Wednesday, November 30, 2005

Should I Stay or Should I Go


E CLASH!!!!
Soltou-se (finalmente) a polémica no País das instituições laicizadas de improviso.
"If I go there will be trouble
An’ if I stay it will be double"
Imagem de Salvador Dali

O peso das medidas


"A gordura na mulher não é, só por si, prejudicial à saúde. No entanto, a gordura feminina é alvo de paixão pública e, as mulheres desenvolvem em relação a esta um sentimento de culpa; isto porque, de maneira implícita e sob o domínio do mito, reconhecemos que os nossos corpos não nos pertencem msa sim à sociedade, que a magreza não é uma questão de estética pessoal e que a fome é uma concessão exigida pela comunidade. Uma fixação cultural na magreza feminina não é uma obsessão com a beleza, é antes uma obsessão com a obediência. As dietas das mulheres passam a ser o que Judith Rodin, psicóloga de Yale, chama "obsessão normativa", um interminável drama da Paixão que recebe uma cobertura internacional deproporcionada face aos riscos para a saúde associados à obesidade e que recorre a uma linguagem emotiva que não encontramos noutros debates, como sejam os que abordam o abuso do álcool ou do tabaco. As nações agarram-se a este melodrama com uma atenção compulsiva porque os homens e as mulheres compreendem que não se trata de colesterol, mas sim, do grau de liberdade social que as mulheres se dispõem a ceder ou que lhes será permitido. (...) O hábito da dieta é o sedativo político mais possante da história feminina. Uma população tranquilamente alucinada torna-se mais dócil. Os investigadores S.C. Wooley e O.W. Wooley confirmaram o que a maioria das mulheres já sabia - que a preocupação com o peso leva a um "colapso virtual do amor-próprio e do sentido de eficiência". Os investigadores J. Polivy e C.P. Herman concluíram que a "restrição calórica prolongada e periódica" tinha como resultado uma personalidade característica cujos traços eram a "passividade, a ansiedade, e a emotividade".
in The Beauty Mith - How Images of Beauty are used against women
Agora reparem bem em todas as revistas e em todos os programas de televisão que vos falam do peso e das formas ideiais e de como consegui-las. Reparem bem em todas as imagens que nos são transmitidas como correspondendo a um corpo belo. Da próxima vez que olharem para um artigo desse tipo, notem bem no número de calorias que a dieta aconselha... de 600 a 1600 calorias por dia? Isto é, medicamente, inanição parcial....

Tuesday, November 29, 2005

Vestidos de Noiva


Ando há já algum tempo para escrever sobre isto - sim, sobre vestidos de noiva. É que, diariamente passo por uma loja destes artigos de vestuário e questiono-me sempre qual é a origem do fascínio que as pessoas sentem relativamente aos mesmos. E após alguns instantes, o que me apraz dizer sobre o assunto é:
Não lhes reconheço grande utilidade: são caros, na maior parte das vezes, só se usam uma única vez e ainda por cima são brancos!!! Brancos! Dah!

Presidente honesto

Visitem este blog e prometo umas boas risadas.

http://presidentehonesto.blogspot.com

O início

O início será a minha forma de aderir a este ambiente convidativo. Apesar de tudo, sei que não é a melhor altura para esta iniciação. O "espírito natalício" que adoro, consegue sempre ser entorpecido com as atitudes com que nos vamos deparando durante este período. Já assisti de tudo: encontrões para chegar a uma pilha, sabe-se lá do quê; uma discussão entre duas "senhoras" sobre qual delas levaria a ultima caixa na prateleira(será que se lembraram de perguntar se existia mais no armazém?); as birras dos putos, no corredor dos brinquedos, porque não entendem porque raio estão ali, se é o Pai Natal que lhe vai levar os presentes; e a obra-prima dos hipermercados - as caixas - onde nem as grávidas escapam, pois ninguém quer saber se têm prioridade.
Digam-me então o que tem esta altura de diferente, principalmente se saímos à rua?!?

"Ao lado dos outros vou crescendo"

Trata-se de um verso de Alexandre O'Neil citado por Ernesto de Sousa num livro sobre Júlio Pomar e resume as vivências dos anos 40-60.
Isto tudo a propósito duma exposição (Dos anos quarenta aos anos sessenta - Um tempo e um lugar - dez exposições gerais de artes plásticas) que decorre no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira. Uma grande homenagem aos artistas Neo-realistas, onde podem ser vistas obras de nomes como Abel Manta, Avelino Cunhal, José-Augusto França, José Santa-Bárbara, Júlio Pomar, Lima de Freitas, Maria keil do Amaral, Mário Dionísio, Viana Dionísio, entre outros. A não perder, até 16 de Dezembro. Entrada livre!

Monday, November 28, 2005

(Um) Domingo à tarde


Passeava pela rua. Aqui no bairro. Um bairro central e calmo da cidade.
Havia pouco tráfego aquela hora. E comecei por ouvir uns gritos distantes de uma discussão.
Olhei à volta, para as janelas mais próximas... os gritos ouviam-se mais perto.
O semáforo pôs-se vermelho. Parou um carro.
Apercebi-me que a discussão vinha de aí.
Olhei.
Ela chorava e olhava pela janela, enquanto lhe dizia qualquer coisa que não deu para perceber.
Quanto a ele, aproveitou o semáforo para dar-lhe um sopapo e puxar-lhe os cabelos.
Ouviu-se o gemido dela, sufocado pelo choro e pela janela do carro fechada.
Ao mesmo tempo que o semáforo voltava a verde e vi como o carro se afastava.

Foto: www.sistemaeducativo.net

Aparentemente, o mal é a essência de todo o humor...

A propósito de um post sobre piadas sexistas, que encontrei na vizinhança, deixo aqui um excerto do livro do Robert A. Heinlein (A stranger in a strange land):

"Descobri porque é que as pessoas riem. Riem porque isso dói... porque é a única coisa que fará com que deixe de doer... (...)
Mas vê se encontras qualquer coisa que te faça rir... uma piada, qualquer coisa, mas uma coisa que te faça dar uma boa gargalhada, não um sorriso. Depois veremos se não existe uma maldade em qualquer lado, e se tu te ririas se não existisse essa maldade.
Aparentemente, o mal é a essência de todo o humor."

Today....


I woke up (late) but... so happy! I'm glad to be alive!

Saturday, November 26, 2005

Não sei...

...Ando com vontade de postar sobre a Adriana Calcanhoto!

O Sangue dela...



