Sunday, March 30, 2008

Hoje fui assaltada. Roubaram-me uma hora.

Friday, March 28, 2008

Sr. Dentista, pergunta-me onde está o meu molar. Ora sei lá, que raio de pergunta. Não me lembro em que altura da minha vida nos separámos.

Não, Sr. Dentista, não está a doer assim tanto, não é preciso anestesia. Há dores piores.

Sr. Dentista, pergunta-me o que como. Não me diga que me vai convidar para jantar.

Não, não conheço o provérbio inglês, diga-mo, por favor. An apple a day keeps the doctor away. Costuma comer maçãs? Não, nem por isso, Sr. Dentista, prefiro bananas. Mas para ficar contente até comprarei maçãs no Pingo Doce, quando sair daqui.

Sim, Sr. Dentista, faço movimentos circulares, para cima e para baixo, para a frente e para trás.

Sim, Sr. Dentista, claro que viro o meu rosto um bocadinho mais para si.

Sr. Dentista, não me faça perguntas, quando tenho as suas duas mãos e três brocas enfiadas na boca. Sabe que não poderei responder.

Sr. Dentista, tem uma letra feia.

Sr. Dentista, acabei de comer sete amêndoas de chocolate. E agora?

Monday, March 24, 2008

"O fisco quer saber quanto custou o seu vestido de noiva." Daqui a pouco querem vir dormir connosco. (palavras de quem sabe)

Sunday, March 23, 2008

Já lá vão quatro

É impressão minha ou o fenómeno sms deixou de ser apenas uma epidemia natalícia para passar também a andaço pascal?

Saturday, March 22, 2008

Ela tem um perfil técnico e não pretende passar a funcional. No fundo, do que ela gosta mesmo é de programar. E fá-lo com a mesma agilidade e inteligência que qualquer colega. Mas é mulher. E parece que no mundo da informática têm de ser eles a dar as cartas. Não sabem eles o que perderão se a puserem de parte.

Ela só tem um defeito: ainda não aprendeu a programar o cérebro de homens acéfalos.

Friday, March 21, 2008

Wednesday, March 19, 2008

(Im)provável

Já não era a primeira vez que o ouvia. Nos últimos dias tornara-se, aliás, recorrente. Muitos eram os que teimavam em dizer que era doce, muito doce. E a certeza com que o afirmavam deixava-a quase perplexa. Adivinhava todas as boas intenções por trás das palavras meigas, mas achava que eram já demasiadas pessoas a dizer o mesmo. Por isso, ela já sabia que, da próxima vez que alguém voltasse a referir-se à sua doçura, ela perguntaria: - Como sabes que sou doce se nunca me provaste?

Sunday, March 16, 2008

A verdade é esta: gosto de ouvir conversas alheias. Se calhar é feio, não sei, mas gosto na mesma. Há algumas tão sem sabor, mas há outras divertidas. E geralmente prefiro as das pessoas mais velhas. Há uns dias, as senhoras que corriam ao meu lado conversavam animadamente. Não percebo bem como conseguem correr e falar ao mesmo tempo, mas pronto. Uma contava à outra que a filha estava casada, muito bem casada, muito feliz. Que o moço que elegera era bom rapaz. Que tinham namorado anos infinitos. Que se davam muito bem. Que ainda não tinham filhos, por opção. Que foi o destino que os uniu. Sim, porque quando foram à conservatória pedir o registo de nascimento de ambos, constataram que o nome dos dois estava na mesma página. Unidos desde (quase) o primeiro dia, portanto. Não é lindo o amor?

Saturday, March 15, 2008

Variando...

Uma sexta à noite perfeita. Café. Chocolate. Padre António Vieira* *I'm in love with this guy.

Thursday, March 13, 2008

Como sabotar um trabalho....

Pensar - e escrever - noutro idioma que não o materno e depois, retrovertê-lo para a língua mãe.

Wednesday, March 12, 2008

I still have the jazz.

Tuesday, March 11, 2008

Eu e o (meu) tofu

Ela comprou tofu para alimentar a família inteira durante uma ou duas semanas. Onde mora, é difícil comprar tofu.

Partiu e esqueceu-se do tofu em minha casa. E os quilómetros que já tinha percorrido não justificavam que voltasse atrás.

A validade do tofu não é muita. Sabem?!

Já deito tofu pelos olhos.


