Sunday, September 21, 2008

Escorts, acompanhantes e (as outras da família)

Não vi a reportagem na íntegra. Mas pude ouvir as afirmações do cliente à pergunta: poderia ter um relacionamento (convencional, acrescento eu) com a sua acompanhante? A resposta dele chocou-me. Se tivesse dito: não, porque não suportaria os ciúmes, talvez compreendesse. Se tivesse dito: ser-me-ia muito difícil suportar a pressão social, compreenderia. Mas a resposta dele foi um peremptório e definitivo: 'não, nunca. Nem pensar'. Quando a repórter lhe diz porquê? ele - frontal - replica: 'ora, porque já passou pela mão de não sei quantos... nem vale a pena perguntar porquê, vou ser desagradável (...)'. Ele, que prefere transferir o dinheiro para ser 'menos humilhante' (para ele e para ela, segundo as suas próprias palavras). No que toca à moral, a julgar pelo entrevistado, somos muito à frente. Para certas cabeças, as mulheres continuam a dividir-se entre aquelas com quem se faz tudo e as outras que servem para se namorar, casar e constituir família (pressupõe-se que estas não terão passado pelas mãos de não sei quantos....).

3 comments:

Anonymous said...

Sim, essas são Santas, pelo menos será o que eles querem ouvir delas por isso só se casam as mentirosas? Ahahhahaa Filipa

Clara Onofre said...

Acho um abusrdo essa separação entre mulheres rodadas e as poucos rodadas. É machismo mesmo, mas o homem tem direito a ter a sua opinião, não é?

Dirim said...

Clara, homens e mulheres têm direito a ter opiniões (ainda que me pareçam absurdas). Fiquei imensamente chocada com aquela frase. Repara que ele não o disse justificando-se com o constrangimento social que poderia ser (como vai ser se algum accionista da empresa a reconhecer?), ou mesmo, pelo facto de durante algum tempo ter de pagar para ela estar com ele, e ele ter dificuldade em aceitar esse facto (ele terá consciência que se não pagasse não teria acesso ao serviço que ela presta). No entanto, a justificação foi o facto de ela ter passado 'pela mão de não sei quantos homens'. Haja paciência. É que me parece que, segundo as suas palavras, ainda que ela não recebesse dinheiro por isso, mas tivesse tido igual número de parceiros não faria qualquer diferença.