Saturday, February 03, 2007

Post Clandestino

Antes de mais aviso que este meu post é clandestino. Ao contrário do que possam imaginar, ele não existe, não fala de nada, e nada disto é verdade. Aliás tudo isto é ficção, o povo citado não existe, e só pode ter sido inventado. Mas o facto deste meu post ser clandestino, não implica que não possa ser lido, a escolha é vossa. Podem ler ou ignorar... Passo então ao Post, ou melhor, não-Post: Verifiquei que os portuguêses adoram clandestinidades e gostam de viver com elas, ou então não gostam delas, mas como não as veêm, e como quem não vê, não sabe, ou melhor, "longe da vista, longe do coração", não fazem nada, pois só desta forma é que se justifica tantas situações clandestinas por resolver. A clandestinidade nos portugueses começa, em primeiro lugar, nas suas cabeças. Têm ideias e opiniões muito precisas sobre as coisas, mas dizem outras, e vivem constantemente a tentar esconder e a ignorar o que são e o que pensam. Vivem clandestinos dentro de si próprios, e insistem em fazê-lo por medo, vergonha ou para parecer "bem". E muitas vezes não fazem isto só a eles próprios, eles impõem aos outros o mesmo, "Filh@, silencia lá essa vozinha, e pensa lá como eu!", ou "Vizinh@, que vergonha o que diz e o que faz, vai ficar mal falad@ aqui no bairro!", ou mais ainda, "Rebanho: a moral e os bons costumes não permitem essas excêntricidades como são o "pensar por nós próprios", ou o ter direitos." E se nas suas cabeças é assim, na sociedade onde vivem o mesmo se passa, não seja a sociedade um reflexo dos indivíduos que nela vivem. Para todos os lados onde se olhe com olhos de ver, só se observam clandestinidades que não se assumem, que não se clarificam, que não se denunciam, que não se legalizam. Fecha-se os olhos, não se fala sobre isso, ignora-se virando costas, "desconversa-se", tenta-se ao máximo fazer desaparecer tudo assim. E por medo, por vergonha, para proveito próprio, para parecer "bem", vive-se com isto: abortos clandestinos, prostituição clandestina, imigrantes clandestinos, habitações e construções clandestinas, descargas de resíduos tóxicos clandestinas, abates de árvores clandestinos, pagamentos clandestinos, empregos clandestinos, negócios clandestinos, amores clandestinos, pensamentos e vontades clandestinos. Conclusão: Sinceramente não consigo tirar nenhuma... Excepto talvez esta: Quem é que viu o jogo do Benfica de ontem?

3 comments:

Fidélio said...

"Têm ideias e opiniões muito precisas sobre as coisas..."

Achas mesmo? Eu não iria tão longe. Senão vejamos:
- se tivessem ideias e opiniões tão precisas sobre as "coisas", talvez não dessem a importância que dão a todos esses charlatões da opinião. Refiro-me claro a esses Senhore(a)s que se auto-entitularam de "comentadores", que os especialistas rotularam de "fazedores de opinião" (do inglês opinion-makers) e a quem os cínicos preferem chamar de "manipuladores de opinião";
- se tivessem ideias e opiniões tão precisas sobre as "coisas", não estariamos a assistir presentemente ao triste espectáculo em que se tornou a "campanha" sobre o Referendo. Argumentos sólidos, opiniões cimentadas e, sobretudo, previsões de abstenção quase "nulas";
- se tivessem ideias e opiniões tão precisas sobre as "coisas", seriamos um pequeno país, e não um grande pequeno país;

Talvez a conclusão a tirar seja mesmo essa. Se tivessem ideias e opiniões tão precisas sobre as "coisas", talvez já se teriam apercebido que há coisas mais importantes para fazer do que saber qual foi o resultado do Benfica.

Fidélio said...

errata: onde se lê "pequeno país", deve-se ler "pequeno grande país".

Tamodachi said...

Eu acho que as pessoas têm ideias e opiniões sobre as coisas (há muitas que de facto não têm cérebro...mas isso é outra história), no entanto, e como eu disse, não o fazem por medo, por vergonha, porque "parece mal", etc (motivos que deves ter lido).
Não manifestarem as opiniões que têm, não significa que não as tenham. Para manifestares uma opinião, tens de ter um certos "cohones" para o fazeres, coisa que muito pouca gente tem. Logo se queres dizer algo como "Voto contra o aborto, para a minha mulher não poder fazer um,e eu ficar a saber mais fácilmente se ela anda a traír-me ficando grávida de outros", habilitas-te a ser olhado de lado pelos outros, mesmo quando eles também pensam assim. Ou assumir duma vez que "os imigrantes nos roubam trabalho, e deviam voltar para o país deles" também não é muito bem visto. Ou dizer "eu interesso-me pelos problemas do meu país" quando os teus amigos são fanáticos de futebol, também não cai bem. Por isso calas-te, viras benfiquista ferrenho e adoptas as opiniões dos outros na Tv. É mais fácil, pensar custa e ter "cohones" doí.