Wednesday, December 21, 2005

Álvaro de Campos

FAZE AS MALAS PARA PARTE NENHUMA!

Embarca para a universalidade negativa de tudo

Com um grande embandeiramento de navios fingindos -

Dos navios pequenos, multicolores, da infância!

Faze as malas para o Grande Abandono!

E não esqueças, entre as escovas e a tesoura,

A distância policroma do que se não pode obter.

Faze as malas definitivamente!

Que és tu aqui, onde existes gregário e inútil -

E quanto mais útil mais inútil -

E quanto mais verdadeiro mais falso -

Que és tu aqui?

Embarca sem malas mesmo, para ti mesmo diverso!

Que te é a terra habitada senão o que não é contigo?

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