabama. Dustin McCalpin, de oito anos, olha a lente do fotógrafo em jeito de desafio num campo perto de Vina onde assiste à cerimónia da queima de cruzes, um dos símbolos da organização, que defende a supremacia branca."
Há coisas que ultrapassam a minha compreensão..
Foto de Joe Songer
Directo ao assunto
"Há duas formas de mentir: uma é com as estatísticas e outra é mentindo"
Ouvi agora, na TSF, no programa "Directo ao Assunto".
Ouvi agora, na TSF, no programa "Directo ao Assunto".
O Paradoxo do Entendimento
Pois, pois é... nós por cá somos fãs da Clarice...
Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos se sabia que se estava em plena condição humana.
Clarice Lispector in Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres
Contribuição do Citador :) :)
Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos se sabia que se estava em plena condição humana.
Clarice Lispector in Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres
Contribuição do Citador :) :)
Saturday, May 06, 2006
and... once again... WOAB.. it's your fault

I know I'm gonna look
So, so, so, so bad
But there's no easy way
For me to have to walk away
But I don't want to hear this no more
And I don't want to feel this no more
And I don't want to see this no more
And I don't want to experience this no more
Cos I know I've got to say
I know I've got say
Goodbye baby goodbye
Goodbye baby goodbye
by Archive
Na foto: a actriz russa Chulpan Khamatova.
Igualdade e Diferença

Por isso eu disse a um aluno meu angolano no mestrado na Faculdade de Direito, numa discussão sobre estes assuntos (Igualdade e Direito), que o racismo só teria acabado no dia em que, olhando para ele, eu não notasse que ele é negro ou que eu sou branca, o que vai dar no mesmo. (A minha brancura, aliás, resulta da «negrura» dele). É que, ao contrário do que estas palavras insinuam, não se trata de uma questão de cor de pele, mas de uma percepção histórica e culturalmente condicionada, em que estão inscritas todas as práticas, incluindo as discursivas, de um passado colonial que nos coloca em campos opostos e de um presente de profunda clivagem em termos de desenvolvimento económico-social dos nossos países de origem. Toda a produção «científica», todo o imaginário popular ou erudito que constituíu e molda ainda a percepção das «raças» embebe o nosso inócuo acto de verificação imediata, quase instintiva, de que somos de «cor» diferente. Nada de semelhante se passa se falo com um aluno oriundo de um país nórdico, cuja cor de pele em muito se distancia da minha. Mesmo se eu reparar nisso, o meu condicionamento inconsciente é completamente distinto.
Teresa Pizarro Beleza in Desigualdade e Diferença no Direito Português
Teresa Pizarro Beleza in Desigualdade e Diferença no Direito Português
Friday, May 05, 2006
Poema em Linha Recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irresponsavelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofirdo a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semi-deuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos
Foto de Ed Freeman
Thursday, May 04, 2006
Wednesday, May 03, 2006
Tuesday, May 02, 2006
A Room of One's Own

Specially for you Woman Once a Bird:
But however small it was, it had, nevertheless, the mysterious property of its kind - put back into the mind, it became at once very exciting, and important; and as it darted and sank, and flashed hither and tither, set up such a wash and tumult of ideas that it was impossible to sit still. It was thus that I found myself walking with extreme rapidity across a grass plot. Instantly a man's figure rose to intercept me. Nor did I at first understand that the gesticulations of a curious-looking object, in a cut-away coat and evening shirt, were aimed at me. His face expressed horror and indignation. Instintict rather than reason came to my help; he was a beadle; I was a Woman.
Virginia Woolf in A Room of One's Own Monday, May 01, 2006
A quem servir a carapuça
Pride you took
Pride you feel
Pride that you felt when you'd kneel
Not the word
Not the love
Not what you thought from above
It feeds
It grows
It clouds all that you will know
Deceit
Deceive
Decide just what you believe
I see faith in your eyes
Never you hear the discouraging lies
I hear faith in your cries
Broken is the promise, betrayal
The healing hand held back by the deepened nail
Follow the god that failed
Find your peace
Find your say
Find the smooth road on your way
Trust you gave
A child to save
Left you cold and him in grave
The God That Failed, by Metallica

"Quero fotografar as cerimónias dignas de consideração do nosso presente porque, enquanto vivemos aqui e agora, temos a tendência para perceber apenas o que é aleatório, estéril e tosco. Enquanto lamentamos que o presente não seja como o passado e perdemos a esperança de que se converta no futuro, os seus inumeravéis hábitos inescrutavéis permanecem à espera de um significado. (...) Estes são os nossos sintomas e os nossos monumentos. Desejo preservá-los, simplesmente porque tudo aquilo que é cerimonioso e curioso e corrente chegará a ser legendário."
Exposição Diane Arbus Revelações - fotógrafa 1923-1971
foto de: angkor.blog.ca/main/ index.php/angkor/2005/08/