E cá por coisas...
e porque de quando em vez releio a velhinha Simone (não se sabe bem é como) :
"Não escolhi ser, mas sou. Um absurdo responsável por si próprio, é isso o que sou."
in O Sangue dos Outros

Friday, November 25, 2005

"Não nos é possível ainda, falar de amor..."

E não resisto a transcrever um texto belíssimo retirado do Novas Cartas Portuguesas:
“... porque se mulher e homem se quiserem sós e nos seus sexos, (...)logo isso é sabido como ataque à sociedade que se junta para dominar, e Abelardo é castrado, e Tristão nunca se junta a Isolda, e todos os mitos do amor dão-no como impedido e irrealizado, e todas as histórias de amor são histórias de suicidas; porque temos de remontar o curso da dominação, desmontar as suas circunstâncias históricas, para destruir suas raízes. (...)Mas a esta leitura é necessário acrescentar todos os sistemas de cristalizações culturais que vieram sustentando, reforçando, justificando e ampliando essa dominação da mulher (e não só essa dominação), porque a alteração da situação económica e política que agora nela se baseia não traz necessariamente a destruição de todas as cristalizações culturais em que a mulher é (...), homem castrado, a carne, a pecadora, Eva da serpente, corpo sem alma, virgem-mãe, bruxa, mãe abnegada, vampiro do homem, fada do lar, ser humano estúpido e muito envergonhado pelo sexo, cabra e anjo, etc., etc. E digo é, tudo isto no presente, porque contra estas imagens nunca houve combate de raiz, apenas se foram pondo em causa as consequências lógicas e práticas de algumas delas, na medida em que já não convêm (...). Voltando à enumeração dispersa dos rostos cristalizados da mulher; só quando os soubermos alinhar segundo eixos, vectores, poderemos ver a extensão e profundidade do que nos tolhe a todos, mulheres e homens. Pegando, por exemplo, numa linha: corpo de mulher, (...), medo do corpo, medo de castração nele, (...), intuição feminina (...), eterno feminino, magia, bruxa, demoníaca, possessa, vampe (...), corpo que se possui, terra do homem, carne da sua carne, costela de Adão, (...), mulher poder de tentação e de pacto com a desordem, poder e escândalo, sentimento de culpa do homem, sua crítica marginal, sua imagem negativa (...). Em toda esta linha que eu mal puxei, se ensopam e mitificam nossas políticas, nossas éticas, nossos amores a dois. (...) Chegará tempo de amor, em que dois se amem sem que uso ou utilidade mútua se vejam e procurem, mas apenas prazer, prazer só, no dar e no receber?”
Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa

Woman Once a Bird


Desde quando arrancou as asas e espartilhou os sonhos?
Foto de Joel-Peter Witkin

Bang Bang

A propósito do tema violência doméstica, ouvi este tema no Síndrome de Estocolomo


Bang bang, you shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down


I was five and you were six
We rode on horses made of sticks
I wore black, you wore white
You would always win the fight

Seasons came and changed the time
I grew up, I called you mine
You would always laugh and say
Remember when we used to play

Music played and people sang
Just for me the church bells rang
After echoes from a gun
We both vowed that we'd be one


Now you're gone
I don't know why
Until these days

Sometimes I cry
You didn't say goodbye
You didn't take the time to lie

Tu disseste

Tu disseste "quero saborear o infinito"
Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"
Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"
Eu disse "é o medo o que nos vem acariciar"
Tu disseste "eu também já tive medo.
muito medo.
recusava-me a abrir a janela, a transpôr o limiar da porta"
Eu disse "acabamos a gostar do medo,
do arrepio que nos suspende a fala"
Tu disseste "um dia fiquei sem nada.
um mundo inteiro por descobrir"
Eu disse "..."
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida.
às vezes penso encontrá-lo num bater de asas,
num murmúrio trazido pelo vento,
no piscar de um néon.
escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo.
depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada.
fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar,
as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não.
a mancha continua no mesmo sítio,
eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti.
liberta-te do corpo.
tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Eu disse "o que é que isso interessa?
"Tu disseste "...nada"

Mão Morta

Thursday, November 24, 2005

The One



Não me vou desculpar por estar sempre a bater na mesma tecla, porque este blog foi criado para escrevermos o que nos der na gana, e como tal uso-o para isso. E a conversa de hoje não me sai da cabeça...
"Acredito num amor para toda a vida e que existe alguém que é o homem da minha vida", disse-o com uma convicção que parecia ser inabalável. Note-se que a pessoa em questão ainda não encontrou o referido amor. Mas gostaria de partilhar o seguinte (parafraseando um amigo meu):
"não há uma pessoa só que seja a nossa cara-metade, que tenha as chaves para as nossas doors. Existem várias. Por diversas circunstâncias, estas pessoas vão surgindo na nossa vida, mas por uma questão de oportunidade (ou melhor, de falta dela) podem passar-nos ao lado: porque estavamos num dia mau, porque estavamos comprometid@s com outras pessoas...essas coisas (e eu acrescento: porque não estavamos para ai virad@s!) pfffffffffffffffffffff! Quando houver alguém que me possa abrir umas portas eu vou olear a fechadura... não vou lá por água para a enferrujar". Ora ai está alguém que eu conheço e que me orgulho de citar :) :)
Thank you, Lois :) :)

Outra do mesmo género....

"Após uma ruptura, as mulheres precisam de um tempo para si, os homens só querem fazer aquilo que não podiam fazer dentro da relação...". Bom, esta confesso que me deixou.. estupefacta.. será que para esta pessoa, os homens se sentem presos quando têm uma relação? Empiricamente, o que se sabe é que após um divórcio, os homens ficam menos tempo sozinhos do que as mulheres. Ou seja, os homens voltam a casar mais depressa que as mulheres. Isto em termos de casamento - ou seja, com contrato conjugal - pois falamos de dados estatísticos que só é possível aferir em termos de contratos celebrados por escrito (como é o caso do matrimónio). Ora estes dados são passíveis de inúmeras leituras. Mas será mesmo que consideram o relacionamento uma prisão? A ser assim, porque se casam mais rapidamente? Não será que se sentem numa prisão precisamente porque aquele matrimónio já não fazia sentido? E nesse caso, será que elas também não sentem o mesmo? Porque o que me parece não é, propriamente, se homens e mulheres vivem as rupturas de formas diferentes (vive-las-ão na medida em que são pessoas diferentes, independentemente do seu género) mas qual a razão (a haver só uma) que provocou a ruptura...e isso sim, poderá condicionar a reacção posterior.

Rupturas Conjugais...ou velhas ideias...


