Sunday, April 30, 2006

Pela (Quase) sempre GENIAL Fernanda Câncio

Preservativo, the católico way
Ao fim de 23 anos, de 23 milhões de mortos e 40 milhões de vivos infectados, a Igreja Católica pôs-se a pensar e achou que, caramba, se calhar o preservativo é um "mal menor" . Mas não vá a malta concluir que isto agora é à tripa-forra e ainda por cima com bênção celestial, esclarece a Conferência Episcopal portuguesa que a admissão do uso do terrível e até agora proscrito artefacto é apenas e só para o "contexto do matrimónio" e se "algum ou os dois estão infectados". Traduzindo: os católicos não casados não devem usar preservativo seja em que circunstância for; os católicos casados que tenham relações extraconjugais devem esperar até ficar infectados e saberem-no sem sombra de dúvida para usar preservativo com a pessoa com quem estão unidos pelo indissolúvel laço (que por essa altura, pela lei das probabilidades, já há-de estar também infectada, pelo que a permissão está duplamente assegurada). Mas qual a surpresa? O objectivo da Igreja é salvar almas; o corpo é sempre um mal, maior ou menor.

Quanto à imagem.. lamento.. mais uma vez, não sei de quem é.. mas tirei do mesmo sítio - e é a FC.

Saturday, April 29, 2006

1 feriado +

1886, Chicago - millhares de trabalhadores manifestaram-se por reivindicar um horário laboral de 48 horas semanais. Consequência: vários mortos e numerosas detenções. 1889, Congresso da Comuna de Paris - aprova que se celebre mundialmente o Dia do Trabalho/Trabalhador em comemoração dessa data. 1890.- Vários países celebram por primera vez o 1º de Maio. Entre 1852 e 1910 - 559 greves no nosso país; principais exigências: subida dos salários, diminuição da jornada de trabalho, melhoria das condições. "Durante a I República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador, mas sublinhe-se que um dos primeiros diplomas aprovados, com a instituição do novo regime, dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o dia do trabalhador. Em 1933 é decretada a "unicidade sindical" e o "controle governamental dos sindicatos" esmorecendo um movimento operário que só ganharia novo ânimo na década de 40. Durante o Estado Novo as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado. O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, foi a forma dos portugueses demonstrarem a sua adesão ao 25 de Abril, que uma semana antes restituía ao país a democracia." - Liliana Filipa Silva, JornalismoPortoNet - 30 de abril de 2003 Um repasso breve sobre a história (internacional e da nossa) para que não fiquem no esquecimento esses anónimos que nos proporcionam estas 24 horas de lazer. Sou mais uma trabalhadora silenciosa para quem este dia pouco mais significa que isso mesmo: 1 feriado +.

Friday, April 28, 2006

"The earth turned to bring us closer. It turned on itself and in us, until it finally brought us together in this dream."

do filme "21 gramas", num diálogo do Sean Penn. E dedico a ti, Dirim. Não haverá artificio humano que impeça o "giro" da Terra...

Thursday, April 27, 2006

Compro um F16

A notícia de que o Ministério da Defesa pretende vender património, com vista à redução de despesas, bem vistas as coisas, até pode ser benéfico para Portugal, e, por arrasto, para os portugueses...isto é, se alargarem a ideia para a venda de coisas mais móveis, do género de mentalidades, pessoas e afins. O conceito não consta de nenhum dicionário de Direito, julgo mesmo ser anticonstitucional, mas hoje sinto-me arrojada.
Se a minha proposta avançar, prometo ajudar e até comprar um F16, desde que a crédito… Não seria interessante se o tal aproveitamento económico, gestão ou alienação de património militar disponível que o Ministério a Defesa tem na mira, se alargasse à venda — ou mesmo oferta — de tudo o que é banalidade, irresponsabilidade ou imoralidade governativa?
Da mesma forma que se pretende fazer um inventário dos imóveis que não são úteis às Forças Armadas, por que não fazê-lo quanto às coisas móveis inúteis aos portugueses? Podíamos, por exemplo, vender os mais de 100 deputados, que na véspera de um fim-de-semana pascal, enganaram quem neles votou — directa e indirectamente — e que, desmioladamente, picaram o cartão de ponto, escaparam ao trabalho, e zarparam para umas mini férias, à custa de todos nós?

Wednesday, April 26, 2006

Boa noite

... amanhã há mais! Boa noite.

