Monday, February 26, 2007

Desculpem, mas hoje estou com os gases!

Foto: Erwin Olaf

Saturday, February 24, 2007

Estudo 329


O Seroxat (a.k.a. Paxil nos E.U.A.) é uma das "happy pills" mais receitadas em todo o mundo, produzida pela GlaxoSmithKline (GSK). Segundo o Estudo 329 o milagre duma vida normal para pessoas com depressão era finalmente possível graças a este medicamento.
O milagre não tardou a revelar-se uma fraude, quando o resultado do Estudo 377 veio a público. Nele denunciava-se a ineficácia do medicamento no tratamento das depressões em crianças e adolescentes.
Mas esta "wonder drug" pode ter efeitos mais perversos. Acredita-se que possa aumentar o risco de suicídio nos pacientes, para além da adicção. Noticias como esta ou esta povoam a Internet e se quiserem saber mais, basta seguir esta pesquisa.

Friday, February 23, 2007



Se penso mais que um momento
Na vida que eis a passar
Sou para o meu pensamento
Um cadáver a esperar

Dentro em breve (poucos anos)
É quanto vive quem vive,
Eu, anseios e enganos,
Eu, quanto tive ou não tive,

Deixarei de ser visível
Na terra onde dá o Sol,
E, ou desfeito e insensível,
Ou ébrio de outro arrebol,

Terei perdido, suponho,
O contacto quente e humano
Com a Terra, com o sonho,
Com mês a mês e ano a ano.

Por mais que o sol doire a face
Dos dias, o espaço mudo
Lembra-nos que isso é disfarce
E que a noite é que é tudo.

Fernando Pessoa
Foto: Hubble site

Thursday, February 22, 2007

Alguém sabia disto? Dia 23 de Fevereiro será apresentado o Plano de Acção (para Portugal), na FIL da Junqueira. Início às 15:00.

Saturday, February 17, 2007

Epístola para os meus medos

Sois: os sons roucos, a espera vã, uma perdida imagem.
O coração suspende o seu hálito e os lábios tremem
sinto-vos, vindes ao rés da terra, como ventos baixos,
da infância em que por vós chorava encostada a um rosto.
Que saudade eu tenho, ó escuridão no poço,
ó rastejar de víboras nos caniços, ó vespa
que, como eu, degustaste o figo úbere.
Depois, mundo maior foi a presença e a ausência,
a alegria e as dores de outros que não eu.
E um dia, no alto da catedral de Gaudí,
chorei de horror da Queda, como os caídos anjos.

Fiama Hasse Pais Brandão
Imagem: Conversion of Saint Paul, Caravaggio

As Super Mulheres



"Estou muito feliz no meu trabalho. Adoro o que faço, estou a progredir, sinto-me realizada profissionalmente." Ouvia-a dizer atrás de mim, no metro. Falava para uma amiga. Sentia-se imediatamente um mas....
"raramente vejo a Cláudia. De manhã levanto-a e levo-a ao infantário, antes de ir trabalhar. à noite, quando chego, já ela está a dormir. Quase nunca consigo estar com ela".

Sentia-se a culpa implícita nas palavras, a dor da ausência, a permanente questão... "será que sou uma boa mãe? Será que estou a fazer a opção certa?". A justificação (já) massificada "prefiro que o tempo que dedico à minha filha seja pouco, mas que seja de qualidade" não parecia aliviar-lhe a consciência. A dela é controlada por uma instituição muito mais velha que ela. Que lhe diz que aquelas palavras dificilmente sairiam da boca do pai da criança. Pois, durante anos, os homens deveriam sacrificar o tempo com a família, para investir na carreira. A carreira das mulheres era a maternidade. O seu trabalho servia unicamente como um suplemento ao rendimento familiar. O dele é que era o importante, pois ela tinha uma tarefa nobre a cumprir: raise their children.

Ainda não sabemos quais as consequências sociais da culpa que sentem as chamadas super-mulheres (não confundir, por favor, com a clássica wonderwoman). As que têm de trabalhar em casa e fora de casa, as que vivem divididas entre a crença de que a sua carreira e realização profisssional (também) são importantes e a ideia que se há alguém do casal a sacrificar a carreira em prol da família deverá ser ela, pois ele, no geral, ainda que menos escolarizado, ganhará mais. E afinal de contas, quem amamenta é ela.

A foto foi retirada do link que consta neste post.

Friday, February 16, 2007

Porque ele é assim.

Thursday, February 15, 2007

Classificados


Ficava horas a olhar para o papel branco.

Condensar os momentos importantes da vida em três páginas. O lápis a rasgar a folha branca, manchada de tanta revisão, de tanto apagar e reescrever a estória. Agora isto é importante; para aquilo já não é. E corta, cola, refaz, reescreve. Esquece as primeiras coisas, os acontecimentos intermédios, o que deu prazer, o que fez por obrigação. Reduz. Reduzir ainda mais. Os três erres: reduzir, reciclar e reutilizar. Reutilizar as moradas electrónicas, os números de telefone. Reduzir os acontecimentos a nada. Impõe-se reciclar a vida, a carreira, a roupa, a casa, os amigos, o marido, os filhos. o acessório. E, invariavelmente, tudo termina com a língua colada ao envelope (esgotou-se a cola e não dá crédito aos hoaxes), na esperança de conferir verosimilhança aos papéis.