Conheceram-se num chat. Não um chat convencional, mas uma espécie aparentada desses canais de comunicação.
Ele perguntou-lhe "onde é que gostas de dançar?" e ela respondeu.. "em Lisboa? No Lux". Ele retornou: "Lux? O que é isso?".
As amigas disseram-lhe logo: estás louca? É um bronco dos subúrbios saloios, que só vai às discotecas onde as pessoas vão para caçar e não para dançar.... Os amigos defenderam o espécime do mesmo género, alegando que era profundamente redutor eliminar as hipóteses de alguém só porque não conhece uma das discotecas mais famosas do país...ficaram chocados com aqueles critérios de selecção, porque não entenderam que o que a colocara de sobreaviso não fora o facto de ele não frequentar, mas de não saber o que era...

Em qualquer dos casos, a conversa continuou com ela a explicar que o dito rapaz acabou por confessar que estava à beira de terminar um casamento. Ao que ela lhe anunciou:"cuidado! Um casamento não se termina assim". E pronto, foi este o ponto que me despertou a atenção. Porque, de repente, ao ouvi-las, parecia estar a ouvir a minha avó: "um casamento é uma coisa muito séria, e antes de se dar por terminado tem que se ter a certeza que se fez tudo para o salvar", ou "as pessoas hoje divorciam-se por qualquer coisa". Estas frases já as ouvi.. da minha avó...
E sobretudo o argumento: "vai sempre haver um dia em que vais acordar e vais achar que não faz sentido" - e então.. o que vais fazer se esse dia chegar, perguntei. "Vou esforçar-me, lutar para que volte a fazer sentido. Vou batalhar para nunca sentir que não faz sentido, mas se isso acontecer vou fazer para que volte a fazer sentido."
E fiquei ali a pensar que não devo ser nada conservadora, e que é normal que as pessoas que não me conhecem me vejam como uma maluca libertina... como é que há tanta gente tão jovem a defender o casamento como um valor sagrado quase intocável? "Sim", continuaram elas, "porque essa história do já não há amor... isso não é bem assim..." bom, sinceramente não sei como é, mas parece-me que a acontecer - de facto, o matrimónio já não fará sentido. Elas tinham algumas dúvidas. E foi aí que me senti fechada num túmulo. Porque sempre tive essa ideia do matrimónio: se deveria ser para sempre, porque raio as pessoas se casam tão cedo? E porque é que a coabitação não é um valor tão sagrado quanto o casamento? E porque raio é preciso assinar um contrato para legitimar uma relação? E porque é que um contrato não pode ser quebrado quando o motivo (supostamente o amor) já não existe? Deveremos nós sacrificar anos da nossa existência para salvar um matrimónio? Se o casamento deveria servir para enriquecimento e realização pessoal, porque razão me parece que algumas pessoas parecem ainda ter uma ideia que o elo que as liga - porque é legitimado - deve ser preservado, porque exigiu(e) sacrifícios, e sacrifícios pessoais? Acredito que os sacrifícios - quer sejam de ordem material e/ou pessoais - e que, eufemisticamente, são chamados de "cedências" devem ser sempre medidos e nunca sentidos como perda, pois a acontecer, então mais tarde ou mais cedo, irão aparecer à porta, a bater com força... e a reclamar o espaço que lhes foi tirado. Porque o que, aparentemente pode parecer uma concessão, quando já não faz sentido adopta um sentido de amputação de um aspecto de nós. E quando isso acontece, não só já é tarde para evitar sentir que foi @ outr@ @ culpad@ dessa perda, como acima de tudo, já é tarde, para voltar atrás e explicar que não queremos fazer essa concessão. As mulheres estão mais livres.. mas como lidam com essa liberdade quando não conseguem entender que a liberdade que sempre foi dada aos homens também pode ser delas?

Wednesday, November 23, 2005

J' adore... (II)

Adoro bocejar ou imitar o bocejo quando sinto muitas pessoas a olhar para mim. Cinco segundos depois estarão todos a bocejar... Comportamento gera comportamento!

Tuesday, November 22, 2005

De açaimes e espingardas


Na passagem por um outro blog, li um texto sobre a posse de animais em que o autor referia a sua indignação pelas pessoas que andam com cães portentosos nas ruas das nossas cidades, sem pensarem no mal estar causado aos trausentes. Concordo que um dono responsável deve tomar todos os cuidados, para bem dos restantes trausentes assim como para bem do seu animal. Não me parece que um rot seja mais violento que um caniche (e já conheci caniches bem complicados); uma possível agressão difere apenas em grau. Tenho para mim que os animais são o reflexo dos humanos que os educam.
Contudo, já não confiro qualquer legitimidade a essas pessoas que têm por passatempo andar aos tiros a animais.
Parece-me muito mais ilegítimo um fulano qualquer ter um cão porque gosta de inflingir dor a outro animal para seu prazer (desporto estranho)do que alguém ter um animal porque tem prazer na sua companhia; vivi, por força de trabalho, numa zona onde a caça era muito praticada. No final de época era ver os animais abandonados, porque deixavam de ter utilidade ou a sua prestação não tinha agradado ao omnipotente do seu dono. E os canis construídos pelos caçadores amantíssimos... com 10 cães em cubículos que mal têm espaço para dois... e nem quero imaginar a alimentação. Contudo, nada disto é novidade, porque quem anda aos tiros a um animal porque acha giro (descomprime, e tal), não vai ter mais respeito por outro que esteja a seu cargo.
Esta história da caça só me faz lembrar outras acefalias, como a da tourada, em que se argumenta que o toureiro, para além de gostar do animal, o respeita. Pois é, eu sempre que tenho muito respeito por alguém, faço por acertar-lhe ou com tiros ou com bandeirolas. E no final, digo sempre olé!
Imagem de Paula Rêgo

Monday, November 21, 2005

E se tivesse sido em Portugal?


