Friday, February 29, 2008

Hoje o meu corpo foi carácter japonês.

Tuesday, February 26, 2008

Finalmente tenho algo bonito para pôr na minha parede amarela. Uma estreia. Uma tela da minha fotógrafa preferida (sim, és tu, bieca!). Pedi-lhe, a ele, que me viesse furar a parede. Em troca, dava-lhe um chocolate. Ele veio. Eu já tinha comido o chocolate. Bendita Eva Longoria.

Monday, February 25, 2008

Uma boa ideia

Ronronar(es)

Confundimo-nos. Silenciosamente torna-se a minha segunda sombra, por perto, em silêncio. Observa-me enrolada sobre si mesma. Nem uma palavra. Levanta-se, estica as patas, torna a fazer ninho e olha-me. Por vezes, dorme.
Parecemo-nos. Debruça-se sobre a varanda, mas nunca se atreve a voar. Tolhe-a o medo. Recua e torna a aninhar-se.
Fundimo-nos.

(Pintura de Renoir)

Sunday, February 24, 2008

Estou a ouvir isto. Gosto do site. Ofereceram-mo esta semana.

Saturday, February 23, 2008

O meu céu... para te dar alma

Foto minha
ela:
não me tenho sentido muito bem, acho.
eu:
então? é de corpo ou de alma?
ela:
ambas, I guess. se tiver alma.

Thursday, February 21, 2008

De ti

Foto minha

Iremos,
neste banco,
contar-nos um ao outro.
Numa tarde qualquer.
Sem palavras.
Porque agora,
de ti,
só tenho palavras.

Wednesday, February 20, 2008

Ser é estar livre


Não se subordinar a nada – nem a um homem, nem a um amor, nem a uma ideia, ter aquela independência longínqua que consiste em não crer na verdade, nem, se a houvesse, na utilidade do conhecimento dela – tal é o estado em que, parece-me, deve decorrer, para consigo mesma, a vida íntima intelectual dos que não vivem sem pensar. Pertencer – eis a banalidade. Credo, ideal, mulher ou profissão – tudo isso é a cela e as algemas. Ser é estar livre.

Bernardo Soares
Imagem de Man Ray, 1923

Nem só de beleza…

Foto minha

Uma história. A história de um menino que vive perto do mar. Tão perto, tão perto, que até assusta. Ele não sabe que não quer viver ali, porque ainda não entende o mundo. A casa dele tem o mar nas paredes; tem o sal espalhado no corredor estreito; tem o frio a escorrer por cada fenda.

Tão perto, tão perto, que a distância entre a janela e o basalto negro da rocha que se inclina sobre o mar é bem menor que o sorriso dele.

O sorriso dele, perfeito, inteiro, capaz de abarcar o universo.

E nesse sorriso, grande de infância, disse-me que fazia quatro anos em Abril e que queria um Noddy.

Pudesse eu dar-lhe todos os Noddys do mundo…

Tuesday, February 19, 2008

Sabia-o. Já me tinham avisado que talvez não me reconhecesse, tal como não reconhecera alguns que, em espécie de romaria, rumavam a sua casa para lhe fazer companhia. Vi-a e lembrei-me das avós quase cegas, matriarcas, de Garcia Marquez ou de Allende.

Ajoelhei-me para que me pudesse ver e sorri-lhe. Perguntaram-lhe se sabia quem eu era. Disse que sim, que era a filha da vizinha. Riram-se todos.

Rindo, disse-me o nome, baixinho, lentamente. Gostei de o ouvir assim, dito por ela.

Monday, February 18, 2008

No regresso, só a chuva me abraça.

Friday, February 15, 2008

A escorrer

Foto tirada daqui.

A explodir.
O tempo, o tempo que escorre.
Lábios que se abrem para perguntas (quase) inevitáveis.
Justificações para o que não tem explicação.
Explodi.
Vou voar.

Thursday, February 14, 2008

Até onde vai a amizade?

Amir, o talentoso nascido em berço de ouro e na etnia certa. Com talento para a escrita falta-lhe, porém, a coragem. Hassan, o do coração puro é o criado de Amir. Fruto de uma ligação ilegítima, a pertença à etnia errada é somente uma das suas desvantagens sociais. Perserverante e leal até ao fim. Para ele, o amigo é tudo e por isso, dá sem esperar nada em troca. Cabul (Afeganistão): 1972 - 78. Ainda o Afeganistão era um país livre: dos Soviéticos, dos Talibã, dos Estado-unidenses, dos aliados. Preso aos preconceitos étnicos e com uma sociedade extremamente desigual. Na capital, na mesma casa, vivem Amir e Hassan. Irmãos de sangue, de leite - irmãos fraternos. Com uma amizade desigual. Hassan dá tudo. Amir tem tudo e podia dar mais. Podia ter ensinado o amigo a ler, por exemplo, podia ter tentado impedir o ataque violento de que Hassan é alvo. Podia ter tentado superar o facto de não ter conseguido impedir ou de nem sequer ter tentado. Podia... podia... podia... podia.... No instante em que Amir testemunha a iminência da violência que irá cair sobre Hassan e opta por não agir, por ignorar e tentar esquecer, tudo muda para ele. Não para Hassan, o qual permanece leal. Mas a lealdade de Hassan não alivia a culpa de Amir. Hassan personifica aquele momento traumático - que não lhe sai do olhar e que está inscrito no seu corpo. E Amir inicia a viagem do esquecimento. Então, pela segunda vez, atraiçoa o amigo: Arma-lhe uma cilada. E Hassan, leal, confessa o que não fez. Passarão anos até se redimir da vergonha, até se libertar da culpa de não ter feito mais que abandonar e trair o seu amigo. E é então, que a história lhe proporciona uma nova oportunidade: "a way to be good again". Parece-me, contudo, que a redenção de Amir é, mais uma vez, em favor dele próprio. O seu sacrifício tem suporte nos laços de parentesco (que só agora lhe são revelados) e na culpa que o atormenta. Ali, ele vê a oportunidade, não só de salvar o filho de Hassan, mas de se salvar a ele próprio.

Wednesday, February 13, 2008

Para mim e por mim, ela sonha os sonhos que eu não sonho, como se a vontade dela fosse maior do que a minha. Sonhou-o hoje. Disse-mo agora.

Wednesday, February 06, 2008

Os portefólios têm cheiros. Uns cheiram a tabaco, outros a bolas de naftalina, outros a comida. Uns cheiram a dedicação e muito trabalho, outros nem tanto.

Tuesday, February 05, 2008

Ela é chinesa.
Ele é japonês.
Ela é uma tímida estudante.
Ele é um colaborador de topo.
Ela integra a resistência organizada.
Ele lidera os serviços secretos.
Ela é incumbida de o seduzir.
Ele deixa-se seduzir.
Apaixonam-se.
Ela (não) o trai.
Ele não a perdoa.

Monday, February 04, 2008

A kiss

Could've killed me
Conheci-a no blog do Bartleby há uns tempos atrás exactamente com esta faixa.

E se fez borboleta


Foto de Regina

Saturday, February 02, 2008

O Beijo, Klimt