Sunday, September 30, 2007
Amitié
"Estou com saudades do silêncio do teu lar." - disse a amiga.
Ela, por sua vez, também apreciava o silêncio que emanava das suas paredes amarelas. Como já estava acostumada a esse silêncio e como gostava dele!
Muitas vezes, era um silêncio tranquilamente quebrado pelos sons bem-vindos da Rádio Europa.
E o amigo, que não é francês, também o sabia:
"C'est bon d'écouter l'RFI."
Wednesday, September 26, 2007
Sunday, September 23, 2007
Thursday, September 20, 2007
Abro os olhos e bocejo. Faço-o com todo o gozo que isso me dá, sem sequer me preocupar em proteger os olhares alheios da exposição das minhas amígdalas. Não que elas sejam absurdamente monstruosas ou repugnantes. Não. Nada disso. Apenas não me importo porque a antecipação do gozo apodera-se da minha cabeça e maxilares.
Que acharão eles disto? Aqui parece-me que mostrar a língua é visto como uma ofensa. Acho que li isto nalgum sítio.
Levanto-te. Demasiado cedo. Até para terra do sol-nascente. Ocupo-me a analisar as descargas do autoclismo e a tentar entender o que leva alguém a estabelecer o funcionamento destas coisas. Por motivos que desconheço (e não, não os vim a descobrir mais tarde), aqui a pia enche quase até vazar. Enche, enche e num ápice vertiginoso toda a água parece ser sugada pelo buraco que tem no fundo. Esse mesmo buraco que, numa aventura vivida entre abismos e cataratas, num outro país distante, protagonizou o fim impiedoso de um dos meus bonecos preferidos.
Aqui estou eu, sozinho, sem sono, acocorado numa casa de banho estranha, à procura do novo-mundo na pia. Brilhante.
Liberto-me do delírio quase escatológico e volto ao bocejar.
Será que consigo? Será que vou conseguir abrir os olhos e acordar?
Responsabilizo tudo e todos pelo estado a que cheguei. Não sou feliz por culpa deles, é esta a minha conclusão. Em segundos a percepção da distância físca dos meus maus espelha-se no meu sorriso: Não! Aqui eles não me podem afectar. Estou longe. Longe do certo e do errado. Longe da educação. Longe das vontades alheias. Longe da sociedade que me é um bode expiatório tão grato...
Volto a bocejar. Forço-o e, mesmo assim, sinto que começo a descobrir estes pequenos prazeres. Eu sou o culpado, não é o meu país.
Apago a luz e dirigo-me para o lobby.
Tuesday, September 18, 2007
Saturday, September 15, 2007
Eu não tenho (senão) uma só voz
Conheci-a na voz de F.B. Tarde de sexta, nas aulas do nosso contentamento. Leu-nos um excerto de A Paixão Segundo G.H. que captou imediatamente o meu interesse.
Encontrei-a um ano ou dois depois. Não li muito, ou exaustivamente; tive que impor algumas pausas, porque a sua voz delineada nas linhas das letras não pode ser ouvida rapidamente. Ou ser rapidamente esquecida. Li-a na lentidão dos dias, releio-a periodicamente, deixando-a desfolhar-me despudoradamente os sentidos.
Encontrei-a hoje, nas páginas da Denise, do Síndrome de Estocolmo. Do fenómeno da escrita, a voz. O sotaque estranho, o semblante sempre carregado, mas ainda assim, estranhamente acolhedor nas palavras que desfia ao longo da entrevista. A ouvir com atenção.
Thursday, September 13, 2007
Sunday, September 09, 2007
Porque é que não consigo evitar que me venha à cabeça um léxico de insultos ao receber um mail com isto:
"Adoro estar aqui. Não tenho muitas saudades de Portugal. Nem sequer penso na bica e no pastel de nata!
Vou de bicicleta para todo o lado, vivo numa cidade lindíssima e às vezes penso que tudo isto é bom demais para ser verdade. Não me posso queixar."
Ok... a inveja....
Still I don't understand...

Os tão corajosos rapazes neonazis....
tão corajosos, tão corajosos, que não entendo o porquê de escolherem para vítimas "pessoas em posição difícil para os denunciar, como trabalhadores ilegais, em especial africanos, a quem "explicavam" que eram castigados por "não serem brancos".
Claro... a brancura... sempre essa cor que fascina essa gente...deviam tentar fazer anúncios a detergentes.
Fica ainda por explicar a matança dos felinos... talvez eles só escolhessem os pretos; a notícia não é suficientemente esclarecedora.
Quer queiramos, quer não, estamos sempre marcados à nascença.
A foto é do extraordinário filme American History X
tão corajosos, tão corajosos, que não entendo o porquê de escolherem para vítimas "pessoas em posição difícil para os denunciar, como trabalhadores ilegais, em especial africanos, a quem "explicavam" que eram castigados por "não serem brancos".
Claro... a brancura... sempre essa cor que fascina essa gente...deviam tentar fazer anúncios a detergentes.
Fica ainda por explicar a matança dos felinos... talvez eles só escolhessem os pretos; a notícia não é suficientemente esclarecedora.
Quer queiramos, quer não, estamos sempre marcados à nascença.
A foto é do extraordinário filme American History X
Quant@s mais?
Quando vi os créditos a descer pelo ecrã já me sentia prestes a rebentar de dor. Estava com vómitos por tudo o que tinha visto. Não era só um nó na garganta. Entre os meus companheiros de tela o silêncio imperava e eu não esperei para que alguém o quebrasse. Saí rapidamente da sala procurando a casa de banho.
De volta à sala, o filme seria dissecado, todas as explicações possíveis foram dadas à assistência. Todas as interpretações. Ainda assim, quando olhava ao meu redor no metro, não conseguia parar de sentir um imenso nojo. Consegui encontrar alguém que verbalizou o que senti:
"The sad part of the film is that we realize that so called "normal" and perfectly "respectful" people are the same ones that brutalize these children. They use Lilja to satisfy their sexual appetites, then discard her like yesterday's trash. To know that there are people like that in our society is a very sad commentary about our world."
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