Saturday, March 24, 2007

I'm breathing again....

Thursday, March 22, 2007

Ontem o pregador de verdades dele Falou outra vez comigo. Falou do sofrimento das classes que trabalham (Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre). Falou da injustiça de uns terem dinheiro, E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer. Ou se é só fome da sobremesa alheia. Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se. Caeiro

Sunday, March 18, 2007

A Primavera Revelada

Para ti, Samari - sabes porquê :) :)


Não a primavera interior, interdita, a da casa, nascendo dentro, entrando para as ruas, memórias breves, marcas eternas subitamente extintas, dissolvendo a parte fechada dos parques, absorvendo os narcisos, em infernos exíguos, agora antigos, não a primavera definida pelos aromas fixos, de interpretação impossível, a não ser na mutação dos corpos, no conhecimento das ínfimas estrias, no futuro então explícito, nas ruas de colunas ondulando ao ar frio, não essa primavera tardia, no futuro retida, mas a revelação revista, a sucessão das ondas, como quando a primeira primavera sobre o corpo corria.

Gastão Cruz, Repercussão, 2004.
Picture by Declan McCullagh

Wednesday, March 07, 2007

Eu sou homem minha puta.

"Foste a culpada de tudo, bem sabes que foste a culpada de tudo, eu sou homem; sou homem e tu és provocante, perversa. És perversa. Uma mulher sem vergonha, sem pudor. Não te quero ver mais, enojas-me, repugnas-me, envergonhas-me. Tu percebias, sei que percebias, que sabias como me punhas. Eu sou homem minha puta."
Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa Novas Cartas Portuguesas

Tuesday, March 06, 2007

Cogitações avulsas

A minha profissão de fé para com A Filosofia é inevitável. Dolorosamente incontornável. Ainda que consciente de que no seu templo deambulam Narcisos fascinados com o eco das suas palavras.
Um dia disse-me que a terra é redonda. Por fora é toda verde e lá no fundo tem um centro vermelho. Como o melão. Que a terra é a mãe da natureza e tudo suporta para parir a vida. Como a mulher. Os golpes da vida a mulher suporta no silêncio da terra. Na amargura suave segrega um líquido triste e viscoso como o melão. Quem já viajou no mundo da mulher? Quem ainda não foi, que vá. Basta dar um golpe profundo, profundo, que do centro vermelho explodirá um fogo mesmo igual à erupção de um vulcão. Paulina Chiziane, in Balada de Amor ao Vento