Monday, September 29, 2008

Kings of Nothing ou Le Royaume du Rien

"Tout est pour le mieux dans le meilleur des mondes possibles.... mais.....Il faut cultiver notre jardin" ou Le malheur n’est que l’apparence d’une cause qui est bonne. (Candide, ou l' optimiste, by Voltaire) Foto minha (por exigência da Lueji)

Saturday, September 27, 2008

Naturgrafia

Gosto dos olhos dele.
Cheguei lá à procura de identificar uma aranha que vive no meu estendal e que não pára de crescer. Há cerca de dois meses que a espreito - ela também não é tímida. Castanha e branca, de abdómen esférico, suponho que meça entre 10 a 15 mm (quando estica as patas). Não descobri a aranha, mas vi imagens estupendas.

Pedras que se molham

Foto minha

Friday, September 26, 2008

(yeah, yeah) whatever

Wednesday, September 24, 2008

English lesson

I should have brought my pillow just to show you the stains on it.

Tuesday, September 23, 2008

A Palavra Impossível

Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim

A vida que não se troca por palavras.

Deram-mo para eu guardar dentro de mim

As vozes que só em mim são verdadeiras.

Deram-mo para eu guardar dentro de mim

A impossível palavra da verdade.

Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,

Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,

Para eu guardar dentro de mim,

Para eu ignorar dentro de mim

A única palavra sem disfarce -

A Palavra que nunca se profere.

Adolfo Casais Monteiro

Picture by Umit Bektas

Lh

São difíceis de encontrar, mas existem palavras começadas por lh em português. Gosto especialmente de lhaneza: s. f.,
franqueza;
afabilidade;
singeleza;
sinceridade.
Há mais aqui.

Terra do Nunca

Nunca chegaste. Nunca soube se bastavas.

Monday, September 22, 2008

Síndrome das Descobertas

Hoje tive um pensamento muito estranho. Tenho muita gente conhecida que teve que ir trabalhar para a Bélgica, para o Luxemburgo, para Espanha, para a Alemanha, para Angola. Todas estas pessoas fizeram-no por não terem emprego aqui, ou simplesmente porque não ganhavam o suficiente. Estes exemplares de Vasco da Gama actuais passam a ser alvo das seguintes referências: ”Aquele tipo é muito bom!” ao que o interlocutor perguntará “ Porquê?”, ao que se seguirá o inestimável “Esteve lá fora”. Devemos ser o único país do mundo em que se usa a expressão “lá fora” para designar tudo o que não é no solo pátrio. Acharemos nós, baseados nas teorias evolucionistas, que estando mergulhados no caldo primordial da existência onde só coabitam amebas (a pátria), esses seres saíram dele rastejando e deram um salto de gigante na escala da evolução? Eu agora tenho de ir lá fora um pouco, mas garanto-vos que continuarei a ser tão burra como sou, tão mal ou bem-parecida como sou, tão simpática ou antipática como sou. É que não há nenhuma varinha mágica que só funcione em roaming e nos transforme noutros mais válidos “lá fora”.....

Circe bruxa? A desculpa mais esfarrapada de sempre...

Circe, segundo a mitologia, era feiticeira e dominava amores sensuais. Traduzindo, Circe era boazuda, viúva ( ao que dizem por ter envenenado o marido, que se calhar morreu de cansaço). Ora supostamente Circe tinha o poder de transformar homens em animais, vivendo rodeada de lobos e leões, todos eles antes homens. Como bem sabemos não é requerida feitiçaria para transformar homens em animais, eles dão conta do recado sozinhos....e devia viver rodeada de babões coitada! Bem, na mais famosa história de Circe ela transforma os rebarbados marinheiros de Ulisses em porcos - porcos? -, bem se vê que a moça não fez grande feitiço..... Ulisses ao ver as tristes figuras dos grunhos dos amigos lá terá dado um ar mais blasé e ela não o transformou em bácorinho. Não só isso como estava a moça sem nada que fazer na ilha e resolveu agrafar o Ulisses, porque os outros coitadinhos metiam dó... O gajo não se queixou muito e ao que parece já nem se lembrava que tinha casa. Até dizem que queria mesmo era ficar ali no bem-bom com gostosona da Circe. Bem, estavam eles na boinha, lá houve um chato qualquer da tripulação, se calhar com dor de corno, que o convenceu a zarpar. Depois disto tudo e como se não bastasse ser uma porreira e ensinar-lhes a fugir das sereias, além de lhe ter dado cama, mesa e roupa lavada, o cabrão do Ulisses chega a casa e para se desculpar, ah e tal que ela era bruxa......haja paciência de Circe!