"Teriam os americanos largado a bomba atómica em cima da Alemanha ou mesmo de Itália...? Neste sentido eu acho que foi um acto racista", disse Rui Faustino, hoje, numa conferência sobre a II Guerra Mundial e a Guerra Fria. Continuou a explicar que enquanto os cidadãos de ascendência italiana eram mais ou menos acarinhados pelos estado-unidenses (citando os exemplos do jogador Joe DiMagio e de Frank Sinatra), isso nunca sucedeu com os cidadãos nipónicos que se encontravam em território dos EUA. Pelo contrário, foram encerrados em campos especiais...
Depois, durante o debate, um senhor da plateia afirmou: "se a bomba atómica foi um acto racista? Pois posso dizer-lhe que para as pessoas da minha idade - que na altura tinha 13 anos - pensámos... ai estão a matar os japoneses? Pois que seja. Pois as coisas são assim mesmo. Em cada tempo é assim"...
Pergunto-me se ele emitiria a mesma opinião se largassem uma bomba em Portugal... ou penso como é que se pode ter e verbalizar um raciocínio deste tipo...
Recentemente, um amigo meu, confidenciou-me: "a última vez que estive em Lisboa, só serviu para confirmar que detesto os lisboetas" - e eu respondi-lhe: "és mais inteligente que isso" - porque como já afirmei antes, qualquer generalização que associe determinadas características a um grupo, pela sua nacionalidade, género, religião ou etnia não só é ignominiosa, como falsa e simplista. Até quando? Para quando uma análise mais racional e menos emotiva da realidade que nos rodeia? Para quando uma reflexão séria (independentemente das conclusões) - e sedimentada em factos e não em dogmas - sobre o passado?

Foto de Steve McCurry

Quantos mais vão ter de morrer?

"O sargento João Paulo Roma Pereira morreu sexta-feira em Cabul, Afeganistão, quando o veículo de patrulha em que seguia foi atingido pela explosão de um engenho indeterminado colocado na estrada.
Ao todo, estão no Afeganistão 196 militares portugueses, incluindo quatro no quartel-general e sete que desempenham a função de controladores aéreos avançados.
João Pereira estava entre os 148 efectivos cuja missão terminaria em Fevereiro do próximo ano.
O destacamento português está integrado na força da NATO. Composta por 10 mil soldados de 36 países, o contigente da Aliança Atlântica opera na província de Cabul e noutras nove províncias do norte e do oeste do Afeganistão". (Fonte: www.portugaldiario.iol.pt )
A minha pergunta (inocente) é: Qual o sentido desta e de outras mortes?

Acasos


"Acho que isso só vai acontecer quando estiveres mais forte...quando estiveres preparada", explicou a Amósis a sua amiga Sara.

Como quis acreditar que ela estava certa com aquelas palavras que indicavam que nada acontecia por acaso. Como esperou acreditar que seria mais fácil se tudo acontecesse com um intuito pré-definido por uma qualquer entidade(s) e que no fim tudo corresse bem, porque ela teria aprendido a lição daquele episódio. E acima de tudo, não sentiria o peso da responsabilidade da mesma forma. Não sentiria que os valores que a acompanhavam desde a infância tinham que ser validados por um acto divino.

Mas não conseguiu. Até hoje, permanece incrédula face às pequenas coincidências da vida.
Parecia-lhe sempre que o Universo era demasiado grande para que quem quer que fosse andasse a planear a vida d@s mortais. Quem se daria ao trabalho de delinear triliões de vidas, de trajectos? Até mesmo @ deus(a) mais paciente ficaria (rapidamente) entediad@ com o jogo.

Friday, November 18, 2005

Olhares


"O olhar do homem foi já muitas vezes descrito. Pousa friamente sobre a mulher, ao que parece, como se a medisse, a pesasse, a avaliasse, a escolhesse, por outras palavras: como se a transformasse em coisa. O que nem sempre se sabe é que a mulher não fica desarmada por esse olhar. Se é transformada em coisa, ela observa, pois, o homem com o olhar de uma coisa. É como se o martelo tivesse de repente olhos e observasse fixamente o ferreiro que se serve dele para espetar um prego. O ferreiro vê o olhar maldoso do martelo, perde a segurança e dá uma martelada no dedo polegar. (...) O poder do olhar transforma o martelo em ser vivo, mas o honrado ferreiro deve sustentar o olhar insolente e, com mão firme, transformá-lo de novo em coisa. Diz-se que a mulher vive assim um movimento cósmico para o alto e depois para baixo: o impulso da coisa transformada em criatura e a queda da criatura transformada em coisa.”"

Milan Kundera, O Livro do Riso e do Esquecimento
Imagem de Magritte

J' adore... (I)

Adoro dar encontrões a figuras públicas. Primeiro finjo que não as vejo, depois dou-lhes um encontrão seguido de um simples "sorry". Talvez assim eles percebam a relatividade do seu estrelato...

Thursday, November 17, 2005

E se trocassemos uns desenhos sobre o assunto?


Hoje finalmente percebi porque utilizamos a expressão "É preciso fazer um desenho?", quando alguém tem uma paragem cerebral ( alguns casos mais graves acusam mesmo ausência de cérebro) e não percebe o que dizemos.
Tão sábio desabafo certamente foi inspirado no célebre documento que todos os acidentados têm que preencher quando participam ao seguro a ocorrência... É que para além da descrição escrita, da sinalização em diversas opções do ocorrido (bateu ao lado, de frente, ligeiramente, blá,blá,blá)... É ainda necessário fazer um DESENHO da ocorrência.

"Ora desenha lá o que se passou, mas desta vez como se eu fosse mesmo muito burra (sibila a Companhia de Seguros)..."

Ways of Seeing...


"Os homens olham para as mulheres. As mulheres observam-se ao serem olhadas. Isso determina não só as relações entre os homens e as mulheres, mas também as das mulheres consigo próprias"

John Berger

Enquanto buscava o final do arco-íris

... vagueava o olhar pelo tecto a percorrer as frestas de parede a parede... de uma em uma, em busca do seu final. (Como se fosse o que buscava.)
O olhar preso naquela figura delimitada pelas quatro paredes reafirmava o seu sentimento de um bicho enjaulado.
E tentava uma e outra vez libertar-se daquele desespero e revolta. Buscava nas frestas o final simbólico, do seu sentimento adolescente - sem solução aparente.
Nesse desespero e raiva contida, acurralados, manifestavam-se as dúvidas como sobras da sua fé por reencontrar e renascer no seu mundo.

Nós os vencidos do catolicismo

Nós os vencidos do catolicismo

que não sabemos já donde a luz mana

haurimos o perdido misticismo

nos acordes dos carmina burana


Nós é que perdemos na luta da fé

não é que no mais fundo não creiamos

mas não lutamos já firmes e a pé

nem nada impomos do que duvidamos


Já nenhum garizim nos chega agora

depois de ouvir como a samaritana

que em espírito e verdade é que se adora

Deixem-me ouvir os carmina burana


Nesta vida é que nós acreditamos

e no homem que dizem que criaste

se temos o que temos o jogamos

«Meu deus meu deus porque me abandonaste?»


Ruy Belo

Wednesday, November 16, 2005

Uma questão de lógica


Determinem a validade do seguinte silogismo:


A escola é uma seca.
A escola é uma treta.
Algumas tretas são uma seca.


