Tuesday, March 31, 2009

Bargain(s)

0.01£
(amazon.co.uk mudou a minha vida....)

Monday, March 30, 2009

Ladybug

É o único (ou dos poucos) coleópteros que adoro! E hoje encontrei uma na cozinha. Há anos que não via uma ao vivo!

Friday, March 27, 2009

Palcos - Teatro (s)

As minhas primeiras memórias do teatro são ténues: a primeira peça a que assisti não me deve ter deixado quaisquer marcas, já que não faço a menor ideia de qual tenha sido. Aos dez anos tive a minha primeira (e única) experiência como participante (mais ou menos) activa. Puseram-me uma fita rosa no cabelo como elemento de identificação com um coro manhoso. Acho que a peça se chamava Silent Night (obviously, era sobre o Natal e em inglês, pelo menos a música que cantávamos). Depois disto, as recordações conduzem-me à Trindade, mas para ver bailado, e não teatro. E até aos "Cavaleiros da Távola Redonda", com o Rui Mendes a encarnar Artur, na Malaposta - já lá vão muitos anos -, há um grande período em branco. Nesse período, é possível que não tenha ido ao teatro a não ser naqueles círculos pequenos de teatro amador, nos quais, nos finais dos 80 e inícios dos 90 toda a gente participava. "Redescobrir" já faz parte de uma altura em que o teatro era (mais ou menos) regular na minha vida. Era um longo monólogo, com um actor cujo nome não memorizei, mas que amei. Vi esta peça duas vezes: em Lisboa, e Coimbra. Chegada ao centro, o Gil Vicente foi meu espaço adoptivo - o café era maravilhoso - e era palco para as representações da Escola da Noite. Se bem que a peça que mais gostei de assistir aqui nem foi da Escola da Noite, mas sim, de uma companhia francesa, cujo nome o meu alzheimer me impede de recordar. Corria o ano de 1999, quando, casualmente, acabei na sala estúdio do Dona Maria para ver a Fernanda Montenegro e a Guida Maria numa interpretação (violentíssima) em que a filha anunciava à mãe que pretendia suicidar-se nesse dia. Nightmother foi uma peça que me afectou profundamente. Voltei àquela sala inúmeras vezes, aliás, aquele teatro foi minha companhia durante meses, durante os quais, passava horas no café do teatro (na altura, com este nome). Também tenho um carinho especial pelo Teatro da Trindade (o meu primeiro teatro). E há teatros nos quais nunca entrei - cuja memória que tenho não passam de ruínas e que me parece que lá me sentei. Antes do acaso me levar aqui, passava tardes aqui e no seu grande jardim (partilhado com o Museu do Traje).

Amores Meus

Amar é tão fácil e tão complexo. Amar implica aceitar e esta é a parte complexa. Fico estarrecida com a surpresa nos olhos alheios quando os aceitamos e amamos como são. Talvez porque nunca precisei de mentir, não há nada em mim suficientemente escabroso ou talvez a minha moralidade seja muito fraca mas não me minto e não me escondo. Estranho quando alguém o faz, mas por gostar de amar escuto as razões: há sempre mil e uma para as mentiras que dizemos a nós e ao próximo: o factor comum é o medo de não sermos aceites, de não vingarmos, de...então e o medo de não SER, ninguém tem? Eu tenho esse sempre. Hoje lembrei-me do olhar surpreendido de quem é amado assim, exactamente como é. Também já pensei que há quem não suporte esse tipo de amor, as máscaras são sempre mais confortáveis. Amores: todo o Carnaval tem a sua quarta-feira de cinzas mais tarde ou mais cedo. "- Para mim, se faz favor, é um amor desses sem filtro que eu aguento e não sei se já me tiveram algum"

Thursday, March 26, 2009

Vale a pena dar um saltinho (e prolongar a estadia) ao Porto Antigo, do Gabriel Silva (via Jorge C).
Andrew Bird - Self-Torture
Tales of ritual self-torture She's making you abort your Most carefully laid plans To make a final stand Rest the world to hand Scoreless victory for serendipity

LEANDRO (Ainda) Raúl Perez

LEANDRO
Leandro está gravemente enfermo Nasceu-lhe uma planta carnívora dentro da cabeça Leandro estava habituado a sonhar com aeroplanos cinzentos como os dias de inverno. Os aeroplanos eram a grande paixão de Leandro Vivia só para os aeroplanos (...)

