Monday, January 02, 2006

"O mundo é para quem nasce para o conquistar/ E não para quem sonha que pode conquistá-lo"

Agora que já ultrapassamos toda esta época crítica - em que toda a gente felicita, congratula, abraça, beija, dá palmadinhas nas costas... enfim, quando toda a gente de sorriso rasgado nos lábios proclama o seu amor ao próximo até à madrugada do dia 1 - dizia eu, agora que ultrapassamos toda esta fase, coloco algumas questões que me assaltam invariavelmente ano após ano, nesta época tão histriónica. É que ainda não percebi porque toda a gente se põe a fazer balanços por esta altura; são os políticos do ano, as frases do ano, os filmes , as músicas, os livros e, pasme-se, agora elegem-se também os blogs, como se se conseguisse afirmar taxativamente quais os melhores (ou os piores). Na verdade, todo este exercício parece-me querer, de certo modo, atingir o mito da omnisciência que nos persegue (humanos) desde que nos conhecemos gente. É que é a velha história de querer transcendermo-nos e nada melhor para o fazer do que estes balanços em que afirmamos conhecer o que de melhor e de pior se fez. Fazêmo-lo de ano a ano, que ainda assim a tarefa é hercúlea (já para não dizer o óbvio, ou seja, que é falaciosa). Se na maior parte dos casos falamos de obras artísticas, porquê taxá-las ao ano? E se me apetecer dizer que a melhor obra musical do ano (porque efectivamente a ouvi NESTE ano) é o Prelúdio de Tristão e Isolda de Wagner? Mais, posso até querer afirmar que nos últimos cinco anos, o Prelúdio de Tristão e Isolda foi, consecutivamente, a melhor obra musical que ouvi. E depois? E que dizer de todas aquelas que desconheço, existem e que são obras primas em potência para os meus ouvidos? Porque hei-de afirmar que abraço O MUNDO quando apenas ponho os braços em volta daquilo que é o meu mundo(inho)?
(O título dado ao post foi roubado a Álvaro de Campos. Suponho que ele não se importe.)

1 comment:

HM said...

Tudo não passa de uma tentativa de impôr vontades.

Outra coisa que me confunde são os titulos de primeiro bebé do ano, primeiro banho de mar do ano, primeiro espirro do ano, etc. etc. etc.