(autor devidamente identificado)
Imagem de Magritte

Tuesday, November 15, 2005

Um poeta brasileiro entre nós

Fui espreitar os Meninos da Avó e descobri este poema de Vicente Franz Cecim, escritor brasileiro que, curiosamente, se encontra entre nós. Hoje lança o seu último livro na Livraria Almedina, Atrium Saldanha, às 18h30m.
A História
Em Andara,
é quando os homens esperam um anoitecer mais
calmo que vêm as noites da vida nos lançar pedras de
sombras
e asas de areia
vêm nos açoitar.
Sendo assim Andara: ó ser de espanto, ó ser
despanto, ó serdespanto.
Passando, pois, aquele homem a se chamar
assim
Serdespanto.
Pois esse o nome que lhe deram quando ele nas-
Céu, diz-se disso, a mãe, essa que denomina uma parte
de si que sai de si aqui para fora, humanamente, para ser
outro ser. Um outro espanto isso, deve-se reconhecer
com melancolias, resignações, suspiros. Isso de nascer
Em Andara, pois. Mais um tendo vindo.
Vicente Franz Cecim, in “O SERDESPANTO”, Íman Edições, 2001.

Pequeno jardim


Foto de N.E.

Um jardim, algumas flores, ar, um raio de sol. Pequenos nadas que são tudo.


Monday, November 14, 2005

Masoquismo?

Há coisas que por muito que tente.. não entendo.. esta atracção pelo abismo que parecem ter certas pessoas.
Porque é que insistem em arriscar ocupar a memória com as coisas que, está provado, magoaram antes?
Deve ser tipo um vício, sabemos que faz mal fumar, mas continuamos a fazê-lo. Ou será preguiça? Sabemos que devíamos subir as escadas, mas preferimos o elevador... Ou será, pura e simplesmente... masoquismo??

Devendra Banhart, 12 Novembro, Aula Magna - Queremos mais!!!


A música que ele não cantou...

Santa Maria da Feira
Pensando cada dia, cada hora
Pensando en ti
Caminando,
mi sesta llena de moras
Son para ti
Temprano por la tarde y por la noche
sueño de ti
Lalalala
Comiendo pera
En santa maria de la feira
Que placer ir
La gente buena
Solo gozan nunca hay pena
Pa' que sufrir
Jugando en el mar, en la arena
Viviendo haci
Lalalala
Ventana blanca
Hay que venga la mañana
Hay que venga otra vez
Esperando
Asi es como yo paso mi tiempo
Esperando a Inaniel
Y rezando por su calor, por su aliento
Sobre mi piel
Te digo todo aqui va bien
Conmigo de no dormir
Amigo, te lo suplico, te lo pido
Que me ayudes a mi, a mi
Buscando
Con mi ancla en la marea
Nadando en ti
Yo voy andando
Oyeme, te estoy llamando
Te amo a ti
Por el valle me encontré un rio escondido
Me recuerdo,
hacía calor pero tenia frio
Me iba a morirBianca
Ay Paloma, ay Angelina
Por fin te vi
Por fin te vi
Por fin te vi

Sunday, November 13, 2005

O toque no ouvido

Ver tudo a negro.
Pressentir as aproximações ou não percebê-las de todo.
Não ter cor. Só cheiro. E tacto.
A urgência de ouvir.


"O que é? - tacteia o porta-chaves - Um cão?"

"Não, um urso."

"Pois, é muito fofinho. De que cor?"

"É castanho. Bem, não é bem castanho, é mais um castanho clarinho, um camel."

"É bonito."


Ficou marcado a ferro em mim, lembrança da minha cegueira até então.
Estou com ela, conduzo-a, levo-lhe o tabuleiro ao final do almoço. E só quando perguntou pela cor do urso, tive total percepção da enormidade da sua força. Como explicar uma cor a quem vê tudo a negro?

Equilíbrio(s)


"AMOR é respeitar respeitando-se a si mesmo... quando começa a doer é sinal de que alguma coisa está em desequilíbrio...."

by the wise GINKO :) :)

Quilómetros....


Cento e setenta e cinco quilómetros. Foi a distância que percorri para ir ver uma amiga. Tive tempo de ouvir The Cure e de confirmar que a associo Friday ao Etc... :) às noites em que toda a noite custava 300 escudos. Em que o porteiro nos deixava entrar só para dar um pé de dança e depois sair... penso que nunca conheci porteiros tão simpáticos quanto os do Etc... (embora nem sequer me lembre da cara ou do nome do sr...).

Recordo o gueto onde estendíamos a roupa. A fila de fogões campigás que se via no balcão improvisado da cozinha. Relembro as discussões com uma colega de casa por causa do seu catolicismo tacanho - ou da minha falta de tolerância para com ela... a humidade que escorria pelas paredes e que encharcava a minha cama... as noites passadas na conversa num dos cinco quartos da casa... e o cheiro a tabaco que não se conseguia tirar da roupa :( o telefone que tocava e o dia em que o Múmia me ligou. As noites passadas em casa dos mosqueteiros... e os pastéis de nata do café do sr. Zé. A dieta da Cláudia... e o amor platónico do Carlos por ela.... por acaso nem sei como terminou a história...

Hoje, estamos diferentes... crescemos. Fomos obrigad@s a ser adult@s. Alguns(mas) já estão casad@s, outras com filhos. Tod@s com um percurso, aparentemente, tão definido que é difícil encontrar curvas com estações de serviço. Contudo, serviu para confirmar que a empatia que se cria em determinada altura da vida, só termina quando uma das partes assim o entende.

Ao longo destes períodos de turismo/emigração que tive, recordo muita gente. Vejo algumas das pessoas com uma indiferença estranha - como se nem @s tivesse conhecido... outr@s- que apesar de nunca mais nos termos falado - relembro com carinho. E outros com amor. Se eu morresse amanhã... a quantas pessoas não teria dito que @s amo?

Saturday, November 12, 2005

Chegaremos a criar a ecologia humana?


"Não existe ecologia da felicidade, existe apenas a felicidade. Que não admite nem poluição nem reciclagem." - Gastaldi, Jean.

A um deus não reconhecido...


Serei apenas eu a recusar ser filha de (quem se diz) um deus menor?