Leandro

Agora a planta carnívora ocupa-lhe toda a cabeça e os ramos saem-lhe pelas órbitas. Sua mãe já pensou enterrá-lo num vaso e colocá-lo na sua sala de estar Assim a planta não morreria e mataria os insectos que enchem a casa e incomodam toda a família. Raúl Perez, 1976

Anoitecer

Gosto de olhar pela janela e imaginar o sol que os olhos já não alcançam a não ser pelo vislumbre das cores sobre as chaminés.

Friday, March 20, 2009

Entre dois (in)finitos

"A indecisão mantém para sempre a atenção ao rubro, quer dizer, viva, acordada, vigilante, pronta para enveredar por um caminho completamente diferente, para deixar vir, dando ouvidos, escutando fielmente, a outra palavra, suspensa do sopro da outra palavra e da palavra do outro - ali mesmo onde ela poderia parecer ainda ininteligível, inaudível, intraduzível."
Jacques Derrida, Carneiros - O Diálogo Ininterrupto: Entre Dois Infinitos, o Poema
Como escutar fielmente a outra palavra, suspendermo-nos no seu sopro? Como deixarmo-nos suspender na palavra do outro? Ou por outra, como suspendemos - é possível suspender a palavra do outro sem a ferir de morte?

Thursday, March 19, 2009

Dia Internacional da Pessoa

Roubado tardiamente aqui.

Wednesday, March 18, 2009

A.I.R. - Playground Love
Playground Love I'm a high school lover, and you're my favorite flavor. Love is all, all my soul. You're my Playground Love. (...)

Coup de Foudre

Há uma expressão francesa que explica o que senti quando pela primeira vez lhe ouvi a voz: Coup de foudre. Dizem que é como 'tomber d'amour' mas, subitamente. E o que é preciso para que haja esse repente? A voz, essa condutora de conteúdos, capaz de nos deixar subjugados e ignorar (quase) tudo o resto, inclusive as palavras, essas mesmas que te saem pela boca e entram nos meus ouvidos, às vezes lenta outras velozmente, como a tua leitura. Agora, quando falas do Morfeu dela, não sei se escreves melhor do que lês. Se o que escreves fica ainda mais maravilhoso e verdadeiro pela tua voz, ou se é a tua voz que torna real o que escreves.
Picture by Robert & Shana ParkeHarrison

Tuesday, March 17, 2009

All that Jazz

Hier j'étais numa exposição sobre a história do jazz aqui em Paris. Toda aquela música, todo aquele jazz louco dos anos vinte, trinta dentro de mim, a cor, a música tem cor, um Carnaval para quando quisermos que seja sempre Carnaval. Gostei desta ilustração: Archibald Mothley Jr.

Sunday, March 15, 2009

E agora recuemos dez anos. [and] Let's pretend happy end
Em 1999 saíam muitas mais palavras do meu teclado do que hoje. Algumas formaram bons textos. Como um que escrevi ao som desta música. Demorou quase duas semanas a ficar pronto, e tal como sabem as pessoas que viveram comigo (bem como os meus vizinh@s - consigo ouvir a mesma música 'over and over'. Voltei a buscá-la em 2004. Acompanhava-me nas manhãs frias dentro do carro, onde um gravador de conversas fazia as vezes de auto rádio.
You look so fine I want to break your heart And give you mine You're taking me over (...)

Un thé à Paris

Eu e a minha amiga a bebermos chá em Paris. O cenário não pode ser mais perfeito o Marais, o Sol finalmente o Sol e música jazz na rua. Os passantes bem-postos e de repente as duas a chorar por nos lembrarmos do Mar. Nunca levem sereias para longe do Mar, elas existem e morrem sempre nas ausências.

