Sunday, May 14, 2006

Estamos esclarecida(o)s

Tinha prometido a mim própria não dizer uma palavra sobre isto.... e na verdade, creio que não poderiam ser mais claros: "Porque só podem participar mulheres na construção da bandeira humana? É uma forma de mostrar que as mulheres têm um papel activo no futebol, são um reflexo da emoção do futebol, e portanto este desporto é também um desporto no feminino porque envolve milhares de mulheres, como queremos demonstrar ao realizar a Bandeira Humana."
Ou seja: quando as mulheres jogam futebol - enquanto equipa, enquanto profissionais -, ninguém lhes liga nenhuma, são totalmente esquecidas pelos patrocinadores, pela comunicação social. Não ganham prémios, não são entrevistadas ou agraciadas pela presidência. Não ganham fortunas. Porque o único papel activo que a organização concebe que as mulheres possam ter no desporto rei é serem um corpo sem individualidade, por baixo da capa da bandeira de um país cujo ego se alimenta.. de (mau) futebol.

19 comments:

jose said...

bem. a mim pouco interessa se só podem participar mulheres ou se só podem participar homens ou se é tudo ao molhe. acho a iniciativa uma tristeza e um exemplo paradigmático do pensamento-bimbo-de-cabeças-pequeninas (sim, inventada por mim agora mesmo!) que sempre assola as mentes mais incautas nestas alturas.
mas bem, a vida continua, com ou sem bandeiras nacionais, femininas ou masculinas ou assim-assim. :\

Gaia said...

Acabei de postar sobre o assunto. se tivesse vindo aqui primeiro, não tinha dito mais nada.
na escrita já se disse o suficiente. seria muito interessante uma "conversa real" sobre a questão de fundo.
Tenho uma visão particular sobre a questão, mas penso que, na questão de fundo, estamos em sintonia.

everything in its right place said...

se fosse uma bandeira só com homens e com música dos Xutos e Pontapés, Camané e outros gajos era pq só os homens podiam participar, como só as mulheres é que podem participar e ver concertos dos Gitf, Sara Tavares, Dulce Ponte é pq só as mulheres é que podem participar...

podiam ler "a mais bela bandeira" por ser uma bandeira construída só com mulheres. mas não...

Dirim said...

Querido Lois: já falámos sobre isto. E quanto à leitura da "mais bela bandeira por ser uma bandeira construída só com mulheres".. nem poderia ser de outra forma.. pois, se somos o belo sexo.. e é precisamente isso que aqui critico - sermos só (na visão dos outros) o belo sexo - já quando somos pessoas normais, com cérebro e a usá-lo, aí já somos as radicais, fundamentalistas e sei lá que mais.... Já agora.. para que outras pessoas não fiquem equivocadas: os homens podem ir aos concertos, mas como não são belos.. têm que ficar a olhar (sempre neste papel) para o belo sexo.

karatekida said...
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karatekida said...

Admito: eu vou ao Estádio Nacional no dia 20 de Maio!!! E vou tranquila. Da mesma forma que vou ao estádio ver os jogos do meu clube. Quero lá saber que a "mais bela bandeira " seja uma bandeira construída só com mulheres...classicamente conhecidas como o "belo sexo" ...não tenho quaisquer problemas em que me vejam como tal...sei que sou mais que um rosto e um corpo...e quem lida comigo também o sabe !!!!
Vejo esta iniciativa como um pretexto para estar com amigas, irmã e sobrinhas, e curtir o dia...apenas e só isso…mas agora que penso nisso, faço-o em parte, porque em muitos cantos do planeta, um evento destes não podia sequer ter lugar, simplesmente porque nesses países, as mulheres não contam…
Ainda assim concordo com algumas ideias deste post...é verdade que as jogadoras de futebol não têm o mesmo protagonismo que os jogadores... assim como também é verdade que outras modalidades são ignoradas…

Gaia said...

Ainda.
Minha querida Karatekida, vá. Vá bela, com a juventude toda; primaveril!
«é verdade que » sim senhora. O princípio desta(s) verdade(s) é o mesmo! Deixe lá.
O chá e umas torradinhas, depois do cinema, são sempre um bom pretexto. Mas, olhe, pretextos há muitos.

Dirim said...