Coisas que me deixam pi ursa (ou seja pior que uma ursa) II

Se há coisa que me tira do sério é quando me aparece alguma criatura, com aquele seu ar de quem a vida já tratou muito mal e diz: "oh... não te lamentes... há quem esteja pior"!..................agora preciso mesmo de uma pausa antes de começar a destruir o teclado (à falta de um daqueles sacos de boxe). Porque é que será que parece irresistível encontrar conforto na desgraça alheia? Se detesto o meu trabalho de administrativa, dizem-me que podia ser pior, que podia ter sido transformada numa máquina de debitar palavras num call center. Se fosse operadora de call center podia ser pior, porque podia ter sido transformada num scanner numa qualquer caixa de supermercado, se fosse operadora de caixa seria melhor do que ser uma sem abrigo e sem trabalho, ou se fosse toxicodependente... ou se fosse vítima de violência doméstica ou se vivesse em qualquer país africano ou asiático e se não pertencesse à classe privilegiada.........se... e se fossem tod@s viver a vida de uma dessas pessoas para poderem, de facto, sentir se era ou não pior????

Porque é que será que nunca consegui sentir-me melhor com estas comparações? E será que é assim tão difícil assumir que a nossa dor - porque nos dói a nós e não a qualquer indíviduo desconhecido, é infinitamente mais pesada do que de uma qualquer personagem que desconhecemos? Porque é a nós que nos dói... e por isso, dói mesmo. Não é uma imagem longínqua, não é uma sensação esbatida de uma qualquer solidariedade ocidental que, confortavelmente instalad@ no seu sofá, vê a desgraça de um continente através do quadradinho da televisão.

Não é preciso ser-se bom observador para encontrar uma mão cheia de exemplos de pessoas que, supostamente, se encontram em pior situação. O mais difícil é deixar de sentir a nossa dor para sentir a d@ outro@, a de um desconhecido por quem a nossa empatia passa simplesmente por uma moeda deixada cair numa taça que tem uma história de angústias e de falta de oportunidades.

Por isso, a essas pessoas que acham sempre que a melhor forma de contornar a dor é pensar em quem está pior, eu sugiro que se dêem como voluntários numa ONG e que vão para África ou para o Médio Oriente ou que fiquem cá a distribuir a comida entre os sem-abrigo ou a acompanhar as crianças das Aldeias SOS. Assim, se me voltarem a dizer que podia ser pior, eu vou acreditar que el@s sabem do que estão a falar.. até lá... por favor, não me voltem a dizer que "podia ser pior" - porque essa parte já eu sei, e não ajuda a minorar a dor...

Tudo por causa de umas pantufas

«Querida Riwke, por favor manda-me as tuas pantufas. Claro que estou a falar das minhas pantufas e não das "tuas pantufas". Mas, se tu leres as "minhas pantufas", vais achar que o que eu quero são as tuas pantufas. Portanto, se eu escrever: "manda-me as tuas pantufas", tu lês as tuas e percebes que o que eu quero são as minhas pantufas. Portanto, manda-me as tuas pantufas.»


Citação retirada de Alice no País da Linguagem, Marina Yaguello, Editorial Estampa, 1990, pág. 23

Emptiness


Chegou a hora do desespero....

Friday, November 11, 2005

Coisas que me deixam mais do que irritada - pi ursa! (ou seja.. pior que uma ursa)!

Ouvir... ou ler...
"D. Duarte, o pretendente ao trono"
Perdão??? Terei ouvido/lido bem?? Pretendente ao quê??? Por acaso, o regime Republicano - que, pelo menos a última vez que abri a Constituição era o que estava em vigor por terras Lusas (já agora, avisem-me caso tenha sido alterado) - será compatível com um... trono??? E já agora, se ele é pretendente... onde é que raio está a porcaria do trono???? Nestas alturas faço um esforço inominável para não me engasgar pois só tenho vontade de cuspir em cima da criatura que disse ou escreveu tal idiotice. Por acaso, para estas pessoas o ano de 1910 não terá existido???? e já agora, porque é que raio o chamam de D. Duarte????? Duarte não chega? Estes resquícios de um regime de privilégios instituídos, este ser e não ser, este ter e não ter deixam-me completamente possessa! Porque será que não chamam as coisas (e as pessoas também) pelos nomes???

O desespero da sexta feira

Hoje finalmente apercebi-me da histeria colectiva ao que chamo o sindroma da sexta -feira. Todos os programas de rádio, televisão e demais meios de comunicação social incentivam a alegria de ser sexta feira, em oposição à chatice que é o resto da semana. Será bom, pergunto eu? Claro que ter dois dias aparentemente livres para fazer outras tarefas à partida mais agradáveis é óptimo, mas será que as fazemos mesmo? e não será que esta histeria só aumenta o sentimento de frustação de 5 dias em oposição ao 2 dias de fim de semana, ou melhor 1 dia e meio, já que o domingo à tarde já serve para uma mentalização de segunda feira. Pronto não tenho mais tempo para meditar sobre o assunto, de qualquer forma acho que se devia melhorar a qualidade de vida pessoal e profissional durante os 5 dias da semana e os 2 dias servirem apenas para confirmar como é bom viver.

Thursday, November 10, 2005

Maiorias...


"MAS QUERO FAZER PARTE DE UMA MINORIA!"

o seu à sua dona.. by the pragmatic Pencil :) :)

Fumar? Não fumar?


O prazer está em sentir a conquista sobre nós próprios.

Não mata... embora por vezes pareça ;-)


"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até à última gota. Sem medo nenhum. Não mata"
Clarice Lispector

Cântico do País Emerso

Os previdentes e os presidentes tomam de ponta

Os inocentes que têm pressa de voar
Os revoltados fazem de conta fazem de conta...
Os revoltantes fazem as contas de somar.
Embebo-me na solidão como uma esponja

Por becos que me conduzem a hospitais.

O medo é um tenente que faz a ronda
E a ronda abre sepulcros fecha portais;
Os edifícios são malefícios da conjura Municipal

de um desalento e de uma Porta.
Salvo a ranhura para sair o funeral
Não há inquilinos nos edifícios vistos por fora

Que é dos meninos com cataventos na aérea
Arquitetura de gargalhadas em cornucópia?
Almas bovinas acomodadas à matéria
Pastam na erva entre as ruínas da memória,
Homens por dentro abandalhados em unhas sujas
Que desleixaram seu coração num bengaleiro;
Mulheres corujas seriam gregas não fossem as negras
Nódoas deixadas na sua carne pelo dinheiro;
Jovens alheios à pulcritude do corpo em festa
Passam por mim como alamedas de ciprestes
E a flor de cinza da juventude é uma aresta
Que me golpeia abrindo vácuos de flores silvestres

E essa ansidedade de mim mesma me virgula
Paula de pátria entressonhada. É um crisol.

o fruto agreste da linfa ardente que em mim circula
Sabe-me a sol. Sabe-me a pássaro. Pássaro ao sol.
Entre mim e a cidade se ateia a perspectiva
De uma angústia florida em narinas frementes.
Apalpo-me estou viva e o tacto subjectiva-me
a galope num sonho com espuma nos dentes.

