Friday, April 21, 2006

Todas... (menos eu, claro...)

Este é um excerto de uma carta que enviei para uma blogger e se a partilho aqui é porque, ultimamente, a insistência com que ouço este tipo de discurso (sem grandes variações ou imaginações) começa a ser preocupante....
Recentemente, ouvi da boca de uma mulher de 29 anos a frase: "gosto muito mais de trabalhar com homens, as mulheres são muito mais mesquinhas" - perguntei-me com que homens ela trabalhava. Das experiências de trabalho em que eu era a única mulher, somente uma me deixou boas recordações. Serviram sobretudo para comprovar que em muita coisa, homens e mulheres não se distinguem. É verdade que, com frequência, a agressividade masculina se exprime através da violência física - muito mais do que nas mulheres - o que a educação e cultura social (para além das teorias hormonais) deve explicar bem. No entanto, quanto à mesquinhez dos comentários, a maldade - essas encontrei-as tanto em homens quanto em mulheres. Acho impressionante que este cliché ainda vigore com tanta força e tão persistentemente. Pensarão estas mulheres que lhes fica bem dizer: as mulheres conduzem mal (excepto eu, claro), as mulheres são mesquinhas e más (excepto eu, claro), ou as mulheres são todas umas cabras (excepto eu, claro). Estarão estas mulheres a negar o seu próprio estatuto de mulheres quando afirmam estas coisas ou achar-se-ão superiores aos restantes seres humanos?

5 comments:

karatekida said...

Eu nem sequer conduzo. No resto sou igual, mesquinha e má se for necessário, e cabra também. Agressiva qb no toca ao brio profissional. Concordo contigo, no que toca aos defeitos (profissionais e não só), homens e mulheres não se distinguem...sinal de que esta falsa discussão não tem sentido...

jose said...

eu acho que, primariamente, somos todos iguais. a vida em sociedade é que nos vai transformando em cliches. freud tinha uma teoria sobre isto, disseram-me um dia destes. tenho que a encontrar.

Dirim said...

nós por cá... aguardamos que a encontres e partilhes :)

jose said...

nunca li nada dele. falaram-me nela quando estava a conversar com um amigo sobre o brokeback mountain. eue stava a contar a minha visão do filme (a metáfora de Brokeback Mountain) e ele então falou-me em freud, que tinha muito a ver com a minha ideia. achei curioso e quando li este post lembrei-me. :)
se conseguir encontrar isso partilha-lo-ei certamente.

Ginko said...

aguardamos então...