Wednesday, February 22, 2006

Resistência em nome de Deus (As mulheres do Hamas)

Esta fotografia impressionou-me muito, bem como a declaração desta mulher suicida, na fotografia com a sua filha (a primeira do grupo Hamas, em Janeiro de 2004) ainda quando criança: "...Converter-me em metralha humana contra os sionistas."

O que é o HAMAS? É o Movimento de Resistência Islâmico (Hamas) defende a resistência em nome de Deus. Não reconhece Israel e conta com grande apoio popular. Subiu ao poder nas últimas eleições, deixando assim o processo de paz cada vez mais distante de ser uma realidade.

Esta informação e fotografia foram publicadas o passado fim de semana na revista do jornal "El Pais"; se desejam mais informação sobre o assunto poderão aceder ás páginas
www.elpais.es/comunes/2006/hamas/, http://www.elpais.es/articulo/elpporint/20051008elpepuint_4/Tes/

Wednesday, February 15, 2006

A radiografia do amor, seja lá o que isso for



Ainda no rescaldo do dia dos namorados, ou das namoradas ou ainda do e da namorad@ - ou para simplificar a coisa, do santo valentim... descobri que este ano foi o ano da revelação da química do amor. A responsável terá sido a TSF - pelo menos, foi o primeiro órgão de comunicação a emitir um programa dedicado à coisa - que anunciava o tema desta forma:
"mais do que sentimentos, atractivos ou truques afrodisíacos é na química que está a explicação científica desta linguagem universal - o amor".


Ontem, vi algo muito semelhante na RTP ou na SIC (já não recordo). Afinal, parece que são uma carrada de hormonas as responsáveis pelo amor. Mas no programa que ouvi na TSF - na rubrica "Eureka" - emitida em manhãs domingueiras ouvi esta coisa extraordinária:
"A pílula pode estar a condicionar as escolhas da mulher, isto é, ela pode estar a escolher como parceiros, preferencialmente, aqueles que têm o mesmo padrão genético em vez de procurarem aqueles que têm um padrão genético distinto", - para resolver este problema sugiro a alteração dos anúncios de jornal..., para garantir a eficácia, pode-se colocar: "procura-se macho com padrão genético distinto do meu" - a revelação é do investigador Paulo Claro. É ele mesmo que esclarece um pouco melhor: "isto é, a pílula pode estar a levar as mulheres a não escolherem o homem certo para a vida delas"; aliás, o que está comprovado pelo aumento substancial de divórcios após a invenção e massificação do uso do comprimidito!!! E até digo mais: a pílula, essa malvada, má como as cobras, é a responsável pela queda da família como nós a conhecíamos (seja o nós, quem for, como é óbvio). Porque, como todos nós sabemos, antes da famigerada pílula dominar as hormonas das mulheres, estas zás! Acertavam sempre na escolha dos parceiros... adiante...


Segundo Paulo Claro (baseado na teoria de Helen Fischer) os que levam com a seta do Cupido (e sim, é um deus e não um anjo como uma certa estrela televisiva garantia...) passam por três fases. A saber: a Fase do Desejo, despertada pelas hormonas sexuais - e que, alguns defendem serem em muito maior número (ou pelo menos mais activas) nos homens. Ou seja, deve ser aquela fase em que se olha o outro - ainda objecto - e nos apetece saltar-lhe para a espinha, ainda que somente os peixes a tenham.
Quando começarem a perder o apetite, a só pensar e sonhar com a outra pessoa, a adormecer e a acordar - não com a outra pessoa, mas a pensar nela, então, queridos, é porque já passaram a primeira fase e a segunda já vos deu as boas vindas. Podem então ter a certeza que chegaram à fase da atracção, enamoramento ou paixão. Pergunto-me se isto também é válido para as contas e dívidas... Não fiquem, no entanto, convencidos de que, esta etapa continua ad eternum - o que de resto, toda a gente sabe. O certo é que após da segunda fase, garantem os investigadores, vem a da Ligação, que é como quem diz a fase do "amor sóbrio" - em que se "ultrapassou a fase da paixão e da atracção" - ou seja, é a velha história do "@ meu companheir@ é antes de mais meu amig@", etc. e tal.


