Tuesday, October 31, 2006

A minha inata incapacidade de síntese leva-me quase ao desespero quando tento, em jeito de resumo, encerrar aqui a questão dos prazeres auditivos e visuais em figuras femininas. Um resumo muito incompleto e injusto, mas aqui está: - Björk; Elisabeth Fraser; Dolores O´Riordan; Natalie Imbruglia; Beth Gibbons; Kate Bush; Sade; Mafalda Veiga; Nina Persson; Annie Lennox; Adriana Calcanhotto; Yunchen Lamo; Mary J. Blige; Kylie Minogue; Alison Goldfrapp; Marisa Pinto... No entanto, há uma que merece ser destacada.

Monday, October 30, 2006

A avozinha

Ela levou o sobrinho com menos de um ano ao parque infantil. Uma menina curiosa, aproximando-se, pergunta:
- Como se chama o seu netinho?
Ela responde e ri-se. Muito.

Sunday, October 29, 2006

필로우 북

Remembering Peter Greenaway and this astonishing movie

First Book: .....

Second Book: The Innocent Third Book: The Idiot

Fourth Book: The Book of Impotence

Fifth Book: The Exhibitionist

Sixth Book: The Lover Seventh Book: The Book of the Seducer

Eighth Book: The Book of Youth Ninth Book: The Book of Secrets

Tenth Book: The Book of Silence Eleventh Book: The Betrayed

Twelfth Book: The book of the False Starts Thirteenth Book: The Book of the Dead

The Pillow Book

When God made the first clay model of a human being He painted in the eyes ... the lips ... and the sex. And then He painted in each person's name lest the person should ever forget it. If God approves of His creation, He breathed the painted clay model into life by signing His own name.

Thursday, October 26, 2006

The morning after

Banquecoque? Bah... uma desilusão. A cidade é estranha: uma amálgama manhosa de duas civilizações com muito pouco, ou mesmo nada, em comum. A nossa ( e aqui, por muito que me custe, junto também a do Tio Sam...afinal estamos do mesmo lado do mundo...) e a Oriental. Aos olhos salta o desconcertante e aberrante efeito oferecido pelos ostensivos e envidraçados arranha-céus das multinacionais estrangeiras geminados a casas minúsculas cuja melhor descrição é a de mini-prisões pós-revolta. Todas estas casas parecem ter ardido vezes sem conta - tal é o negrume que as cobre - e onde qualquer brecha para o exterior é ornamentada por uma grade. Com tudo o que vi, fiquei sem saber se as grades são para impedir alguém de entrar ou de saír... Os andares rasteiros são lojas. Lojas onde se vende de tudo, mesmo tudo. Afinal esta é mais uma das cidades que está à venda.
Anything! Just name it! Boys, girls, children.
Anything you want! Come with me.
Suja, muito poluída e com trânsito caótico é assim esta cidade. Um reflexo do que se passa com as pessoas que por ela circulam. Ninguém sai impoluto. O cheiro nauseabundo entranha-se em nós. As imaculadas máscaras brancas num ápice ficam cinzentas. Tudo é pegajoso, principalmente as pessoas. O sexo é o prato do dia e não é preciso ser hora de refeição.
Ele está no meio de nós.
No meio deste cenário pseudo-dantesco, os híbridos tailandeses têm sempre um sorriso amistoso. Servil e interesseiro, mas amistoso. A excepção é feita pelos taxistas e pelos condutores de tuk-tuk, que em part-time são chulos altamente desconcertantes.
Uma coisa é perseguirem-te, com portfolios explícitos de todas as expressões sexuais na rua, onde tens como fugir, outra é estares dentro dum carro.
É assim tão difícil entender que não estou aqui para foder? - Mas faz parte do serviço. Se eu não o satisfizer o Senhor o meu chefe bate-me e põe-me na rua. Eu preciso do dinheiro. A minha mãe está doente e é ela que toma conta dos meus 2 filhos. -....... - Eu faço o que o Senhor quiser. - E se eu te der o dinheiro e não fizermos nada? - O Senhor não vai dizer ao meu chefe? - Se lhe disser é que eu vim aqui para uma massagem e era mesmo isso que eu queria !!! As ruas estão continuamente apinhadas de pessoas suadas e veículos a abarrotar. Paira no ar um cheiro a frito proveniente das incontáveis bancas de comida. Uma mescla de sexo com especiarias é o aroma constante. Constante é também a presença de pedófilos, bem sei que é juízo de valor ( mais um no meio de tantos ) mas os pares improváveis não deixam muito espaço à imaginação. Nórdicos obesos com os seus pajens. Velhos decrépitos de mão dada com meninas (?) de olhar vazio.
A verdadeira imagem do paraíso... Acabado o tão desejado banho , finalmente tive direito a uma relaxante massagem tailandesa. Escusado será dizer que tive de explicar que era sem o extra sexual. Os odores enebriantes do Spa conduziram-me para a cama. O meu corpo implorava descanso e a cabeça suplicava por ele.
Não fiz esta viagem para estar a odiar cada segundo que passa.
Não fiz esta viagem para me perder assim em mim.
Não é isto que quero.
Amanhã mal acorde vou comprar o bilhete para me pirar daqui! Em mim mesmado, entreguei-me à cama e aos néons, que a parede de vidro do quarto, não impedia de entrarem. Voltei a acordar febril. Uma existência inteira numa redoma de vidro não nos protege de nada a não ser de nós próprios. Um cocktail de anti-piréticos e a vontade de ver a cidade durante o dia arrastaram-me para a rua. Depois de 15 Namastés sorridentes acompanhados dos respectivos gestos cheguei à porta do Hotel. O automatismo das portas estabelece a fronteira entre o agradável e o nem por isso. A acompanhar o deslizar das portas, as gotas de suor marcam presença. Em menos de um minuto estava como acabado de sair do banho. De água pouco recomendável, entenda-se. O fim das escadarias do Hotel era um pesadelo, lá em baixo um amontoado de pessoas agitava propostas sexuais. Fotografias em punho e portfolios de tudo o que tinham disponível para a satisfação mais perversa do presumível cliente.
Todos nós.
Antes da escadaria uma estrada à porta do Hotel criava uma separação – decides descer as escadas e estás por tua conta, lia-se nos olhos dos porteiros. Para não cair nesse fosso ilusório só mesmo apanhar um táxi do Hotel, mas não me sentia bem para me afastar. Decidi-me a enfrentá-los. Milhentos No, thanks e uns quantos encontrões bastaram-me... Ao segundo dia qualquer alusão sexual já me enojava. Deambulei pela rua do Hotel, sempre em fuga a tudo o que me era oferecido. Bastava ter dólares e o mundo era-me servido.
Da forma que eu bem entendesse.
A inexistência de passadeiras e de sentidos na circulação automóvel faz com que ser peão seja verdadeiramente aterrorizante nesta cidade. Não sei se foi o Sol ou o atordamento medicamentoso que me fez ver uma cidade menos feia. Decidi-me a não comprar o bilhete para o Nepal nessa manhã. Não iria ficar tempo suficiente para conhecer Banquecoque, mas também não lhe ia virar as costas já...