E invoco-vos, irmãos, Capitães-Mores do Instinto!
Que me acenais do mar com um lenço cor da aurora
E com a tinta azulada desse aceno me pinto.


O cais é a urgência. O embarque é agora.


Natália Correia



Assim o diz Miguel Esteves Cardoso

"Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. (...) O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. (...) A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.”

Vassouras

E se conseguíssemos varrer todas as coisas menos boas das nossas vidas? Ah, como seria então?

Wednesday, November 09, 2005

Da Leitura (e outros demónios)


"De todas as experiências, a que me marcou mais fundo foi a da literatura. Nunca fui leitor de um só livro. Isto não é um elogio. É uma verificação e uma melancolia. Seria impossível para mim mesmo estabelecer qualquer hierarquia entre as influências sofridas. Foram inumeráveis, constantes e contraditórias."

Eduardo Lourenço(1953)

Coisas que me deixam triste


A constatação do fim de uma amizade ... assim, como quem termina uma refeição. Acabou. Findaram os tempos da partilha, dos risos em comum e das lágrimas que corriam em ambas as faces.

Acima de tudo, termina a cumplicidade. A capacidade de adivinhar o pensamento d@ outr@. E tudo redunda numa indiferença. Como se aquela pessoa que ali estivesse não passasse de um(a) estranh@.

Será que não conseguimos lidar com as mutações d@s outr@s?

Mayas

Os Inadaptados



Tenho por amigo um miúdo de 11 anos esmagado pela sua condição.
Filho de mãe errante - o violino e a tenda que todos os professores deste país carregam - acompanha-a pelos caminhos que esta é obrigada a percorrer.
No dia em que saiu de casa olhou para trás em jeito de despedida e tornou-se sal. Estrangeiro em outra terra e outra escola, o olhar petrificou-se no Pai, agora feito verbo através das palavras ditas ao cair da noite, junto ao ouvido.
Fran acompanha a Mãe e oferece-lhe o coração,que é agora metade dela, metade do Pai, nenhuma migalha para a escola e amigos. Assusta-se com a enormidade dos outros, entidade colectiva que lhe levanta o sobrolho porque Fran não sonha só com sol e mar.
Erguem-lhe um muro de silêncio, quebrado por vezes por palavras que apenas declinam insultos e medos.
Carrega todos os dias a sua pedra escola acima, solitário nos caminhos que não conhece nem pediu para conhecer.
Está no limiar da inocência, mas a sua foi-lhe arrancada mais cedo com o nome da sua Mãe numa lista. E ele sabe que as listas não têm rostos nem vidas, apenas nomes, números e ordens.
Quantos Fran no nosso País?

Imagem de Magritte

O livro do Rei Babar



E se não fosse só enquanto era criança?

Tuesday, November 08, 2005

Coisas que me irritam (III)


Generalizações... "as mulheres são sempre a mesma coisa..." ou "os homens só pensam numa coisa ...quando pensam", como se todas as almas do planeta fossem reduzidas a duas.

Felizmente para toda a gente que habita o planeta, nem os homens são um grupo homogéneo, nem as mulheres o são. Se é certo que alguns homens não pensam nada de jeito - também conheço mulheres assim.. e inclusive algumas que eu desconfio que não pensam de todo... quanto aos homens... idem. E, sim, há estudos que comprovam que há mais diferenças intrapares do que interpares...porque no fundo, somos todos humanos...

Temos é uma preguiça - esta sim - que parece ser comum a tod@s - de pensar em cada pessoa como um Ser único. E como tal, independentemente, de ser homem ou mulher, judeu, cristão ou muçulmano (ou de outra qualquer crença religiosa), e independentemente de qual seja a sua origem étnica.. ou a sua nacionalidade.. é um Ser Humano.

Coisas que se ouvem (II)

"Há quantas semanas vai baixando o preço por barril e o preço por litro continua inalterado??
O Estado diz que devíamos apertar cinto. Concordo plenamente. Devemos apertar o cinto sim mas é no pescoço de todas essas pessoas que nos vão roubando constatemente. Mas devíamos aperta-lo bem apertadinho, que era para eles verem como é difícil viver quando somos roubados descaradamente."....


In Agência Financeira.pt

Assinado com um singelo "Zézé (sic)"

Fora do Mundo


"Será preciso coragem para fazer o que vou fazer: dizer. E me arriscar à enorme surpresa que sentirei com a pobreza da coisa dita. Mal a direi, e terei que acrescentar: não é isso, não é isso! Mas é preciso também não ter medo do ridículo, eu sempre preferi o menos ao mais por medo também do ridículo: é que há também o dilaceramento do pudor. Adio a hora de me falar."
A Paixão Segundo G.H.
Clarice Lispector

Amig@s e Rupturas


Há quem defenda que o mais importante numa relação conjugal é a amizade. Aquela cumplicidade que faz com que se adivinhe os gestos d@ outr@. Há tempos, uma pessoa disse-me: "o meu companheiro é, antes de mais, o meu melhor amigo". Esta frase, ouça-a muitas vezes. O que me faz questionar.. a ser assim...
A (re)aproximação de um@ amig@ que há muito se julgara perdido (ou a angariação de um@ nov@) pode atenuar ou eliminar a dor de uma ruptura conjugal?

A Deal with God

It doesn't hurt me. Do you want to feel how it feels?
Do you want to know that it doesn't hurt me?
Do you want to hear about the deal that I'm making?
You, it's you and me.

And if I only could, I'd make a deal with God,
And I'd get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
Be running up that building.
You don't want to hurt me,
But see how deep the bullet lies.

Unaware I'm tearing you asunder.
There is thunder in our hearts.
Is there so much hate for the ones we love?
Tell me, we both matter, don't we?
Let's exchange the experience


Within Temptation
Running up that Hill


Monday, November 07, 2005

(Des)Encontros


Só conheço gente louca...

Tudo acaba...

"seria bom que as pessoas se convencessem disto: tudo acaba, mais tarde ou mais cedo, tudo acaba". Ouvi agora o Saramago a dizê-lo.
E eu gostaria de acrescentar que tudo e sobretudo "tod@s".

Clarice Lispector


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente quer desabrochar de um modo ou de outro..."

Pérolas....