Outra das revelações (pelo menos para mim) é que é a dopanina (perdoem-me @s puristas é possível que este texto contenha alguns erros no que toca à grafia do nome das hormonas) a responsável pela sensação de felicidade - que só é válida para apaixonados correspondidos, acrescento eu, já que não vejo grandes motivos de felicidade para alguém que teve o azar de se apaixonar por alguém que não lhe liga a mínima.. Para os que estão excluídos do privilégio da correspondência há uma alternativa: pelo que ouvi, consegue-se o mesmo efeito com a cocaína.


Será outra "nina" - desta vez, a serotonina - que descontrola @s apaixonad@s e que os faz "enlouquecer de amor". Sublinhe-se que os níveis de serotonina baixam e que atingem valores semelhantes aos encontrados em pessoas com doenças mentais...

Agora.. Para quem anda a saltar de caso em caso, ou de parceir@ em parceir@ - e que mesmo quando casa, continua a seguir o mesmo padrão... Existe uma palavra que não a daqueles insultos que se costuma ouvir... A palavra é: filetinanina.. Sim, é esta a responsável pelo vício do "amor" e que faz com que a pessoa procure "outra diferente quando termina o cocktail explosivo". E, diz Paulo Claro: "mas atenção têm um problema...", bom, sempre achei que estas pessoas teriam vários problemas.. Mas se o investigador o diz.. Na verdade, o que ele explica é que o organismo desenvolve tolerância à hormona em questão e como tal...

Outra descoberta extraordinária é a de que existe uma "hormona da fidelidade". Por sinal, só existente nos machos... Ou seja: a vasopressina pode ser a solução para os problemas de milhares de mulheres - não percebo é porque é que os homens não têm direito a uma hormona correspondente para resolver a questão da infidelidade feminina.... Adiante. O certo é que, quantos mais receptores de vasopressina um macho tiver maior probabilidade este tem de ser fiel - e mais, experimentou-se inibir e aumentar os receptores da vasopressina e, de facto, os monogâmicos passam a ser adeptos da poligamia e os que anteriormente se comportavam como uns malucos, passam a ser os santinhos da casa... Pelo menos.. nos ratos...foram eles as cobaias que serviram para responder a esta problemática e que comprovam a importância genética e da respectiva hormona na questão do comportamento sexual dos machos. Continuo sem perceber porque é que, nesta história, não fizeram a mesma observação e experiência com as fêmeas... Será que são sempre fiéis? Ou infiéis? Ou isso não interessa? O certo é que, é baseado nesses mesmos roedores que Claro afirma que as mulheres seleccionam os parceiros - que sirvam para reprodução, note-se - que tenham o património genético mais diferente do seu. "Não há nada que comprove que a experiência dos ratinhos possa ser extrapolada para a espécie humana", sugere o investigador, que adianta que as as fêmeas do chamado reino animal se comportam dessa forma.. Portanto... Aliás, as roedoras, depois de escolherem um parceiro que seja o oposto do seu retrato genético, voltam a aproximar-se dos machos geneticamente parecidos consigo: o pai, os "tios, irmãos".. Como se pode constatar pela observação ao nosso redor, é exactamente o mesmo que fazem as humanas: engravidam e depois mandam o progenitor à fava, porque quem conta na vida é o pai, o irmão, os tios, os primos e o pai da criança que se lixe... Adoro estas conclusões que os investigadores evolucionistas fazem... No seguimento destas deduções, o investigador afirma que a selecção da cara metade está dependente da assinatura química dos odores - já se sabe que quem é desprovido deste sentido está em desvantagem... Deve pertencer ao grupo das que tomam a pílula.


Ri-me com vontade ao ouvir aquela história (que já conhecia - li Natalie Angier) de que as fêmeas procuram machos geneticamente diferentes, para melhor garantir o apuramento e em consequência, a sobrevivência da cria.. (dá ideia de que nesta história, a atitude do macho nem conta...). Acabo de encontrar a explicação pela minha atracção fulminante por esquimós.. Mas um ponto de interrogação surge na minha cabeça quando me lembro que não suporto pessoas que cospem para o chão... (terá alguma coisa a ver com os genes?? Ou terá sido porque aprendi que não é de boa educação e blá, blá, blá?). Só que me parece que o investigador esquece, que somos também animais sociais.. .