Vai um croquetezinho?

Ontem, a senhora finalmente chegou. Com duas horas de atraso, é verdade, mas chegou. Estava eu a ver que a festa começava e a senhora dos croquetes não chegava. Mas chegou! E trouxe-os quentinhos, os croquetes, os rissóis e os pastéis. E ainda me contou que estava reformada e que antes trabalhava na função pública e que já nesse tempo fazia os tais croquetes e que saía mais cedo do trabalho para ir fazer os benditos croquetes. E era a chefe que, talvez na esperança de ser culinariamente recompensada, insistia:
- Vá! Vá para casa fazer os seus croquetezinhos!
Mas a senhora chegou! Com os seus croquetes! Deliciosos!

Wednesday, October 25, 2006

Stupid Girl you pretend you're high
you pretend you're bored
you pretend you're anything
just to be adored
and what you need
is what you get

e por motivos óbvios não resisti a partilhar esta também...

Tuesday, October 24, 2006

Flowers blossom
In the winter time
In your arms
I feel Sunshine
Give up yourself unto the moment
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last

Dúvida

É possível perdoar se não nos conseguimos esquecer?

Monday, October 23, 2006

Vote quem quiser

Costumo receber o newsletter da Informação Sic e a propósito do novo referendo sobre a despenalização do aborto, Paulo Camacho escreveu algo muito simples e inteligente, que gostaria de partilhar convosco: “Os portugueses têm a estranha e deplorável mania de deixarem que os outros tomem decisões por si. E quanto mais difíceis as decisões, mais os portugueses parecem demitir-se. A questão do aborto é certamente um dos maiores dilemas que se pode colocar a um ser humano. Logo, o que faz o português? Vira as costas e assobia para o ar. Ou, quanto muito, põe uma cruzinha à frente do quadrado correspondente à opção "não sabe/não responde" - e deixa que alguém decida por ele. A avaliar pelos resultados de uma sondagem que vamos divulgar no Jornal da Noite de hoje, o segundo referendo sobre o aborto terá a mesma (fraca) participação que teve o primeiro, com uma afluência às urnas inferior aos 50%, insuficiente para dar força vinculativa ao resultado. Os resultados da sondagem mostram ainda duas coisas que dizem muito de nós. Entre os que dizem que vão votar e sabem em qual das opções o farão, a esmagadora maioria são mulheres. Os homens encolhem os ombros e deixam que elas decidam - como se não fossem necessários uma mulher e um homem para gerar uma nova vida e, em última análise, como se não nascêssemos todos da mesma forma. Entre as mulheres, também há muitas que encolhem os ombros e dizem não saber se vão ou não votar. Dizem também que, se o fizerem, votarão na maioria pela despenalização. Mas talvez fiquem em casa e deixem que as outras decidam por elas. Triste povo, o que age assim.” Paulo Camacho, Informação SIC Mais palavras são desnecessárias... era só mesmo para partilhar...