Sunday, April 23, 2006

Sobreviver

Levou a mão à boca - como quando passa por um animal morto na estrada - para interromper o som que não se podia ouvir. O coração a bater descompassadamente, as lágrimas a saltarem dos olhos à mesma velocidade com que os insultos surgem em catadupa na mente, sem no entanto, concretizarem a verbalização. Há perguntas para as quais não há resposta. Que espécie de ser humano é capaz de fazer uma coisa destas?
Descobri o blog da SOBREVIVER através do Convicto. Esta é a história da Xana:
"A Xana foi retirada ao seu dono depois de este ter tentado enforcá-la numa árvore. Felizmente a corda estava laça e não provocou o estrangulamento, mas estima-se que a cadela tenha permanecido 5 dias amarrada à árvore, sem qualquer assistência. Agora a Xana está com a Sobreviver. Levou um enxerto de pele no pescoço e está ainda em tratamentos. O seu tratamento custou à Sobreviver um total de 444 euros. (inclui tratamento, esterilização e estadia)."

Este é um blog de histórias felizes.. porque alguém as conseguiu contar.

Saturday, April 22, 2006

Li no Café República...

"Não faço planos para não atrapalhar os planos que o Universo tem para mim"
Agostinho da Silva

A Amizade não tem posicionamento II

Título roubado (descaradamente) à nossa querida WOAB, para dedicar à maravilhosa GINKO. Porque quando está em causa o amor que se sente, as distâncias, as fronteiras ou quaisquer outros artifícios físicos não têm qualquer importância...
Porque o Aqui e o Agora têm o valor que lhes queremos dar. E mais uma vez, obrigada.

Friday, April 21, 2006

Todas... (menos eu, claro...)

Este é um excerto de uma carta que enviei para uma blogger e se a partilho aqui é porque, ultimamente, a insistência com que ouço este tipo de discurso (sem grandes variações ou imaginações) começa a ser preocupante....
Recentemente, ouvi da boca de uma mulher de 29 anos a frase: "gosto muito mais de trabalhar com homens, as mulheres são muito mais mesquinhas" - perguntei-me com que homens ela trabalhava. Das experiências de trabalho em que eu era a única mulher, somente uma me deixou boas recordações. Serviram sobretudo para comprovar que em muita coisa, homens e mulheres não se distinguem. É verdade que, com frequência, a agressividade masculina se exprime através da violência física - muito mais do que nas mulheres - o que a educação e cultura social (para além das teorias hormonais) deve explicar bem. No entanto, quanto à mesquinhez dos comentários, a maldade - essas encontrei-as tanto em homens quanto em mulheres. Acho impressionante que este cliché ainda vigore com tanta força e tão persistentemente. Pensarão estas mulheres que lhes fica bem dizer: as mulheres conduzem mal (excepto eu, claro), as mulheres são mesquinhas e más (excepto eu, claro), ou as mulheres são todas umas cabras (excepto eu, claro). Estarão estas mulheres a negar o seu próprio estatuto de mulheres quando afirmam estas coisas ou achar-se-ão superiores aos restantes seres humanos?

mistakes

I only make mistakes....

Thursday, April 20, 2006

Texto da Karatekida, postado pela Dirim.. por razões que vão entender no post....

Ultimamente tenho andado a levitar. Juro! Eu explico antes que comecem as especulações desnecessárias. Digo já que há muito não me sucedia uma coisa assim. Mas, mal soube dele, tive a certeza rara, que ficaria assim. De rastos, rendida, à espera de o ter só para mim. Já o tenho. E agora não consigo separar-me dele. Trabalhar tem sido uma tortura pois ele fica ao meu lado. Ando com ele nos transportes, como com ele, e claro, adormeço com ele. Nem sempre tenho o tempo que queria, e que ele merece. Por isso, qualquer minutinho é precioso. Está a fazer-me tão bem! “Será isto a liberdade? Não sei, confesso, e às tantas desisto de pensar nisso”, lê-se na contracapa do novo livro do Haruki Murakami, o mesmo de “Sputnik, Meu Amor”. Chama-se “Kafka à beira-mar”, e tem um gato preto, igual à minha Baguera, colado na capa. O resto, não digo. Têm que o ler e rápido. Mesmo que sejam alérgicos aos felinos.

Eu despoleto, tu despoletas...

Se abrirmos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (8ª edição - 1999) e consultarmos o significado da palavra despoletar, eis o que nos surge:

"tirar a espoleta a; tornar impossível o disparo ou a explosão de; impedir o desencadeamento de; impossibilitar a acção ou o accionamento de; tornar inactivo; travar; anular".