O certo é que, em termos sociais - e já há alguns estudos nesta área - as pessoas tendem a escolher alguém muito parecido com elas próprias. Parecidos no percurso social. Ainda que seja verdade que quanto mais diferenças genéticas houver maior será a atracção - o que me parece um pouco descabido, uma vez que a área geográfica da maior parte dos humanos é bastante limitada... - esquecem-se, com certeza, que existem outros factores - de ordem social - que determinam a atracção que possamos sentir por alguém.
A radiografia da química do amor torna o fenómeno exclusivamente biológico e isola-o de um aspecto crucial - o social. Porque, apesar do teste das "camisas suadas" - em que camisas usadas durante dois dias por diferentes homens foram dadas a cheirar a mulheres e estas escolheram as dos que tinham um património genético mais diferente do seu - pode ser um indício forte para corroborar esta teoria, no entanto, gostaria sinceramente de saber se a mesma mulher que escolhe aquela camisa usada, iria continuar a escolher o homem que a vestiu se ele não corresponder aos seus padrões estéticos, se ele for incapaz de articular uma ou duas frases inteligentes ou... se ele pertencer a uma minoria étnica diferente da sua. Ou acreditam mesmo que os preconceitos sociais não são tão ou mesmo mais fortes que o "poder da assinatura química"?


No meio disto tudo, continuo sem perceber se os machos também escolhem as fêmeas pelas mesmas razões - ou não será também do interesse deles a perpetuação da espécie? - ou se para eles tanto se lhes dá e por isso não fazem parte da problemática dos investigadores.


Ouvi que se irá começar a reunir assinaturas para legislar a reprodução medicamente assistida.. Parece-me um bom princípio reflectir acerca das coisas. No entanto, quando ouvi a representante do grupo responsável pela recolha das assinaturas a dizer: "será correcto permitir que uma mulher sozinha tenha uma criança, ou que nasça de um embrião, uma criança de um casal homossexual?", perguntei-me em que país a senhora viveria. Desconhece ela os números das famílias monoparentais? Desconhece ela que - ainda que haja legislação sobre o que quer que seja - se uma mulher optar por ter um filho sozinha não haverá lei que a impeça? E que, quando essa mesma mulher se recusa a dar a identidade do pai da criança, o que o tribunal faz é iniciar uma investigação para saber a identidade do progenitor - pensando na protecção da criança, e acabando por vasculhar a vida privada da mãe?

"Olhe... depois falamos, tá bem?"


Há pessoas que parecem ter uma certa dificuldade em dizer claramente: "eu não concordo e por isso não vou assinar", quando se deparam com uma situação em que lhes é questionado se pretendem assinar um documento com o qual discordam.
Não, ao invés disso utilizam aqueles artíficios tipo: "ah... É preciso o número do bilhete de identidade? Ora bolas! Logo hoje que não o trouxe!", ou então, a que eu mais gostei: "Ah... Olhe... Depois a gente fala". Claro que a gente não fala coisa nenhuma, querid@! Porque eu não tenho nada para falar contigo. Ou queres assinar ou não queres, ponto final, end of the question - qual foi a parte que não entendeste? Eu não te vou passar uma multa por não assinares. Estás no teu direito, como eu estou no meu de perguntar se queres assinar. E não tem mal absolutamente nenhum que assumas claramente que não concordas. Será que estas pessoas têm assim tanta dificuldade em assumir o que pensam?
Andei - há uma semana - a reunir assinaturas para levar um requerimento aos nossos ilustres deputados para que estes discutam a possibilidade de duas pessoas do mesmo sexo poderem contrair matrimónio.
Sim, eu sei, é uma contradição da minha parte - sou contra o casamento. Na verdade, acredito que uma relação entre duas pessoas não tem que ser legitimada pelo Estado e que este mesmo Estado não tem que se meter quando se trata de legitimar uma ruptura entre essas mesmas pessoas. Sim, claro que reconheço que, dado o nível de civismo que abunda entre @s portugues@s, por vezes, até é bom que o Estado intervenha - para que não sejam as crianças a levar por tabela com os pais e as mães ressabiad@s por uma separação dolorosa.
Como vêem, não é bem uma questão de ser contra o contrato em si. Isto é, até creio que, eventualmente, terá alguma utilidade em determinados casos. Ou seja, quando digo que sou contra, é no sentido de não reconhecer legitimidade ao Estado para dizer que sim, sim senhora, o marido e a mulher estão juntos neste contrato para o que der e vier e têm os seguintes direitos e deveres - sugiro uma leitura atenta do código da família... - e, portanto, não o quero para mim. Agora.. Se há quem se queira casar (e por sinal, há), então casem-se. E se o digo relativamente a um casal heterossexual, continuo a afirmá-lo face a um casal homossexual.