"Filhos da Solidão"

"Mas que idade tem o teu corpo?" "Que pena não te ter conhecido antes. Não ter falado contigo. Não ter escutado as tuas conversas. Nos velhos também corre sangue nas veias e as lágrimas também são salgadas, afinal... as lágrimas não têm rugas. Serão diferentes os sonhos dos velhos? Que pena não te ter conhecido antes...." Recordo bem a circunstância em que ouvi pela primeira vez esta reportagem. Já passava das sete e eu, parada no trânsito da IC17, a penar para entrar na 2.ª Circular. E aquelas palavras a agredirem a minha impaciência. E o globo ocular a querer rebentar do esforço para reter as lágrimas. A ouvir as desculpas que as vítimas dão para justificarem a violência: d@s net@s, d@s filh@s, d@s companheir@s. Porque, entre a solidão e a violência, parecem preferir a ilusão de que alguém gosta del@s a aceitar que foram abandonad@s e traíd@s por quem era suposto protegê-l@s.

Saturday, March 14, 2009

A Noite Tem Mil Olhos

Sinto falta do teu cabelo [negro]. Da tua voz [com sotaque], que recordo com clareza. Das tuas palavras. De chegares das festas com um ritmo totalmente desconexo do nosso. Recordo-te de sorriso aberto e também de lágrimas que insistias em [tentar] impedir de escorrerem pelo teu belo rosto. Lembro-me de te afagar o cabelo, de amaldiçoar alguém por te fazer mal. Das conversas pela noite dentro, das gargalhadas e das confissões. Dos teus cozinhados maravilhosos na cloche. De nos maquilharmos na casa de banho gigante. [De tu me maquilhares]. De nos embriagarmos. De te levarmos ao Rugby e ao D. Dinis. De ouvirmos as mesmas músicas. De deixarmos de vestir a mesma roupa. De começares a ouvir música 'às bolinhas'. De ficar com o teu anel Telecel e de tu ficares com o meu anel cobra. De cortares o cabelo [e continuares linda] e de o pintares [e continuares linda]. E, não sei bem porquê, hoje sinto mais a tua falta do que habitual. Foi há quanto tempo? Treze, catorze? [Mas] ainda hoje - agora - ouço a tua gargalhada e agradeço-te. Em breve [muito em breve].

Friday, March 13, 2009

Only my love have butterflies all over! Picture by Robert & Shana ParkeHarrison

Tuesday, March 10, 2009

Sunday, March 08, 2009

S'endormir sur ton épaule

Quem está connosco a vida inteira faz-nos falta para lhe dormirmos nos ombros. Não há melhor maneira de sossegarmos os nossos pesadelos que essa, sabermos que está ali ao lado um ombro, como meninos pequeninos precisamos de colo. Obrigada. Nunca soubemos muito bem onde íamos mas é bom saber do teu ombro.

"Open the door! Fire! I am lost, there is fire!", Por todas as mulheres perdidas

"So I went over to the door. I tried the door and I could not open it, so I thought I was not strong enough to open it, so I hollered girls here is a door, and they all rushed over and they tried to open it, but it was locked and they hollered "the door is locked and we can't open it!", Ethel Monick, trabalhadora no 9.º piso, na altura com 16 anos. Não foram os acontecimentos retratados nesta imagem que deram início às comemorações do Dia Internacional da Mulher. O incêndio na Triangle Shirtwaist Factory ocorreu em 1911 - dois anos após a data ter sido celebrada pela primeira vez, nos EUA (em 1909). No entanto, este episódio ainda é associado às origens do IWD (International Women's Day). Morreram 146 mulheres, adolescentes e crianças naquela fábrica, onde os zelosos supervisores tinham ordens para trancar as portas de saída de emergência, por forma a evitar que as empregadas se ausentassem do seu posto de trabalho, no qual permaneciam entre 60 a 70 horas por semana, ininterruptamente, e também para manter os sindicatos afastados. Quase todas estrangeiras, principalmente de origem italiana e judia, algumas morreram queimadas, outras devido à queda (à semelhança do WTC), quando saltaram pelas janelas tentando escapar ao fogo. Os donos refugiram-se no telhado e sobreviveram ao incêndio, bem como ao julgamento. "I turned my head on the side, and I noticed the trail of her dress and the ends of her hair begin to burn", Kate Alterman, trabalhadora do 9.º piso. O incidente motivou importantes alterações nas leis de segurança no trabalho e passou a ser associado às comemorações do Dia Internacional da Mulher, que celebra o alargamento dos direitos sociais, políticos e económicos às mulheres. Apesar de, actualmente, o 08 de Março ter uma forte componente publicitária que serve para vender flores e outros produtos considerados apropriados para as mulheres, o IWD esteve associado, na sua génese, à reivindicação de direitos de trabalho e melhores condições de vida. No caso do incêndio, a morte daquelas mulheres serviu para tod@s @s trabalhador@s verem cumpridas um conjunto de exigências laborais, que se podem considerar básicas no mundo actual. Os Direitos das Mulheres são Direitos Humanos.

