Saturday, May 31, 2008

Amy

Grunhiu. Guinchou. Gritou. Não cantou. Desencantou.

Friday, May 30, 2008

Rasgo-te

por estes dias ainda chegam cartas para ti e eu rasgo-as como se te rasgasse a ti

Thursday, May 29, 2008

Tuesday, May 27, 2008

Não sei...

temperar saladas.

Sunday, May 25, 2008

E, amanhã, quando me perguntarem pelo texto, responderei, simplesmente, que não o encontrei

Ando a ler pouco. Minto. Ando a ler pouca literatura. Ler só pelo prazer de ler. Atribuladamente, lá começou mais uma Feira do Livro e os últimos que lá comprei aguardam pacientemente que os meus olhos sobre eles recaiam. É assim que vejo que não ando a ler nada. É pela repetição dos mesmos acontecimentos ano após ano que noto também que o tempo se esvai ainda com mais pressa do que eu. Não leio os livros que quero, mas procuro o texto perfeito, aquele que tem tudo aquilo que poderei dissecar a seguir. E não o encontro. Nenhum me faz o jeito. E o tempo que devia passar a ler um livro qualquer, passo-o à procura do texto perfeito para ser servido na mesa das minhas operações. Mas encontro outros textos. Provo-lhes o gosto e sabem-me bem. Sabem-me muito bem. Sabem-me a....

Este do Lobo Antunes é um deles.

Friday, May 23, 2008

Thursday, May 22, 2008

Lavar os dentes à janela. Gosto.

Wednesday, May 21, 2008

Bem longe do meu Dalí

Os homens de 45 anos com bigode são ridículos. E não é o bigode que os torna ridículos. São as atitudes ridículas que têm. E certas atitudes ridículas, quando tomadas por homens com bigodes ridículos, ainda mais ridículas se tornam.

Monday, May 19, 2008

Tal prostituta prostrada aos pés de Deus (ou de como a Rita saberia dizer que isto é uma aliteração)

Há coisas que não se agradecem, parva! – disse-me ela.

Só muito depois é que me lembrei que as tuas últimas palavras foram de agradecimento. E vi-te tal prostituta prostrada aos pés de Deus. As outras palavras, as que não sabes que ouvi, foram ditas em silêncio. Porque só o silêncio foi possível no mar da tua vergonha.

Há coisas que não se agradecem. O amor é uma delas.

Q.B.

O diálogo passou-se mais ou menos comigo a fazer perguntas e ele a responder como se eu já as soubesse. Ainda periclitante, perguntei: "então... mas... isso significa que... vou enviar o documento só com o meu nome?", ao que ele replicou: "claro, é quanto baste". E percebi então como um nome pode conter em si próprio uma matéria dispersa e incoerente, ou algo sólido e permanente. Naquele instante, o meu nome reuniu em si mesmo a robustez da certeza e a infinitude da escrita. Naquele documento, um só nome - o meu - foi (é) suficiente.

Sunday, May 18, 2008

Pudesse a actividade cerebral queimar umas certas calorias e eu seria uma mulher muito mais feliz. Não podendo, lá me vou queixando com quem está à minha volta. Mas por que é que me trazes um bolo de mel da Madeira (comprado no Campo Pequeno) se sabes que me perco por estes bolos? Não tens perdão. Vá lá que consegui empurrar a última fatia para alguém. Mas por que me trazes uma caixinha linda com bolo de noiva e bolinhos de mil cores com sabor ainda melhor? Se não quis ir ao casamento, se perdi o baile e os vestidos, não deveria ter direito a tais preciosidades. A noiva, nunca vi uma noiva tão contente, a mulher rebentava de felicidade. E para haver noiva tem de haver sogra, lá está. E por que davas tu borrego estufado à minha princesa se sabias perfeitamente que ela não gostava de borrego. Domingo após Domingo. Deu no que deu. Ah, vale-me a Bimby e as mãos de uma fada para me fazer uma pizza que só peca pela massa alta e fofa. De resto, são só pimentos, tomate, cebola e tofu. Pois, não estava previsto teres a minha companhia para o jantar. Impus-me como tenho feito ultimamente, é que me trocaram as voltas e tive de as trocar a eles. Tive de fugir do lar para parecer que... Puxa, as pessoas não têm noção. Nunca ouviram dizer que os homens e os carros nem às amigas se emprestam? Quanto mais aos outros…

Saturday, May 17, 2008

Foto minha

Aprendi a não falar sobre o tamanho do amor dos outros. Devias aprender também.

Friday, May 16, 2008

Foto: N.E.

do lado de cá

a calmaria.

do lado de lá

a vida bole.

e eu fico nesse meio

à espera que o resgate tarde.


Thursday, May 15, 2008

Cuscuz

Gosto da palavra cuscuz e das dúvidas ortográficas que suscita. Eu, pelo menos, nunca sei como a hei-de escrever. É uma palavra rodeada de segredos, como tantas outras. Por outro lado, o segredo que desvendamos em O Segredo de um Cuscuz (no original Le Graine et le Mulet) é bem diferente e acaba por não ser segredo nenhum: é a indiferença e a frieza com que se continua a tratar os emigrantes em qualquer parte do mundo. Este distanciamento entre nós e o outro é abordado de uma maneira cruel e cómica.