Sunday, September 21, 2008

O verdadeiro final da Odisseia Pós-Moderno

Um dia até Penélope se cansa de coser meias
Paciência, esperança, espera, dúvida, certeza, todas Penélope, feminino. E entretanto a Circe desvairada, entretanto uma sereiazinha para desenjoar, e a pobre Penélope à espera e a tecer um tapete ainda por cima, a desmanchá-lo ainda por cima, e a rejeitar pretendentes ainda por cima. A minha estima à pobre Penélope. E o sacana do Ulisses? Terá voltado pela Penélope ou pelo Telémaco? Ou simplesmente porque não tinha para onde voltar? Não se sabe bem. Mas de certeza que a palerma tinha uma canjinha quente à espera, se calhar toda aperaltada para o receber vinte e tantos anos depois. Mas e depois? E depois da espera, e depois de ele chegar de verdade a Ìtaca, e depois de uns dias a ouvi-lo ressonar e contar cento e vinte vezes a Odisseia, e dizer que a Circe era boa como o milho? E depois? Depois se calhar a Penélope cansou-se de lhe coser os peúgos e foi fazer sereiices a um outro marinheiro desviado, só para variar...

Ariadne ficou espertinha

Ariadne era filha de Minos, rei de Creta. Ora em Creta andava o Minotauro à solta no seu famoso Labirinto. Teseu, um moço comum, foi enviado a Creta para ser sacrificado ao Minotauro, mas quando Ariadne o viu ficou pelo beiçinho, e passou-lhe pela cabeça salvá-lo. Então, como era mulher e prática saiu-se com a ideia do Fio de Ariadne, o parolo só tinha que o desenrolar até chegar ao centro do Labirinto e enrolá-lo na saída. Simples. Mas em troca queria que o moço acartasse com ela para casório e tudo. Ora ele não estava lá muito pelos ajustes, e mesmo à gajo deixou a pobre moçoila pendurada na ilha de Naxos sem nem um bilhetinho a explicar. A rapariga ainda ingénua nesta coisa de saber que os moçoilos mentem até com os dentinhos que não têm, ao descobrir-se abandonada chorou que se desunhou. Foi então que Afrodite se apiedou dela e lhe enviou um “gajo” muito, mas muito mais divertido, ainda por cima Deus. Nada mais nada menos que o beberolas extravasado do Baco, que devia ser um grande maluco. A moçoila inebriada pelo bafo e pelas momices do Baco, e qui ça por seu talento para bacanais , nunca mais se lembrou do paspalho do Teseu e foi feliz, e provavelmente pinguça, para o resto de sua mortal vida. Conclusão, mesmo bêbedo é sempre melhor um Deus e nada como uns copinhos para curar lembranças tristres. Eram espertos estes gregos não?

Dánae e a gravidez adolescente...

Dánae foi aprisonada numa torre fechada para que nenhum homem lhe tocasse. Reza a lenda que o seu pai temia uma profecia segundo a qual se Danáe lhe desse um neto este acabaria por matá-lo. Mas Dánae era a encarnação da sensualidade, e Zeus apaixonou-se por ela. Ou melhor Zeus, que como se sabe era um desvairado, queria porque queria abalroar a pobre princesa aprisionada. E quanto mais aprisionada mais interesse tinha a moça. Como ele era Zeus e tudo podia, resolveu jorrar alegremente pelas coxas da moça numa chuva de ouro (metáfora para subornou uns quantos soldados com moedas de ouro, entrou na torre e fez o seu trabalho). Desprotegida para a chuvada, a pobre moça emprenhou, e o pai quando descobriu lançou-a às águas com o rebento, a ver se morriam. Teve tanto azar que não só não morreram como ainda o matou o neto mais tarde. Mas esta parte é a que menos interessa, o que interessa é que mesmo que nos ponham numa torre fechada há sempre uma maneira de lá entrar quando a vontade é muita. E nem é preciso ser Zeus para isso....