Na versão actual do mesmo dicionário, disponível online, já encontramos:

1.

tirar a espoleta a [sentido original]; tornar impossível o disparo ou a explosão de [sentido original];

2.

figurado anular algo; travar o desencadeamento de;

3.

figurado fazer surgir repentinamente [uso generalizado]; desencadear uma acção [uso generalizado].

No Ciberdúvidas, a respeito desta palavra, podemos ler várias definições e opiniões, entre as quais consta:

"No sentido erróneo em que muitos jornalistas e políticos empregam este verbo, despoletar significa dar início. A primeira vez que ouvi esta palavra, há cerca de 30 anos, foi na tropa. Queria e quer dizer: tirar a espoleta a uma granada de mão. Ou seja, anular-lhe o funcionamento, impedi-la de funcionar. Assim, quando se afirma que uma crise foi despoletada, o que se deveria querer significar, com rigor, é que a crise acabou. Que importância tem isto? Na minha modesta opinião, nenhuma. A génese da semântica – diz um amigo meu – é o erro. É com o erro que a Língua «pula e avança». Se me apetecer utilizar o não para significar o sim, é comigo. «O senhor quer morrer?» «Sim.» O problema é se, por causa disso, me matam. Portanto, não é apenas comigo. Só posso trocar o sim pelo não, se a maioria me acompanhar. A maioria quer continuar a despoletar em sentido contrário? Para me opor com eficácia, tenho de dar força aos butes, desenvolver trabalho político. Criar, por exemplo, a Associação Nacional dos Amigos da Espoleta."

J.C.B.

Agora, digam, a nossa língua é ou não é interessante?

Tuesday, April 18, 2006

Livro das Respostas IV

Por vezes as respostas encontram-se no silêncio do poema, do que é dito nas entrelinhas da musicabilidade das palavras. Resta-nos emprestar o ouvido ao poeta, murmurar as palavras e deixá-las ecoar, formar sentido, lavar-nos a alma.
"(...)though the radiance which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendour in the grass, of glory in the flower;
We will grieve not, rather find
Strength in what remains behind;"
(Wordsworth)
Ando com isto no ouvido desde Sábado, aquando do visionamento de Esplendor na Relva na 2:. Foi como se abrisse o Livro das Respostas, mas sem as respostas dúbias ou idiotas. Foi como um murmurar visceral, que me mantém alerta para a possibilidade do poema em mim.

Monday, April 17, 2006

Sant Jordi ou São Jorge

Esta é uma celebração muito popular na Catalunha. O equivalente ao dia dos namorados, o de São Valentim. Neste dia os homens oferecem uma rosa vermelha acompanhada de uma espiga às suas companheiras – vermelho símbolo de paixão, a espiga símbolo de fertilidade; e as mulheres oferecem um livro aos seus companheiros – em 1995, a Unesco instituiu o dia 23 de Abril como o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. O Governo de Catalunha a 17 de Abril de 1456, declarou o dia 23 de Abril como um dia de festa e em 1667, o Papa Clement IX aprovou oficialmente que o dia 23 de Abril fosse feriado na cidade de Barcelona, até aos dias de hoje. A imagem é um cavaleiro romano, montado num cavalo branco que fere um dragão com a sua larga lança. Existem várias teorias sobre o simbolismo desta imagem. Sobretudo o dragão como simbolo pagão, e o domínio da fé católica sobre a fé pagã. Tendo em conta que a lenda explica que São Jorge era um cavaleiro romano que se desvia do seu exército para salvar aquele povo, guiado por uma revelação divina através de um sonho. Conta a lenda que na aldeia de Montbalc (Tarragona – Catalunha) existia um monstro que devorava os seus habitantes e destruía tudo. Um monstro muito feroz e dotado das capacidades de voar, nadar e caminhar. O rei decidiu, para tentar acalmar o monstro, que de tempos a tempos se sortearia entre todos os habitantes (entre eles ele próprio e a sua família) a oferenda ao monstro. Um dia a sua filha vai ser a sorteada. O rei não volta atrás com a sua palavra apesar da sua tristeza. Chegado o dia, a princesa aos olhos de todo o povo sai das muralhas em direcção ao seu sacrificio. Uma vez no local, encontra um cavaleiro romano montado num cavalo branco. Avisa-o da existência de tal monstro e adverte-o que se afaste. O cavaleiro tranquiliza-a, e explica-lhe que através de um sonho teve um aviso divino que deveria ir áquele sítio salvar aquele povo de tal monstro. E assim foi. O monstro apareceu, o cavaleiro feriu o monstro e a princesa regressou ao castelo. O rei quis dar a mão da sua filha ao cavaleiro, este recusou, alegando que a sua missão tinha sido divina e que deveria regressar ao exército romano. Esta é a adaptação catalã da narrativa legendária escrita por Santiago de la Vorágine no se. XII na obra “A Lenda Dourada”.