Sunday, October 22, 2006

Aquele que sabe quando tem o bastante não cairá no ridículo. E aquele que sabe quando deve parar não correrá perigos.
Back to Basics III
Lao Tsé In Tao- Te- Ching Imagem de Abelardo Morrel
É com a voz dela que adormeço. Acordo com eles (para afastar as más influências ;-).

Saturday, October 21, 2006

Tenho tantas saudades deles!!!

Johnny, o meu maníaco homicida favorito

by Jhonen C. Vasquez
O nome dele é Johnny, e o passatempo favorito dele é... matar. Se gostam de humor negro e sádico, de facto devem ler esta banda desenhada do Jhonen Vasquez, publicada pela SLG. Johnny, The Homicidal Maniac e os seus amigos deixam qualquer um bem disposto :)

Jack is Back!!!

Para a Dirim, que o adora como eu!!! Sabem que vai sair o Nightmare Before Christmas em 3D? E aqui podem ouvir a banda sonora remixada pelos Marilyn Manson. E há um jogo para quem adora jogar como eu. :)
Everybody look at me, me
I walk in the door you start screaming
C'mon everybody what you here for?
Move your body around like a nympho
Everybody get your neck to crack around
All you crazy people c´mon jump around
I want to see you all on your knees, knees
You either wanna be with me, or be me!

Loose, Maneater, 2006

Friday, October 20, 2006

Love.Angel.Music.Baby.
Entre muitas coisas ela canta isto
e tem um ar de White Trash que adoro.

Preliminar

Ele é aniversário e respectivas celebrações - família na 2ª, amigos no sábado- ; Ele é festa Fellinialmodovar, com respectivo dress code; Ele é desfiles da Moda Lisboa; Ele é todas as festas da Moda Lisboa; Ele é champanhe a rodos... Ele é quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga ou, neste caso em concreto: -O meu - , o inverso também se aplica: ao corpo falta-lhe juízo e a cabeça paga a factura... No entanto, como me tornei adicto deste nosso espaço e estando o meu cérebro em low speed decidi dedicar os próximos posts aos prazeres auditivos e visuais. Em figuras femininas. Desculpem-me por este devaneio.

Thursday, October 19, 2006

Nos últimos dias ando a ser perseguida por esta

Fácil de entender Talvez por não saber falar de cor, imaginei Talvez por saber o que não será melhor, aproximei Meu corpo é o teu corpo, o desejo entregue a nós... sei lá eu o que queres dizer. Despedir-me de ti, "Adeus, um dia, voltarei a ser feliz." Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir. Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender. Talvez por não saber falar de cor, imaginei. Triste é o virar de costas, o último adeus sabe Deus o que quero dizer. Obrigado por saberes cuidar de mim, tratar de mim, olhar para mim... Escutar quem sou e se ao menos tudo fosse igual a ti... Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir. Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender. Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir. Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender. É o amor que chega ao fim. Um final assim, assim é mais fácil de entender... Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir. Se por falar, falei, pensei que se falasse é mais fácil de entender. Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir. Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender. The Gift

E ainda... again and again

Ouvi agora mesmo, no Fórum TSF, um advogado sugerir que as mulheres que tenham interrompido a gravidez (vulgo, aborto) não tinham que ser encarceradas num estabelecimento prisional (vulgo cadeia). Sugere o causídico que as mesmas sejam sujeitas a outro tipo de penas que não envolvam a cadeia. Mas a lei está bem, afirma. Ou seja: não as mandemos para a cadeia. Mas mantenha-se a lei como está no Código Penal (artº 141, CPP). Façamo-las sentir o que é cometer um crime - tal como @s homicidas. Façamo-las sofrer por serem férteis. Façamo-las sentir a culpa do que é ser mulher, poder engravidar e ESCOLHER. Porque, nesta matéria, o outro, ainda que decida também, jamais será penalizado legalmente (há algum caso em tribunal?). Sobre este assunto já tudo foi dito.