Naquele dia os olhos brilhavam-lhe mais do que o habitual. Sentiu aquele abraço sincero e percebeu que ele a vira quando a olhara. Tinha ido lá para vê-lo, somente para encontrar naqueles olhos azuis alguma esperança de conforto. Desde que se separaram a sua vida tinha piorado muito. Reviu-o anos mais tarde, em casa dele, quando lhe pediu uma entrevista. Soube que ele lhe fizera confidências: da guerra, dos amores, da vida. Sentiu que a sua confiança a deixara mais bem posicionada do que naquele dia em que fora ao encontro dele, com os olhos marejados pela conjuntivite emocional.

Os acessos de genialidade rareavam cada vez mais. Sentia-se presa ao quotidiano das trevas. A luz já não a cegava, mas também não lhe bastava. Tudo o que ambicionara não passara de papel amarelado. Estava refém de sonhos que nunca tivera.

Picture by Diane Arbus

Monday, March 10, 2008

Foto minha
Costumavas chamar-me tangerina, lembras-te?

My newest company

Ando a brincar com fogo. Falo. Mas fujo.

Saturday, March 08, 2008

Monstros


"Pouco mais de metade dos crimes foram perpetrados em meio urbano, sendo a via pública o local mais frequente; a maioria dos crimes foi premeditada, sem outros crimes concomitantes, sem influência de substâncias e sem utilização de armas bancas ou de fogo, apenas força física usada de forma instrumental. Após a prática do crime, a maior parte dos sujeitos colocou-se em fuga, sem tomar qualquer tipo de atitude para com a vítima; no momento da entrevista, não expressaram maioritariamente remorsos nem nutriam quaisquer sentimentos positivos pela vítima e, embora considerassem o crime um erro, apenas mencionaram as suas consequências negativas nas suas próprias vidas".

In Caracterização do Violador Português, um estudo exploratório, por Maria Rebocho
Imagem de Caniglia

Logística

Alguém consegue encontrar o contacto da em embaixada/consulado da Nova Zelândia, em Portugal?

Friday, March 07, 2008

Matinalmente

Agarro na chávena de café a escaldar e levo-a comigo para a janela. Gosto de beber café à janela, de manhã, e ver o que se passa lá fora.

Num outro prédio, não tão próximo quanto isso, alguém está a fazer exactamente o mesmo que eu. A observar a rua e o dia que começa. Vê-me e, como se a minha fealdade incomodasse, recolhe-se apressadamente.

Eu volto para dentro. Agarro em mais uma bolacha, volto para a janela e penso em como é deliciosa essa bolacha, precisamente essa, e em como o dia está bonito lá fora.

Thursday, March 06, 2008

Em cena, no Teatro da Comuna, Berlim vale pelo texto, ou não fosse de Gonçalo M. Tavares, pelo desempenho dos actores, pela música. Fala sobre as relações pessoais e a vivência numa grande cidade.
E depois, para completar, uma bola de berlim numa padaria na Praça do Chile...

Wednesday, March 05, 2008

Com as leituras que sou obrigada a fazer... felizmente tenho esta senhora para me alegrar os momentos em que, após conferência, os meus neurónios se questionam se valerá a pena continuar com tal tarefa...
Leio: "(...) para a população utente dos serviços do hospital, a violação ocorrida junto ao garoto adolescente não fica caracterizada como abuso sexual. (...) é considerado uma iniciação para o menino. (...) a sociedade fala 'tem que aprender'". (dissertação de Cordélia Branco, 1999, Brasil)

"Nós é que criamos o mundo que percebemos; não que não exista uma realidade 'fora das nossas mentes', mas seleccionamos e editamos a realidade para encaixar no que acreditamos sobre que mundo é este em que vivemos"
(williams, 1998 - um dos tipos do psicodrama)

Tuesday, March 04, 2008

Não gosto da palavra coima. Parece que se ri, que faz troça de nós. Antes uma boa multa.

Monday, March 03, 2008

Foto minha

"à procura, procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal."

José Luís Peixoto, in Cemitério de Pianos

Sunday, March 02, 2008

Saturday, March 01, 2008

When the routine bites hard
And ambitions are low And the resentment rides high But emotions won't grow And we're changing our ways, Taking different roads love, love will tear us apart again

"(....) o destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele."

Carlos Ruiz Zafón, In A Sombra do Vento
Picture by Ansel Adams