http://www.pecados.eu

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Friday, April 14, 2006

Livro das Respostas III

O fascínio perante o Livro das Respostas é o mesmo que nos mantém indefinidamente (ou seja, em permanente paragem cerebral) espectantes relativamente a determinados relacionamentos (amorosos ou não) que estabelecemos ao longo das nossas vidas.
Estou em crer que muitas criaturas cultivam afincandamente a arte do poder de encaixe - ou seja - a arte de abraçar o mundo com as palavras. E o pior, é que as paragens cerebrais só tendem a desbloquear, não perante pecados de pensamentos ou palavras mas sim, e só apenas, perante pecados de actos e omissões. Pelo que O Livro das Respostas ou O Tipo das Respostas pode manter um cérebro mais fraco indefinidamente a fazer perguntas e a abri-lo e fechá-lo à espera da resposta que, invariavelmente, encaixa consoante a interpretação que se lhe quiser dar. Até ao dia...

(Fotografia de Abelardo Morrel)

Livro das Respostas II

Pegou no livro, colocou a mão direita sobre o mesmo e concentrou-se. Segundos depois abriu uma página e leu: "não há garantias".
A pergunta: A Terra é redonda?
Acham que aceitam isto como motivo para devolução do raio do livro?

Driving...

Com as noites quentes e ao som de Muse, a única vontade que tenho é continuar a olhar para um céu que bem podia estar mais estrelado...
Claro que também me apetece parar o carro e entrar num sítio onde estejam todas as pessoas que amo e dançar a noite toda. Os anos passam e parece quase impossível reunir um grupo de amig@s. Nunca aproveitamos os momentos que temos com quem amamos.

Thursday, April 13, 2006

Why don't women go native...?

Esta questão foi colocada por uma pessoa que assistia a uma conferência sobre "Gender dimensions in transnational history and the history of West European colonialism" com a Gisela Bock - historiadora alemã, especializada em género e colonialismo.

Para mim, foi a primeira vez que ouvi a expressão. Mas pelo que entendi - e em conversa com a conferencista e com outras pessoas da assistência - cheguei à conclusão que a expressão "going native" (pelo que entendi é totalmente British..) significa uma apropriação dos hábitos culturais e sociais de uma outra cultura, através de um ligação afectiva (e implica um corte total com a cultura de origem). A pessoa que "goes native" torna-se, assim, um membro efectivo da comunidade da sua companheira. E se escrevi no feminino (companheira), foi porque todas as pessoas que estavam presentes concluiram que, de facto, não há qualquer registo de que as mulheres entrem na onda do "go native". No minímo estranho, pensei. Claro que outra dúvida surge: como é que podem dizer que as mulheres don't go native? Porque esta história é tão pejada de eurocentrismo que só se considera que alguém goes native, se nos referirmos a um ocidental que adopta a cultura alheia - não de outro ocidental, note-se - mas de alguém oriundo de áfrica, por exemplo, e não da África ocidentalizada...

Ou seja, quando falamos de going native, falamos num contexto de colonialismo e de um colonialismo Europeu em África. Ou seja, se uma portuguesa se apaixonar por um chinês e decidir ir viver para a zona mais recôndita da China comer carne de cão com pauzinhos , vestir quimono e enfaixar os pés não se incluirá no grupo.

Ora, a ser verdade que as mulheres, de facto, não tomam esse tipo de decisão (going native).. embora não seja certo - pelo menos, nenhuma pessoa presente pôde garantir que não existiram quaisquer casos; de resto, como se sabe, as histórias, e o papel das mulheres sempre foi tornado invisível ao longo dos séculos, portanto, se já é difícil documentar as histórias dos homens que tomaram essa opção - uma vez que é unânime que, alguém que "goes native" não deixa testemunhos.. mais difícil se torna no caso de uma mulher - só o será num contexto colonial e com o carácter europocêntrico que referi anteriormente.

Por certo que todos conhecemos casos de mulheres que adoptaram as culturas (o que incluiu a religião, entre outras coisas, mudando a forma de vestir, de estar e de olhar o mundo) das pessoas com quem decidiram partilhar a sua vida - a Mesquita Central de Lisboa tem alguns bons exemplos. Por outro lado, segundo os estereotipos (ou esterótipos, como quiserem), as mulheres são mais sentimentais, coitadas, o que lhes inibe a capacidade de raciocínio... (a qual, segundo este mesmo estereótipo, também não abunda nas suas pequeninas cabecinhas) e por isso, é que elas fazem as opções mais idiotas - tais como apaixonar-se pelos homens errados (e quando se apaixonam por mulheres.. isso então..) adiante...