Wednesday, October 18, 2006

Aqui! Outra vez, que parece ainda não ter resultado.
Para que não haja esquecimentos ou confusões. .. era aqui.

Tuesday, October 17, 2006

Acho incrível!

Os GNR vêm a Lisboa (31-10), ao Coliseu, para comemorar os seus 25 anos de carreira. Dias antes (25-10) estarão no Porto, no Coliseu. O que é estranho é que os bilhetes tenham preços tão diferentes: para o Coliseu do Porto há bilhetes a partir de 12,50€; para o Coliseu de Lisboa, há bilhetes a partir de 20€ (ver Santos da Casa). Será que quando uma banda de Lisboa vai ao Porto também há esta discrepância de preços entre as duas cidades?

Monday, October 16, 2006

Cada pessoa é um abismo. Ficamos com tonturas só de olhar para baixo. O tigre e a Neve (Roberto Benigni)

Saturday, October 14, 2006

Friday, October 13, 2006

Sou Pelintra, mas desculpo-me!

Eu, Tamodachi, da espécie Pelintruns Socialis, acho que é meu dever vir por este meio pedir desculpa a todas as pessoas com dinheiro, famosas, JetSet, de bem, de nome e restante farinha, por existir. Devo pedir desculpa pelos transtornos causados só pelo simples facto de habitar o mesmo planeta. Peço desculpa pelo meu carro não andar a 200km/h como o vosso Audi, e peço desculpa se, ao andar no passeio, corro o risco de danificar os vossos carros estacionados; Peço desculpa se a minha triste figura vos incomoda enquanto espero nas filas, pelas quais vocês passam ao lado; Peço desculpa se o meu bilhete comprado incomoda o vosso convite para os mesmos espectáculos; Desculpem-me se compro os mesmos livros e CDs que vocês recebem de oferta, em casa; Desculpem-me se pago para entrar nos mesmos sítios que frequentam de borla; Desculpem-me se pago os impostos e os descontos aos quais tentam fugir; Desculpem-me se não posso trabalhar para as vossas empresas milionárias de borla; Desculpem-me se não tenho dinheiro para vos telefonar para telemóveis de saldo infinito; Peço desculpa também por não publicar isto numa revista ou jornal, pois infelizmente a única maneira que tenho de divulgar o meu pedido de desculpas é fazê-lo neste meio de comunicação pelintra; Por fim, peço desculpa em nome de um pelintra, como eu, que decidiu escrever na Declaração Universal dos Direitos Humanos que "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos." De facto, ele só podia ser um pelintra de aspirações democráticas muito fracas, que achava que com isto poderia, algum dia, chegar à vossa espécie. Era louco!!!

Thursday, October 12, 2006

Elogio

Quando Juvenal Garcês e Simão Rubim decidiram, numa visita a Londres em 1996, transportar para a cena lisboeta o espectáculo concebido por Adam Long, Daniel Singer e Jess Borgeson ― As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos ― estavam longe de imaginar que uma década mais tarde ainda a Companhia Teatral do Chiado (CTC) continuaria a esgotar plateias com este êxito fenomenal.Quais as razões do sucesso?
A primeira é óbvia: Shakespeare já não respeita fronteiras há séculos e parodiar o Hamlet ou o Romeu e Julieta é brincar com mitos que entraram fundo no imaginário dos europeus modernos. Directa ou indirectamente, melhor ou pior, toda a gente conhece Shakespeare. A prova? O êxito das Obras Completas da CTC, em Lisboa e por todo o país, em múltiplas digressões efectuadas.
A segunda razão do sucesso está no que esta paródia realmente é. Condensar toda a monumental obra do dramaturgo numa série de sketches com hora e meia de duração é um achado brilhante. Uma ideia só possível para quem tem perfeita noção da ligação de Shakespeare à sensibilidade e ao gosto cómico popular. Trazer uma anónima espectadora ao palco para fazer de «Ofélia» é lembrar que o teatro nunca deixou de ser uma festa para todos e uma arte dirigida a cada um de nós, sem diferença de classe, de credo, de origem ou de cultura literária. O humor radical das Obras Completas é uma profunda recuperação da natureza subversiva e, no limite, anarquista, da festa teatral. Shakespeare seria o último a escandalizar-se com o seu Othello convertido em rap ou o seu Titus Andronicus reciclado em programa de culinária.
Mas a terceira é a mais importante explicação para o inesperado êxito das Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos. A CTC assume que este é um espectáculo onde, fora Shakespeare e o público, só há um centro: os actores. Os três actores ― Simão Rubim, Manuel Mendes e João Carracedo, exactamente o elenco original desta saga ― que se desdobram em dezenas de personagens, a velocidade vertiginosa, submetendo-se aos exigentes ritmos da comédia e da farsa, engolem tudo à sua volta: cenário (mínimo), adereços (deliberadamente pobres), figurinos (menos que simbólicos) e encenação, sobretudo a encenação! Transformar três actores praticamente desconhecidos há 10 anos atrás em três actores rapidamente populares (com fãs e tudo!) foi uma ruptura. Uma ruptura com o império do encenador que ainda hoje infecta o nosso teatro.
Nisso, As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos já são imagem de marca do teatro da CTC. Um teatro onde o trabalho dos actores está em primeiro plano, onde o público é cúmplice dos actores, onde o êxito popular é compatível com altos padrões de qualidade artística. Para quem tem olhos na cara, esta década de Obras Completas foi mais do que uma gargalhada contínua, foi e ainda é uma profunda lição de teatro.
Gustavo Rubim, co-director artístico da CTC