As tensas relações familiares estão também divinalmente exploradas e originam, quanto a mim, as três melhores cenas do filme: a conversa impulsiva e inteligente de Rym – que me deslumbrou – com a mãe, cheia de palavrões que me fizeram lembrar por que gosto de palavrões franceses, mas não dos portugueses; o discurso fulgurante, num tom de agonia crescente, de uma mulher repetidamente traída pelo marido; e, finalmente, a dança do ventre protagonizada pela mesma Rym, que encanta tudo e todos, com movimentos embriagantes. Estas cenas, em particular, são longas, mas precisam dessa longevidade para crescer, bastando-se a si próprias, como se nada mais existisse para além delas.

No final, só Rym (filha que não é filha) soube ser filha de seu pai, que enceta uma busca utópica, a busca da igualdade e do respeito, numa França que, só em teoria, é multicultural. Passa-se em França, mas poderia passar-se em qualquer outro sítio.

Belíssimo.

Wednesday, May 14, 2008

Suficiente

Dez minutos de telejornal da TVI foram suficientes para ver que: o Rochemback tem problemas com preposições; o Rui Costa tem problemas com orações relativas; o Pinto da Costa tem problemas graves.

Monday, May 12, 2008

Clave com o sol possível

Hoje apetece-me música e ontem também me apeteceu. Amanhã provavelmente me apetecerá. Só a música, e pouco mais, pode ser passado, presente e futuro. Pouca gente já me ouviu cantar. Reformulo. Só um pequeno grupo de privilegiados já me ouviu cantar, porque mais do que a bela voz que não tenho, ofereço-lhes a intimidade devida. Às vezes, apetece-me cantar e eu canto, mas canto desafinada. Por isso admiro os que cantam e tocam bem. Hoje deram-me música na aula e eu gostei. Ah, pudesse eu cantar para toda a gente, mas não posso, agora que a lucidez me faz reconhecer a ausência de afinamento. Houve tempos em que quis cantar para muitos e não me deixaram. Um cala-te suficientemente carinhoso deitou por terra todas as minhas aspirações. E ainda bem.

Sunday, May 11, 2008

Saturday, May 10, 2008

Arroz-doce

- Queres canela? - Só se for a tua.

Somos papa-concertos



Friday, May 09, 2008

Resumo para ninguém e muito menos para a Rita (que tinha 14 anos quando isto foi rabiscado e que agora já não tem)

Ela disse-me que aquele texto estava a perturbá-la, que parecia estar a ver a batalha mesmo à frente dela. É verdade. Camões tem esse efeito sobre as pessoas, sobre algumas. Afinal, não é à toa que eu digo que ele é um génio. Mais um. Curiosamente, todos os meus génios estão mortos. E os que não estão, eu enterro-os antes de o serem ou de terem sequer a oportunidade de mostrarem a sua genialidade. E eu acredito que sejam génios. Iniquamente, eu vou em busca do detalhe que lhes lixa a puta da vida. Não estava certa de ter percebido isso. E canso-me do detalhe e de mim. Foi a segunda pessoa mais perspicaz que eu conheço que mo disse. Pausa. As barreiras. O Barreiro. Dirty girl. Na Batalha de Aljubarrota, ela disse que não percebia como se podia matar alguém. Cravar a espada, que era maior do que eles, no coração de outro. E como eles ligam às imagens. Cada desenho tem de ser explicado ao pormenor. Eu disse, ó Rita, é fácil, é muito fácil. Basta estar numa situação extrema, numa circunstância específica. É matar ou ser morto. Eu não teria nenhum problema em enterrar, com valentia atroz, o ferro no fogo ardente. Ou o balázio na carne tenra. É matar ou ser morto. E eu, agora, matarei mil vezes, se mil vezes for necessário. Rita, os teus 14 anos ainda não te permitem perceber muita coisa, mas o tempo corre. Verás. Isso e muito mais. E que não te perturbe agora a ausência do amor na tua vida. Afinal és jovem, muito jovem. Poupa a energia para quando, numa idade muito mais feroz, te lembrarem constantemente que estás só. É um prazer pequenino de quem está acompanhado*, sabias?

*Mesmo que a companhia seja uma boa merda…

Tuesday, May 06, 2008

Beijos multiculturais

Não gosto de cumprimentar estrangeiros. Nunca sei como o fazer. Se dou a face, esticam-me a mão; se estico a mão, dão-me a face. Hoje fiquei com a mão pendurada. E uma mão pendurada é uma coisa embaraçosa. Valeu-me o lenço multicolorido que tinha ao pescoço e que me serviu de amparo. E fiquei a saber que, na Polónia, dá-se três beijos.

Monday, May 05, 2008

Sunday, May 04, 2008

Ephemeral

Ou o poder de um advérbio

Acabei de receber um email. E esse email tinha um texto. E esse texto tinha uma frase. E essa frase, que era interrogativa, tinha um advérbio. E eu começo a fartar-me de certos advérbios. E questiono-me: poderá um advérbio* dar cabo de uma amizade? *E agora vem-me à cabeça um filme em que os protagonistas são os advérbios, armados até aos dentes, a disparar contra tudo e contra todos. Basta pum basta!!! (…) Morra o Dantas, morra! Pim!

Thursday, May 01, 2008

Back to Basics*

*da série "ouvíamos isto no Buraco ou na States?"