Por isso, soa um pouco estranho que na história do colonialismo não haja um único caso documentado de uma mulher que tenha ido viver com uma tribo africana. Por um lado, as mulheres sofreriam de um controlo social muito mais forte que os homens, estando confinadas ao "espaço privado". Não teriam um contacto com os nativos da mesma forma que os homens, sendo que a apropriação e subjugação sexual (dos homens colonos face às mulheres nativas) sempre fez parte da estratégia de colonização havendo inúmeros relatos de violações, concubinatos e até mesmo matrimónios. O mesmo não se verificava quanto a mulheres da metrópole (ou dos reinos).

Alguém da assistência sugeriu que as mulheres brancas não estavam interessadas em optar por uma vida em que tinham ainda mais trabalho, uma vez que era um dado adquirido que os nativos "não trabalhavam" - bom.. dedicar-se-íam à caça? Não estou certa que os colonos partilhassem tarefas domésticas, pelo que penso que não seria a isto que ela se estaria a referir. Mas seriam as mulheres brancas assim tão racionais a ponto de pesar os prós e contras de "going native"? Estariam assim tão dependentes das redes sociais que temessem a excomunhão social?

A questão é que, por sinal, fosse pela falta de oportunidade - ou de contacto - as mulheres colonas (poder-se-à dizer que a colonização é/foi um fenómeno masculino?) não se deixavam apaixonar por nativos... ou seja, a pergunta que se coloca é... porquê?

Endlessly

Porque há momentos em que nos apetece acreditar que as amizades são eternas e incondicionais :)
"There’s a part in me you’ll never know The only thing I’ll never show Hopelessly I’ll love you endlessly Hopelessly I’ll give you everything
I won’t give you up, I won’t let you down And I wont leave you falling
If the moment ever comes"
By Muse

Wednesday, April 12, 2006

Descoberta a deusa mais antiga da historia

Durante milhões de anos, a humanidade viveu sem um Deus e quando o teve a representação divina foi uma mulher, a Deusa-Mãe-Terra. Em Chauvet, França, uma equipa arqueológica acaba de descobrir a Venus/Deusa mais antiga que se conhece, que se calcula ter sido representada faz 32.000 anos. Na cova de Chauvet, Yannick Le Guillou e a sua equipa deslocam-se com esmerado cuidado pelas passarelas escrupulosamente instaladas para nãoo danificar as galerias que acolhem as mais de 420 pinturas de animais e a recém descoberta Venus. Como outras representações da divindade que se conhecem, a figura feminina tem a púbis marcada e ancas muito largas como sinal de fecundidade. Não muito distante da descoberta, encontra-se uma galeria onde mulheres e homens prehistóricos preparavam o carvão para os traços negros ou vermelhos. Apesar dos estereotipos negativos que atribuímos aos nossos antepassados (de os situarmos fora situamos fora da historia com o prefixo "pre"), os antropólogos afirmam que os grupos nómadas eram muito mais igualitários que a nossa sociedade e tinham uma relação mais íntima e respeituosa com o ambiente. Tanto mulheres como homens reconheciam a terra como criadora da vida, a mesma vida que surgia do corpo das mulheres: a fecundidade; por isso as suas representações das divindades eram femininas. Incluso uma tendência comum nas culturas muito distantes tanto geográfica como culturalmente para a tradição de uma Triple Deusa, sendo esta a origem da qual provém o conceito de "Trindade". A Triple Deusa refere as fases na vida de uma mulher como "Donzela-Mãe-Velha Sábia". A chegada da agricultura foi o princípio do fim da igualdade, sobre tudo ao perder a sua importancia a recolha dos alimentos, trabalho desempenhado pelas mulheres. O homem foi consiguindo mais poder nas sociedades sedentarias e substitui o prestígio femenino na organización social e na representação simbólica. Foi o nascimento de Deus-Pai entre o sec.IV e III AC. As descobertas arqueológicas do sec.XX permitiram descobrir algumas chaves do que constitui o passado da humanidade, nos revelaram através da Venus de Willendorf, de Menton, das sacerdotisas pássaro da Mesopotamia do Egipto, etc. o peso social das mulheres na Pré História. Madrid, 18 de jullho 2001 (prensamujer.com/Tertulia).