Liberdade

Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não o fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. O Sol doira Sem literatura. O rio corre bem ou mal, sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como tem tempo não tem pressa... Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma. Quanto é melhor, quando há bruma, Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não! Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças, Flores, música, o luar, e o sol, que peca Só quando, em vez de criar, seca. O mais do que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças Nem consta que tivesse biblioteca... Fernando Pessoa O primeiro poema que memorizei.... à custa do JM :) a ele dirijo os meus agradecimentos.

E hoje acordei com esta

Refugees North was somewhere years ago and cold: Ice locked the people's hearts and made them old. South was birth to pleasant lands, but dry: I walked the waters' depths and played my mind. East was dawn, coming alive in the golden sun: the winds came, gently, several heads became one in the summertime, though august people sneered; we were at peace, and we cheered. We walked alone, sometimes hand in hand, between the thin lines marking sea and sand; smiling very peacefully, we began to notice that we could be free, and we moved together to the West. West is where all days will someday end; where the colours turn from grey to gold, and you can be with the friends. And light flakes the golden clouds above all; West is Mike and Susie, West is where I love. There we shall spend our final days of our lives; tell the same old stories: yeah well, at least we tried. Into the West, smiles on our faces, we'll go; oh, yes, and our apologies to those who'll never really know the way. We're refugees, walking away from the life that we've known and loved; nothing to do or say, nowhere to stay; now we are alone. We're refugees, carrying all we own in brown bags, tied up with string; nothing to think, it doesn't mean a thing, but we'll be happy on our own. West is Mike and Susie; West is where I love, West is refugees' home. Van der Graaf Generator

Tuesday, October 10, 2006

As Calças

- Já vi que fizeste café... - Sim...fiz para mim... - Obrigado pelo meu café... - Não tens de quê... -...Hoje tenho "o" jantar com o meu cliente...aquele do cabelo... - Todos eles têm cabelo, ou ainda não reparaste?! - Seja como for eu só te queria avisar que hoje chego mais tarde. - Como queiras... - Passaste as calças azuis? - Quais? - As do fato novo. - Qual fato novo? O que eras para usar ontem no nosso jantar de aniversário? - Já te expliquei que tive uma reunião importante...passaste-as ou não? - A Margarida perguntou por ti ontem durante o jantar...Aliás toda a gente perguntou por ti durante o jantar... - Não pude fazer nada...o Júlio apareceu... -...apareceu lá com o cliente que estava em brasa ...sim, já sei, já me contaste. E então? - Então o quê? - Sempre resolveram o problema? - É por isso que preciso das calças, para ir jantar com o cliente e resolver o problema, por isso passaste-as ou não? - Não achas uma falta de gosto vestires o mesmo fato dois dias seguidos? - Não queres passar as calças pois não? - Pediste para eu as passar? - Ontem quando cheguei...Sabes perfeitamente que de momento é o único fato de jeito que tenho. - E o bege? Está praticamente novo... - Novo!? Com um ano!? No meu ramo é mau negócio vestir fatos com mais de um ano, e para além do mais é muito quente para esta época. O azul fica-me melhor. - Ainda agora acordei e não quero começar o dia agarrada ao ferro...Leva o bege. - Eu ontem pedi-te para passares as calças, e se to pedi era porque era importante. - Às quatro da manhã o importante é dormir, principalmente depois de um jantar como o de ontem....Mas já agora o que é que aconteceu às calças para precisarem de ser passadas? Só as vestiste ontem! - Não sei...estão amarrotadas...deve ter sido da cadeira. - Sim,...de facto foi uma reunião muito longa...Até às quatro não foi? - Sim, até às quatro...passas as calças ou não? - Agora já estou atrasada para ir trabalhar. Leva o bege. - Hoje é Sábado, não trabalhas. - Então tenho de ir fazer outra coisa qualquer... - Mas o que é que se passa contigo?!! - Deve ter sido do jantar...caiu-me mal. - Já pedi desculpas, o que é que queres mais? - Não queria ter de passar pela humilhação de organizar um jantar de aniversário de casamento em que o marido não aparece. - Mas afinal o que é que há para comemorar? Um casamento de quinze anos, sem filhos, em que os últimos cinco anos foram de silêncio porque as discussões acabaram. - E o que é que tu sabes de silêncio? - Sei que preciso das calças para logo e que tu não as queres passar...
A.F. 2001