Karatekida: eu sei que és muito mais do que o teu belo rosto ou do que o teu belo corpo. Eu sei. Mas quanto a isto:
"mas agora que penso nisso, faço-o em parte, porque em muitos cantos do planeta, um evento destes não podia sequer ter lugar, simplesmente porque nesses países, as mulheres não contam…",

quanto a isto, só te posso dizer que nesses países que não identificas, mas que calculo a quais (alguns) te refiras, as mulheres são confinadas ao espaço privado, são-lhes negado os direitos de cidadania e os básicos direitos humanos. Por cá, são mais subtis. Por cá, incomodam-se porque as mulheres estão em maioria nas faculdades de medicina. Por cá, perguntam-nos se temos filhos ou se pretendemos tê-los (se os temos sozinhas) numa entrevista de trabalho. Por cá, as mulheres, apesar de mais letradas, têm mais dificuldade em arranjar trabalho e ficam desempregadas mais tempo.. por cá... Somos visíveis porque somos belas. E somente quando (e enquanto) o somos/formos (queres melhor exemplo que a nossa amiga BG?). Quanto às restantes modalidades.. bom, Portugal tem campeões (e campeãs) em muitas modalidades - no entanto, pouca gente sabe disso. Porque em Portugal, desporto é igual a futebol (repito: no masculino). Há bandeiras nas varandas e janelas deste país. Quando? Quando um português ganha um Nobel? Quando há (mais) uma descoberta científica? Não.. pois claro que não. Quando jogamos futebol. E nem poderia ser de outra forma.

Anonymous said...

A construção da bandeira nada tem a ver com o papel activo ou não das mulheres no futebol, é apenas uma estratégia de marketing comercial para vender a última grande aposta da Nike, as camisolas femininas das selecções.

Dirim said...

Angel: e a estratégia de marketing a que te referes (e a qual identifico) explora exactamente o quê? Não será tudo o que já falámos?

Gaia said...

Desculpem a insistência comentadora.
Voltei só para dizer que a mulher na capa da Max-man não tem nada a ver com o Género. Trata-se de uma estratégia de marketing.
Ah, e o homem musculado na Elle, tb não tem nada a ver com o Género. Nada!

angelofpromise said...

Acho apenas que deveremos olhar para a superficialidade e não procurar profundidade onde ela não existe. A iniciativa pretende apenas vender camisolas neste caso femininas. A exploração é a mesma quando são utilizados bebés para vender Dodots e homens para vender por exemplo máquinas de barbear etc, etc.. Não existe nada de profundo nisto. Há que lutar pelos direitos e igualdades mas não me parece que nos fique muito bem sentirmo-nos vítimas ou o centro das atenções do marketing, já que este utiliza qualquer sexo, idade ou religião para vender.
Quanto à direcção das marcas para os produtos femininos no futebol tem a ver com o interesse crescente das mulheres por este desporto, em que as nossas vizinhas espanholas são um exemplo perfeito desse crescimento. É a lei do mercado nada mais. Não me parece nada desprestigiante participar num evento destes, já que grande parte das mulheres vai fazer o que mais gosta, conviver e sorrir. E um dia sem sorrir é um dia desperdiçado. Tenho a certeza que todas se vão divertir imenso!!!

Dirim said...

Sucede, porém, Angel, que a lei do mercado explora uma lógica que vem sendo construída há muito e que solidifica preconceitos. Sucede, porém, que o mundo, de facto, não é a preto e branco. Não sou eu que digo que "A construção da bandeira tem a ver com o papel activo ou não das mulheres no futebol" - é a organização do evento. Eu limito-me a questionar que raio de papel activo é esse a que se referem.

Woman Once a Bird said...

Agora tenho a certeza que vou sorrir muito mais.

Taxista Feminista said...

Infelizmente, o papel das mulheres neste Mundial de 2006 não é só preencher com caras "bonitas" e "graciosas" a "mais bela bandeira do mundo"... Parece que lhes reservaram um outro lugar muito especial: "entreter" os espectadores (e os intervenientes?) dos jogos - visitem este site e aproveitem para assinar a petição. http://catwepetition.ouvaton.org/php/index.php

Dirim said...

Olá Taxista feminista:)
A Horvallis (http://horvallis.blogspot.com/) tem um post (http://horvallis.blogspot.com/2006/05/porque.html) sobre isso. O assunto está a ser bastante mediatizado, sendo, inclusive, discutido no Parlamento Europeu. E já agora,parabéns pela iniciativa!

angelofpromise said...

Woab se sorrisses um pouco mais acabarias por entender que defender os direitos das mulheres é exactamente respeitar a vontade e a opinião delas. Com ironias só provas que nada evoluiu, continuam, como sempre, as mulheres a serem as suas próprias castradoras. Como defensora dos direitos e igualdades para as mulheres deverias ter dado o exemplo e ter levado a discussão como uma simples troca de opiniões.

Woman Once a Bird said...

Continuo a sorrir. Muito.

tamodachi said...

Eu gostava de ter participado... era meio caminho andado para realizar o sonho da minha vida (ser burra) e ganhar o meu cantinho no Ceú...