Saturday, March 07, 2009

Pronúncias

Um dos motivos pelos quais sinto saudades de Jorge Sampaio na presidência da República é a sua pronúncia inglesa. Ouvir Cavaco a falar inglês é o mesmo que ouvir Soares a falar francês. Ambos têm domínio da língua, mas sempre que abrem a boca não se conseguem fazer entender, parecendo que estão a exprimir-se num qualquer dialecto rebuscado.

Friday, March 06, 2009

Amizades Rápidas

Já não bastava ter-me perdido naquele bairro, ter dado uma uma volta muito maior e demorado mais 20 minutos. Não, claro que não chegava. Tinha que apanhar uma mega operação STOP. "São cada vez mais comuns", explica-me cordialmente o agente que me chama "senhora condutora". Repete pacientemente todos documentos que quer que lhe apresente, inspeccionando-os detalhadamente à medida que, de forma fraccionada, lhos faço chegar à mão. Zeloso, contorna o carro para se assegurar que tenho os selos correctamente visíveis. Fiquei boquiaberta quando, após me perguntar: "Dona Izanami, tem pneu sobresselente, triângulo e colete?" o ouço dizer-me: "pode sair do carro para mos mostrar, por favor?". Tive vontade de lhe atirar: "ouça, estou cansada, quero ir para casa, e é a primeira vez que me fazem sair do carro numa operação STOP", mas não o disse. Sei que ele tem direito de o fazer, pelo que, abro a porta e saio. Até chegar à bagageira começo a pensar que ele me vai fazer pegar no raio do pneu para verificar se a porcaria da altura da borracha está dentro dos limites legais. Entretanto, olho para @s outr@s condutor@s parad@s e - sorte a deles - estão tod@s dentros das respectivas viaturas. Durante o período em que estive fora do carro não vejo ninguém sair dos mesmos, o que me faz pensar devo ser uma sortuda para me sair este funcionário hiper-mega-zeloso da sua função. Imagino que até mesmo os seus colegas devem pensar que o homem me confundiu com uma traficante famosa e por isso vai inspeccionar a mala do carro. Por fim, levanto a porta da bagageira e, por momentos, pergunto-me se ele irá achar suspeita a existência de uma palete de leite que jaz há mais de um mês na mala. Aponto para a embalagem do triângulo, já adivinhando que ele me peça para abri-la (o que não fez). A caixa podia estar totalmente vazia e ele nem confirma. Estranho, tendo em conta que demorou uma eternidade na confirmação de tudo o resto, mas agradeço mentalmente e aproveito para voltar ao meu lugar. Segue-me até à porta e estende-me a mão para me cumprimentar. Por uma fracção de segundos, tive uma paragem cerebral e não percebi o que significava aquele braço estendido na minha direcção. "Bom fim de semana, dona Izanami", conclui por fim quando fecho a porta. Mando-o à merda com um encolher de ombros e não consigo evitar um esgar cínico que me saiu em vez do sorriso que tinha planeado.

Thursday, March 05, 2009

Ele vê coisas que eu não vejo. Cheira odores que eu não sinto. Sente o vento que eu não ouço.

Wednesday, March 04, 2009

Commérage

Mes amis les français ont un mot que me plaît beaucoup: Commérage. A palavra traduzida à letra dá Comadragem e é mesmo disso que se trata: a inevitável vocação das pessoas para se armarem em Comadres...não há melhor palavra.