Monday, October 09, 2006

Porque é que as notícias são como são

"It is a good and holy thing to want to be in a virginal state," she said.
Só gostava de perceber como é que isto se coaduna com a mesma mensagem espalhada aos 4 ventos pela mesma igreja, que defende que a procriação também é natural.. aliás, é o único objectivo do sexo, segundo eles. A propósito da moda das freiras, perdão, d@s virgens, consultar isto. Em todo o caso, não percebo a razão da notícia. O artigo refere explicitamente que a senhora não é freira, e que irá continuar a fazer a sua vida normal. Se ela pretende permanecer casta, parece-me que isso é de foro privado. Será mesmo necessário uma agência como a AP divulgar uma coisa destas pelo mundo? Será mesmo isto uma notícia? Uma mulher estado-unidense decidiu permanecer casta - uma anónima. Alguém que não é uma figura pública, não tem um cargo político ou sequer constitui uma amostra representativa de uma comunidade, que não lidera um grupo influente, ou sequer líder de opinião? É preciso fazer uma missa? A AP não tem mais assuntos para tratar? Desculpem, e não querendo ofender alguém:
Get a bloody life!!!!
Neste caso, seria Get a real news! Esperemos que a moda não pegue em força na Europa, uma vez que temos a demografia num estado deplorável. Título roubado à antologia do Nelson Traquina A imagem é de duas das Lisbon sisters, do filme The Virgin Suicides, de Sophia Copolla. Um dos mais tristes que vi até hoje.

Sunday, October 08, 2006

Contas

O que me deprime quando olho para estes relatórios de contas não é somente achar que estão redigidos numa linguagem só inteligível com muito boa vontade. O que me deprime mesmo (a inveja é uma coisa muito feia, eu sei, mas que querem.. sou humana) é saber que há pessoas, na faixa etária dos 30, que ganham 169.960 de "remuneração fixa" (isto em 2004), acrescida de .. uma remuneração variável (por pudor nem digo baseada em quê).

Where is the Love

Whatever happened to the fairness and equality Instead spreading love we are spreading animosity Lack of understanding, leading lives away from unity That's the reason why sometimes I'm feelin' under That's the reason why sometimes I'm feelin' down There's no wonder why sometimes I'm feeling under ACORDEI (MUITO) BEM DISPOSTA :) :)
Alguém consegue ouvir isto e permanecer imóvel? Será que só sou eu que não consigo ficar quieta, ainda que esteja, por exemplo, a conduzir?

Recados da China Antiga

É o que dá andar a ler o Tao-Te-Ching nos intervalos das tarefas laborais. Amanheço com estas palavras (que me acompanham desde a adolescência) a ecoarem na cabeça:
"Aquel@s que sabem não falam. Aquel@s que falam não sabem." Back to Basics II
Remembering Lao Tse, by Brett Whiteley
Só os cordiais merecem ser tratados com cordialidade
Terêncio Back to Basic

I'll grow back like a Starfish

Porque a inversão de conceitos e a confusão de sentimentos podem ser totais, e de tal forma envolventes, que podem redundar nisto:
It's true I always wanted love to be Hurtful And it's true I always wanted love to be Filled with pain And bruises Yes, so Cripple-Pig was happy Screamed " I just completely love you! And there's no rhyme or reason I'm changing like the seasons Watch! I'll even cut off my finger It will grow back like a Starfish!
De todas as criações artísticas, nunca encontrei palavras que descrevessem tão plenamente esta patologia.
A ouvir. Até ao fim.
Imagem: Nightmare, Nela Dunato

Saturday, October 07, 2006

Disco Riscado

com a verdade me enganas quando dizes que sou linda... com a verdade me enganas quando dizes que me desejas... com a verdade me enganas quando dizes que me amas... com a verdade me enganas quando dizes que sou para sempre... com a verdade me enganas quando lhe dizes que ela é linda... que a desejas... que a amas... que ela é para sempre...
Erwin Olaf "Paradise Portraits"

Friday, October 06, 2006

Proposta

Querid@s bloggers... Que tal uma reunião para comparar as cadernetas e trocar os cromos? Tamodachi.. ouvi dizer que tens uma colecção especial....
Eccelesia Pederastes, by Joel Peter Witkin

Momento terapêutico

Se se sente incompreendid@, desequilibrad@, stressad@, se acha que nunca devia ter nascido, venho informar que este blog dispõe agora de um momento terapêutico. Use e abuse ;) PS- Se possui um monitor flat é melhor fazer na mesa!!!

