Tuesday, April 29, 2008


Acordar, ser na manhã de Abril
a brancura desta cerejeira;
arder das folhas à raiz,
dar versos ou florir desta maneira.

Abrir os braços, acolher nos ramos
o vento, a luz, ou o que quer que seja;
sentir o tempo, fibra a fibra,
a tecer o coração de uma cereja.

Eugénio de Andrade


Saturday, April 26, 2008

26 de Abril (ou porque é um assunto sério)

Comemorava-se os 20 anos do 25 de Abril. A escola daquela terrinha enfeitara-se para receber Manuel Alegre que trazia os seus poemas e a sua mensagem. Entre representações teatrais, declamações de poesia e palavras ensaiadas, chegara a hora de se agraciar o senhor com a medalha da escola. Entreguei-a eu, agradeceu-a ele.

E ainda hoje me lembro de quão suave era a barba dele.

Friday, April 25, 2008

Há 34 anos

Sunday, April 20, 2008

J'adore...

Domingos elogiosos


(fazem-nos sempre bem)

Portrait by Jean Ferro

Já o Padre António Vieira o dizia: “Deste discurso se segue uma conclusão tão certa, como ignorada; e é, que os Homens não amam aquilo que cuidam que amam. Por quê? Ou porque o que amam não é o que cuidam; ou porque amam o que verdadeiramente não há. Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros; quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama e não defeitos. Cuidais que amais diamantes de firmeza e amais vidros de fragilidade: cuidais que amais perfeições Angélicas, e amais imperfeições humanas. Logo os homens não amam o que cuidam que amam. Donde também se segue, que amam o que verdadeiramente não há; porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam, e o que se imagina e não é, não o há no mundo.

Outstanding

I thought I loved this word... until I found this meaning: " Remaining, in existence. For debt, not yet paid"

Thursday, April 17, 2008

Through the glory of life, I'm scattered on the floor, Disappointed and sore. And in my thoughts I have bled, For the riddles I've been fed, Another lie moves over, while White horses, They will take me away, And the tenderness I feel, Will send the dark underneath

o pombo correio

queria dizer-te que os bolos que me mandaste pelo pombo correio são deliciosos. de amêndoa da tua terra que não é a nossa. têm pouco açúcar, tal como nós gostamos. se tivessem muito açúcar eram bons na mesma, seriam pecaminosos. gosto de comer bolos pecaminosos contigo.

sei que ainda não te enviei de volta o pombo correio, com um envelope bem vestido como tu gostas. mil perdões.

escrevo-te em minúsculas, porque sei que gostas. até o teu nome escreves em minúsculas.

queria dizer-te que tenho saudades tuas, tantas.

Wednesday, April 16, 2008

Carros que se beijam suavemente: intimidades forçadas.

Tuesday, April 15, 2008

Right as Rain

From sweet E.

Monday, April 14, 2008

Não há outra vida que desejasse minha para além da que tenho. Apesar de todas as insuficiências.

Sunday, April 13, 2008

Saturday, April 12, 2008

Tuesday, April 08, 2008

Os graúdos gostaram do Oceanário. Gostei do polvo e do mistério que o envolve. Gosto da sua inteligência. O Padre António Vieira acusa-o de traidor. Não sei. Ele camufla-se, mas por razões de força maior. Penso que seja sobrevivência e não traição. Ah, pois, na verdade, não estamos a falar de polvos, mas de pessoas. Já disse que gosto do polvo, não de o comer. Só raramente o como, quando a fome é demasiada e não há outra coisa. Excepção seja feita à salada de polvo do restaurante Edmundo. Hoje senti-me polvo. Com muitos bracinhos, esticadinhos, todos. Cada um a puxar para o seu lado. E se puxarem muito, muito, muito, será que rebentam? Quando um polvo perde um braço, fica maneta? Havia a estrela-do-mar. Já disse que gosto de estrelas-do-mar? Têm cinco braços ou múltiplos de cinco. Alguém disse cinquenta e dois. Apeteceu-me esbofeteá-lo, por ser quem era. Aquela estrela-do-mar tinha perdido dois braços. Pobrezita. O que vale é que consegue regenerar-se. Essa regeneração já não vem a tempo de salvar a senhora que me disse, na outra loja, que o saco era irreversível. Minha senhora, irreversíveis são os seus gritinhos histéricos. O saco, com motivos verdes, é reversível. De que cor são os meus motivos? São azuis. Sempre foram. Além do mais, eu não perguntei por que é que o menino estava vestido de fato de treino. Ah, pois, teve ginástica no colégio, mas eu não quero saber se teve ginástica ou não, nem porque é que não está com um fatinho bonito da Petit Patapon. Eu só queria que me tivessem deixado dizer que estava lindo, antes das vossas palavrinhas e explicaçõezinhas. Tão treinadinhos. Que era lindo, só isso. Ai, ai, ui, que me estão a puxar o bracinho do powerpoint que já devia estar feitinho. Não posso deixar que rebente.

Monday, April 07, 2008

Sunday, April 06, 2008

(de)graus

Acordei cedíssimo, apesar de me ter deitado tardíssimo. A noite foi agradabilíssima. No novíssimo café, comi um palmier dulcíssimo. À tarde, ferocíssima, decidi cortar nos doces, pois a crudelíssima balança apresentou-me três atrocíssimos quilos a mais.

E agora vou voltar ao magnificentíssimo trabalho, aos adjectivos.

Saturday, April 05, 2008

Corações

Sobre a solidão de seis pessoas que procuram esbater o fosso entre aquilo que têm e aquilo que querem ter. Sobre o amor.

Coincidências, caminhos cruzados, desistências, distâncias.

A neve cai sobre mãos fechadas entre quatro paredes. Dentro e fora.

Wednesday, April 02, 2008

(E logo eu, que detesto a nêspera deste poema, sinto-me uma.) RIFÃO QUOTIDIANO Uma nêspera estava na cama deitada muito calada a ver o que acontecia chegou a Velha e disse olha uma nêspera e zás comeu-a é o que acontece às nêsperas que ficam deitadas caladas a esperar o que acontece Mário Henrique Leiria

Tuesday, April 01, 2008

Os actores desta peça pediram ao público para que dissesse aos amigos e inimigos para irem assistir. E eu apenas estou a fazer aquilo que me foi pedido.
Não me lembro de ter rido tanto durante um espectáculo. Estão aqui*.

E disseram-me:
-Estás a rir muito alto.
E eu pensei: qual é o limite para uma gargalhada? Ou, deverá uma gargalhada ter limites?


*Nesta sala, não é permitida a entrada de "animais domésticos ou selvagens ainda que devidamente domesticados".