Sunday, April 30, 2006

Pela (Quase) sempre GENIAL Fernanda Câncio

Preservativo, the católico way
Ao fim de 23 anos, de 23 milhões de mortos e 40 milhões de vivos infectados, a Igreja Católica pôs-se a pensar e achou que, caramba, se calhar o preservativo é um "mal menor" . Mas não vá a malta concluir que isto agora é à tripa-forra e ainda por cima com bênção celestial, esclarece a Conferência Episcopal portuguesa que a admissão do uso do terrível e até agora proscrito artefacto é apenas e só para o "contexto do matrimónio" e se "algum ou os dois estão infectados". Traduzindo: os católicos não casados não devem usar preservativo seja em que circunstância for; os católicos casados que tenham relações extraconjugais devem esperar até ficar infectados e saberem-no sem sombra de dúvida para usar preservativo com a pessoa com quem estão unidos pelo indissolúvel laço (que por essa altura, pela lei das probabilidades, já há-de estar também infectada, pelo que a permissão está duplamente assegurada). Mas qual a surpresa? O objectivo da Igreja é salvar almas; o corpo é sempre um mal, maior ou menor.

Quanto à imagem.. lamento.. mais uma vez, não sei de quem é.. mas tirei do mesmo sítio - e é a FC.

6 comments:

Ginko said...

menos mal que praticantes ou não desenvolvemos uma "religião" paralela a da informação e sentido critico. Possivelmente a Fernanda Cancio não
vai ler este comentário, mas aqui fica a felicitação pelo seu comentário.

nefertiti said...

Há certos parâmetros da igreja que abomino! (não compactuo com tais ideologias hipócritas e perigosas)!

Xor Z said...

A questão é que não há padres católicos e assim, de modo silencioso, reduz-se a massa católica à dimensão dos clérigos. Como sabe não é a primeira vez que a igreja católica, embora por diferentes razões, usa este artifício.

Sanchogomes said...

Desculpem, mas parece-me que por aqui existe algum fundamentalismo anti-católico misturado com desconhecimento.

É óbvio que o uso do preservativo só pode ser admitido no seio de uma relação marital heterossexual monogâmica, atendendo que esta é a concepção de relação erótica aceite pela Igreja. Não percebo porque é que tantos não-católicos fazem esta marcação quase canina às orientações doutrinárias da Igreja. Afinal são apenas orientações para OS católicos (que depois têm liberdade para as seguir, ou não!)

Dirim said...

Talvez porque esta orientação doutrinária em concreto seja co-responsável pelo descontrolo do nível de contaminação em ene países africanos. Talvez porque esta orientação doutrinária em concreto seja feita à custa de desinformação e de ene vidas humanas.

Sancho Gomes said...

Co-responsável pelo descontrolo em países africanos??! Está a querer dizer o principal motivo para a epidemia da sida em África deve-se a estas orientações da Igreja e não o facto dos preservativos custarem dinheiro (custavam e não era pouco, para além de que são distribuídos gratuitamente especialmente em grandes concentrados populacionais, como campos de refugiados), ou à falta de informação (será a Igreja culpada disto também e não os regimes da treta e a miséria que por lá existem?), ou à atitude machistas que dificulta a compreensão de que podem ser salvas vidas se se usar um “saco”? Você sabe que a maior parte da população Africana ainda é animista? Que mesmo grande parte dos convertidos, quando em situação de dificuldade, preferem recorrer a outras orientações e não às da Igreja? Que da Igreja a única grande referência são os missionários (que neste particular, desenvolvem um trabalho absolutamente irrepreensível)?

Não, não me parece que a problema do descontrolo da SIDA se deva às orientações da Igreja.

Por outro lado, a Igreja, como grande referência espiritual e moral dos católicos, não pode andar ao sabor das circunstâncias temporais, por mais difíceis que sejam.