She Wants Revenge

Introduced by Mr. Everything e relembrada, hoje, na companhia do Senhor da Távola Redonda. said shut the door when you go perhaps he should have reconsidered (oh no) when he said you better lie down cuz the angels are watching she closed her eyes and said quit the talking you can hurt me do whatever youd like so he said shut your mouth girl the angels are listening she crossed herself now the moments are missing you can hurt me do whatever you like (Sister)

Thursday, October 05, 2006

Sou do contra

Sou do contra e não apareço!!!

Karma

Lei universal da Acção Reacção Doubt, by Misha Gordin

Tempo de Antena

Dia 28. No BA (Mercado). Raimundo e Companhia no seu melhor. A não perder.

Wednesday, October 04, 2006

Comforting Sounds

Afinal não era a última... It’s hard to make sense, feels as if I’m sensing you through a lens. And probably you know all the dirty shows I’ve put on. Blunted and exhausted like anyone. Honestly I tried to avoid it. Honestly. Back when we were kids, we would always know when to stop. And now all the good kids are messing up. Nobody has gained or accomplished anything
ok, ok, esta é a última de hoje... desta vez, lembrando umas noites de há três anos....com eles.

Within Temptation

Costumava ouvir esta obsessivamente, mas também adoro esta.

Dúvida

E isto... ouvíamos no Buraco Negro ou na States?

Somebody, by D.M

Dedicated to B.S.B And to Dri.. can't decide between this or this.

Dia Mundial do Animal

Em jeito de comemoração,
beija o animal que estiver mais próximo de ti!

Tuesday, October 03, 2006

In Front

The Gift @ Du Arte Garden -Estoril 2005

The stage is clear, the view is soft

But it's so cold, is warm enough

The game is set, and too much players again,

And here we are, in front of them again

Monday, October 02, 2006

by Misha Gordin. I'm so tired of playing these stupid games.
Hoje volto a isto, desta vez com Ilustração - do Caniglia (Watch the storm have its way)