Escorts, acompanhantes e (as outras da família)

Não vi a reportagem na íntegra. Mas pude ouvir as afirmações do cliente à pergunta: poderia ter um relacionamento (convencional, acrescento eu) com a sua acompanhante? A resposta dele chocou-me. Se tivesse dito: não, porque não suportaria os ciúmes, talvez compreendesse. Se tivesse dito: ser-me-ia muito difícil suportar a pressão social, compreenderia. Mas a resposta dele foi um peremptório e definitivo: 'não, nunca. Nem pensar'. Quando a repórter lhe diz porquê? ele - frontal - replica: 'ora, porque já passou pela mão de não sei quantos... nem vale a pena perguntar porquê, vou ser desagradável (...)'. Ele, que prefere transferir o dinheiro para ser 'menos humilhante' (para ele e para ela, segundo as suas próprias palavras). No que toca à moral, a julgar pelo entrevistado, somos muito à frente. Para certas cabeças, as mulheres continuam a dividir-se entre aquelas com quem se faz tudo e as outras que servem para se namorar, casar e constituir família (pressupõe-se que estas não terão passado pelas mãos de não sei quantos....).

Vissi d'arte, vissi d'amore

'Now he's dead, now I pardon him' (after she kills Scarpia). Duvido que tenha sido assim com o Onassis.

Saturday, September 20, 2008

Sunday, September 14, 2008

Morri-Te

E não morreste-Me.

Friday, September 12, 2008

Castelos Tombados

Altos castelos tombados

De sonhos desiludidos

Arquitecturas tamanhas

Tecidas por mãos estranhas

Juncam o chão.

Nasce outro dia

Sobre as ruínas de há pouco.

E no tempo

Essas ruínas tão grandes

De sonhos tão desmedidos

Fazem apenas figura

Dum grão de areia sem peso

Leve ao acaso do vento...

Adolfo Casais Monteiro

picture by Wolfgang Rattay

Desilusões

Eu - ele fez um bom trabalho de direcção de actores... ele isto, ele aquilo... Ela - ele... é o D., certo? Eu - sim Ela - ele é tão giro, tão talentoso. Eu - de facto, ele é fantástico, tem uma voz maravilhosa e é um excelente actor. Ela - sim, ele é estupendo... não me digas que é gay.... Eu - sim, é gay... não sabias?
o final perturbou-me. Não estava à espera que o Mestre de Cerimónias envergasse o uniforme daqueles por baixo do sobretudo de pele preta. Não esperei que a orquestra desafinasse enquanto @s actores/actrizes se arrastam ao som das sirenes e vozes que berravam as ordens alemãs que associo aos campos de concentração nazis. O resto pareceu-me tão superficial: as personagens pouco trabalhadas, sem grande profundidade (muitas coisas da estória nem tão pouco são perceptíveis). Um espectáculo de som e cor (ou não fosse um musical). Muitas palmas a interromperem (constantemente). Surpreendeu-me a voz de Isabel Ruth (tão jovem e afinada). Boa cenografia, bons actores(actrizes), bons bailarin@, boa música, excelente orquestra, boa adaptação de letras. Lamento, porém, o guião.

"toda a gente que interessa já chegou"

A estreia foi a meio da semana e Lisboa estava amena mas o mm fervilhava com os Vips que se expunham a flashadas que pretendíamos evitar. Todos os dias são bons para se mostrarem, e uma estreia ainda melhor. "toda a gente que interessa já chegou", ouvi-o confidenciar a Eunice. Sorri, pensando que deve ser duro ter de agradar para poder trabalhar, continuar a trabalhar e fazer o que gosta. O pano sobe.
(finalmente, confidenciei à desconhecida que se sentara a meu lado).

Françoise Schein e Federica Matta

A ver e (re)ver... todos os dias. Foto tirada daqui