As tentativas de reescrita da vida. Tudo naquelas páginas. Os olhos indiferentes a percorrerem as linhas - na diagonal. Tudo se resume a correspondência de má qualidade. Olha para o envelope que se irá confundir no meio dos milhares de outros irmãos, os quais, como ela, procuram um novo papel na vida.

A carta passa pelas mãos que lhe hão-de dar um novo destino. Alguém irá olhar para aquelas linhas rasuradas e avaliar a vida daquele que lha enviou. A sorte ditará o lado para que cairá o envelope. o destruidor de papel ávido por aquelas folhas, sempre a gritar pelo braço que o alimenta. O ruído do papel a ser consumido pelas lâminas.

Picture: Shout, by Misha Gordin


Wednesday, February 14, 2007

E agora um momento completamente idiota...

... Mas se alguém conseguir embrulhá-lo, é favor enviar!

Saturday, February 10, 2007

My Sweetest Downfall

Follow the link.... Only if you love Unicorns! To know more about the movie.

"Eu sei o Abecedário, só não o sei por ordem alfabética."

Amélia Muge


Não sou daqui, mas gosto d'aqui estar
De aprender no lugar do outro a m'encontrar
De poder um lugar achar, no estar aqui
Desejar o lugar de todos neste lugar
E saber, no lugar d'aqui, o meu lugar.

Picture by Francesca Woodman

Friday, February 09, 2007

E isto.... será o primeiro passo para alcançar esta realidade?

Wednesday, February 07, 2007


Não percebo como é que um homem destes pode ter dado origem a um programa tão fraquito como o que a RTP exibiu ontem à noite. A inserção exagerada de cenas de delírio futebolístico deu-me cabo da paciência. Isto para não falar de muitas outras coisas. O que vale é que este passou pelo sofá e levou-me com ele.

Saturday, February 03, 2007

Post Clandestino

Antes de mais aviso que este meu post é clandestino. Ao contrário do que possam imaginar, ele não existe, não fala de nada, e nada disto é verdade. Aliás tudo isto é ficção, o povo citado não existe, e só pode ter sido inventado. Mas o facto deste meu post ser clandestino, não implica que não possa ser lido, a escolha é vossa. Podem ler ou ignorar... Passo então ao Post, ou melhor, não-Post: Verifiquei que os portuguêses adoram clandestinidades e gostam de viver com elas, ou então não gostam delas, mas como não as veêm, e como quem não vê, não sabe, ou melhor, "longe da vista, longe do coração", não fazem nada, pois só desta forma é que se justifica tantas situações clandestinas por resolver. A clandestinidade nos portugueses começa, em primeiro lugar, nas suas cabeças. Têm ideias e opiniões muito precisas sobre as coisas, mas dizem outras, e vivem constantemente a tentar esconder e a ignorar o que são e o que pensam. Vivem clandestinos dentro de si próprios, e insistem em fazê-lo por medo, vergonha ou para parecer "bem". E muitas vezes não fazem isto só a eles próprios, eles impõem aos outros o mesmo, "Filh@, silencia lá essa vozinha, e pensa lá como eu!", ou "Vizinh@, que vergonha o que diz e o que faz, vai ficar mal falad@ aqui no bairro!", ou mais ainda, "Rebanho: a moral e os bons costumes não permitem essas excêntricidades como são o "pensar por nós próprios", ou o ter direitos." E se nas suas cabeças é assim, na sociedade onde vivem o mesmo se passa, não seja a sociedade um reflexo dos indivíduos que nela vivem. Para todos os lados onde se olhe com olhos de ver, só se observam clandestinidades que não se assumem, que não se clarificam, que não se denunciam, que não se legalizam. Fecha-se os olhos, não se fala sobre isso, ignora-se virando costas, "desconversa-se", tenta-se ao máximo fazer desaparecer tudo assim. E por medo, por vergonha, para proveito próprio, para parecer "bem", vive-se com isto: abortos clandestinos, prostituição clandestina, imigrantes clandestinos, habitações e construções clandestinas, descargas de resíduos tóxicos clandestinas, abates de árvores clandestinos, pagamentos clandestinos, empregos clandestinos, negócios clandestinos, amores clandestinos, pensamentos e vontades clandestinos. Conclusão: Sinceramente não consigo tirar nenhuma... Excepto talvez esta: Quem é que viu o jogo do Benfica de ontem?

Friday, February 02, 2007

Será Síndrome de Sardinha?


Porqueseráquehásemprealguémquesevemsentarcoladoanós?

E a propósito disso...

Outro argumento que também tenho ouvido muito é o : "Podemos estar a abortar um novo Mozart, um novo Pasteur, um novo Einstein." Pois é, é verdade, e nunca sabemos o que nos pode sair na rifa, de maneira que, e para prevenir, faço minhas as palavras da campanha do não ao aborto, apenas com umas alterações: "Ted Bundy, Albert Fish, Charles Manson, Ed Kemper, Adolf Hitler, Pol Pot... Ainda está a tempo de salvar muitas Vidas".

Thursday, February 01, 2007

Ainda está a tempo... Junte-se a uma ONG!

Juro que não é por mal. Mas sempre que olho para um daqueles cartazes que ostenta em parangonas: "Ainda está a tempo de salvar muitas vidas", estou sempre à espera de ler: Junte-se à AMI! Ou à Amnistia Internacional! Ou à Cruz Vermelha!....