Sunday, October 01, 2006

From Dusk Till Dawn

(…) Agora vou dormir. Pediram-me para fechar a janela. Não sei as horas reais. O meu relógio marca 6h00. A chegada a Banguecoque está prevista dentro de uma hora e 50 minutos. Lá fora estão menos 47º C. Estou a sobrevoar Calcutá à velocidade de 600 milhas por hora e a uma altitude de 37.000 pés...nova previsão de chegada às...não...lá serão 11h55 da manhã. Estou todo baralhado. Perdi por completo a noção de tempo. Volto a abrir a janela. Cá dentro toda a gente dorme, mas lá fora está um dia radioso. A minha brecha estende-se e amplia-se pelo interior do avião...
Sobrevoo a baía de Benguela. A paisagem é magestosamente surreal....a àgua que entra na terra e lhe faz desenhos que, vistos de onde vejo – de cima –, se assemelham a artérias, a vasos sanguíneos, à crua rudeza da Natureza em todo o seu esplendor. Pouso a caneta e vou deixar-me levar por esta luz que me cega... “ Sir, i´m so sorry to bother but you have to close the window.” Rendo-me às evidências e entrego-me à manta. Acordo com frio e com a sensação aflitiva de perda de altitude e os habituais estoiros nos ouvidos. No pulso tenho 8h15. Aqui são 13h40 de outro dia. Pés no chão passados 10 minutos. Aeroporto. Caos. No meu passaporte colei um post-it com Amari Watergate Hotel e no controlo alfandegário a senhora não percebeu o porquê e magicou que eu precisava de ajuda, utilizando aquela abordagem como uma forma subtil de querer um táxi. Caos.
Espero porquê? Que se passa? Isso é só o Hotel para onde vou. Não preciso da sua ajuda. Dá para dizeres alguma coisa que eu perceba? Quero ir-me embora! Ela telefona e nem sequer usa o seu Inglês imperceptível. Logo a seguir levo com “ You have to wait!” num tom que ultrapassa o autoritário. Espero. Desespero. Que raio! O que me havia de acontecer. Armei-me em prevenido com o post-it e que bela recepção estou a ter. Como achei que me poderia esquecer dum nome como Amari Watergate Hotel? Só eu... Estou perdido em mim até reparar que na minha direcção, a passo largo, caminham, dois polícias armados com metralhadoras. Mesmo sabendo que de ilegal só tinha a maneira como deixei a minha vida em Portugal, o medo apodera-se de mim. (E se eles são como a tipa da Alfândega e não me percebem e estou em Banquecoque e estão armados e vou parar a uma prisão daquelas dos filmes e o embaixador está de férias em Portugal e...e...e.... ) Estúpido ocidental: Carregado de manias, preconceitos e atitudes moldadas por uma europa velha e cheia de si mesma. Espanto! Esta gente é extremamente solícita roçando o serviçal. Todo este aparato é mesmo por causa do papelito amarelo. Estandarte de ajuda. E os dois marmanjos armados até ao dentes queriam mesmo levar-me aos táxis!!! Eu. Um aeroporto apinhado de gente. Dois polícias ao meu lado. Perfeito. Where´s my luggage? Levaram-me lá e apesar dos meus infrutíferos apelos para se irem embora, não o fizeram e ainda se obrigaram a carregar-me as malas! Num diálogo impossível de reproduzir consegui mentir-lhes que tinha alguém à espera e finalmente me abandoram. Não queria que aquele momento se prolongasse por muito mais tempo e muito menos queria sair dali ladeado por dois polícias que me deram cabo dos nervos. Liberto-me deles e encontro outro problema. Mais uma vez o dinheiro. Além do propósito idealista desta viagem, a imaturidade dos meus 23 anos dizia-me que cash seria dispensável e a minha inexperiência convenceu-me que os traveller cheques eram tudo o que precisava.
“ Can you exchange portuguese escudos?” Solícito como todos os outros...Yes, Sir! Olha para a nota vezes sem conta, surpreso, espantado até. Analisa-a meticulosamente e diz: NO! Mais uma vez estou sem dinheiro que valha e sem saber o que fazer. Telefonar? Para onde? Quando me dirigo para a cabine telefónica encontro um récem-amigo lisboeta que vinha esperar uma prima. Boa! Sou um crava a milhares de quilómetros de casa! Dificuldade de contacto, sem saber o que dizer...tenho os bahts na mão em troca de um compromisso para jantar. É impressionante a proximidade que se sente quando encontramos alguém conhecido fora de portas. Mesmo que nunca mais nos voltemos a falar. Saí sem saber para onde ir. Mal abro as portas do aeroporto sinto um bafo sufocante que me dificulta a respiração. Estão 34º C, está a chover torrencialmente e a humidade a um nível indescritível. Apanho o táxi a transpirar e aflito por quase sufocar. Distraio-me com o mundo que me espera lá fora e que vai passando pelo carro. Com o desenrolar da viagem vou entristecendo. É tudo tão feio! Os arranha-céus, espelhados e multicolores, das multinacionais norte-americanas e japonesas. Os espelhados que refectem uma realidade tão plástica como a dos países de origem. Os prédios tailandeses que nunca foram pintados e as janelas todas gradeadas. A convivência forçada destes estilos arquitectónicos. Arfo. Quero descansar. O desespero aumenta à medida que o centro da cidade se aproxima. Sinto-me a entrar numa lixeira gigante. O cheiro é nausebundo. Nojento mesmo. Estou nas ruas de Banquecoque. O trânsito é um caos. Tudo é motorizado. As pessoas andam de máscara. As naúseas aumentam. Sinto-me febril. Esta viagem está a ser agonizante. De repente estou à porta do hotel. Finalmente. O que me espera anima-me. O ar condicionado faz-me esquecer por momentos o cheiro que ainda tenho nas narinas.
As pirosas estrelas do Amari Watergate Hotel justificam-se. Luxo asiático em expoente máximo. Mesmo sabendo que é precisamente de tudo isto que fugo, neste momento é tudo o que preciso. O quarto é o 1231. Sinto-me doente. Com febre. Cansado, suado e embriagado de emoções que neste momento não me deixam pensar como deve ser.
Não é isto que quero. Vou tomar banho.

Le Temps Détruit Tout

Um filme de 2002, que vi em 2005 (duas vezes). Parce que certains actes sont IRRÉPARABLES Parce que L'Homme est un animal Parce que le désir de vengeance est une pulsion naturelle Parce que la plupart des crimes reste IMPUNIS Parce que la perte de l'être aimé détruit comme la foudre Parce que l'amour est source de vie Parce que tout histoire s'ecrit avec du sperme et du sang Parce que toutes les prémonitions ne changent pas le cours des choses
Parce que le temps RÉVÈLE tout LE PIRE ET LE MEILLEUR La vie est IЯЯƎVƎЯSIBLƎ