"Vi o corpo da moça estendido no mármore da delegacia de Cabo Frio. Parecia ao mesmo tempo uma criança e boneca enorme quebrada.... Mas desde o momento em que vi o seu cadáver tive imensa pena, não dela, boneca quebrada, mas de seu assassino, que aquele instante eu não sabia quem era".
Estas declarações foram proferidas por um jornalista a propósito de um assassinato passional. Um homem matou uma mulher.
Mas não termina por aqui: 'o único crime respeitável, que não condenaria com rigor, era o passional. Crime passional qualquer um comete, até eu'. E conclui: 'A chamada privação de sentidos provocada pela paixão pode fazer do mais cordial dos homens um assassino' .
Continuando com as pérolas... o advogado do alegado autor do crime utiliza o seguinte argumento: "a vítima provoca a própria morte", ela "busca um assassino que concretizará seus desejos de eliminação". Ao que o jornalista acresce: "Ela sabia. Sabia, por exemplo, que um dia um de seus amantes seria mais homem do que os outros e lhe daria o castigo - ou a vingança - que ela buscava, inconscientemente, ao longo de sua estranha aventura feita de amor, delírio e vazio". Portanto, nada mais lógico.. a mulher, a ganda maluca andava a pedi-las.. na verdade, ela queria mesmo era ser castigada ... morrer, está claro, era o que ela desejava no seu íntimo... não sabia, é certo, mas na verdade queria...
Estas declarações remontam a 1976... e hoje, como se defenderia um caso destes? Quem defenderia um assassino com estes argumentos?

Manipulação e Sedução

"Partindo do princípio de que não se pode manipular alguém que não se deixe manipular, só será possível manipular alguém se esse alguém foi antes seduzido".
Agora expliquem-me.. a avaliar pel@s polític@s que temos, @s portugues@s seduzem-se por tão pouco?

Sunday, November 06, 2005

Coincidências

Por vezes fico surpresa com as coincidências com que por vezes me deparo.
Hoje ao almoço comentei que (desde o início deste ano) comecei a detestar os Domingos porque são o prenúncio de uma semana que é invariavelmente má, chegando mesmo a ser péssima. E é claro que isso é mau e evidente que por agora não descobri como evitar essa situação. Provavelmente devo tentar adaptar-me ao meu novo local de trabalho com mais afinco, mas a verdade é que detesto toda esta situação de ser novamente a estrangeira.
O engraçado nisto tudo é que, na visita que faço por alguns blogs que considero interessantes, encontrei um post exactamente sobre esta questão dos Domingos.
A surpresa inicial, aquela sensação estranha de identificação (muito embora saiba perfeitamente que não conheço o autor) foi lentamente substituída pela questão que se segue: Será que (a)Deus(a) quando criou o mundo e finalmente descansou ao sétimo dia, também se angustiou perante a eminência do dia seguinte?

Siddartha

"(...) Lentamente, por entre a riqueza crescente, o próprio Siddhartha adquiriu alguns traços das pessoas vulgares, algo da sua ingenuidade e da sua ansiedade. E no entanto invejava-as, invejava-as tanto mais quanto mais se parecia com elas. Invejava a única coisa que lhe faltava e que elas tinham: a importância que atribuíam às suas vidas, a intensidade das suas alegrias e medos, a angustiada mas doce ventura de sua eterna capacidade para amar. Estas pessoas estavam sempre apaixonadas: por si mesmas, por mulheres, pelos filhos, pela honra ou pelo dinheiro, por planos ou esperanças. Mas fora isto que ele não aprendera com elas, exactamente isto, esta alegria infantil, esta loucura infantil; aprendera com elas apenas as coisas desagradáveis que ele próprio desprezava. Acontecia cada vez mais com frequência, depois de uma noite de convívio sentir-se cansado e apático.

(...)
Semelhante a um véu, a um nevoeiro fino, o cansaço caiu sobre Siddhartha, devagar, cada dia um pouco mais espesso, cada mês um pouco mais opaco, cada ano um pouco mais pesado. (...) secretamente, mostrando aqui e além a sua negra face, a desilusão e a náusea esperavam-no. Siddartha não o notava.
Notava apenas que a voz clara e segura do seu íntimo, que em tempos estivera bem desperta e no seu período dourado o conduziu, se tornara inaudível.
O mundo tinha-o apanhado, o prazer, a ambição, a indolência e, por fim, também o defeito que ele, por imprudência, sempre mais desprezara e
escarnecera: a cobiça".

Siddhartha, Hermann Hesse

A Queda

"No momento da queda, quando não me restava nada, descobri que não me sentia abatido, mas livre. Compreendi que o mais importante não tinha sido sobreviver ou ter êxito, como imaginava antes, mas a busca da minha alma deixada para trás nos areais da infância. Ao encontrá-la soube que esse poder, pelo qual desperdicei tão desesperados esforços, sempre esteve dentro de mim. Reconciliei-me comigo mesmo, aceitei-me com um pouco de benevolência e então tive o meu primeiro assomo de paz. Creio que esse foi o instante precioso em que tomei consciência de quem sou na realidade e senti-me, por fim, controlando o meu destino"

In Plano Infinito

Insanity

"doing the same thing over and over and expecting different results"

A geração do (des)engano



É curioso, mas há cada vez mais tendência para a adopção do lema cavaquista: Nunca me engano e raramente tenho dúvidas.
Revivalismo geracional?

Saturday, November 05, 2005

Para que não restem dúvidas...


"Este anúncio foi criado pela Lowe, da África do Sul, para a POWA - People Opposing Women Abuse.

Quando se tenta abrir a página, percebe-se que as folhas estão coladas. É possível ver apenas, parcialmente, que há uma imagem de pernas femininas sob um lençol. Ao puxar a folha, o adesivo vai cedendo e rasgando a página.

Aí sim é possível entender o anúncio. Uma mulher nua deitada de pernas abertas com o seguinte título:
If you have to force, it's rape."

Olhares

Hoje, pousei os olhos na última construção da Sonae:
feio por dentro e por fora...

Memories....



A questão é ... até onde é que se consegue recuar.. ou mais do que isso.. quais os aspectos que decidimos ignorar? O passado é parte de nós. Mas o passado está a ocorrer diariamente.
As coisas, os lugares e as pessoas têm a importância que lhes damos. E só por isso é que têm poder/influência. Assim, se somos nós que lhes damos poder (ao considerá-las importantes) só nós podemos recuperar esse poder .. mas, nisto... permanece uma dúvida... porque é que decidimos dar importância a umas coisas/pessoas/locais/whatever e não a outras? Isto é o que me interessa, na medida em que as minhas escolhas são fruto de mim - sou uma construção das minhas experiências e das minhas memórias.. - ora, eu não recordo todas as minhas experiências.. e é isso que me intriga.. porque é que eu decidi recordar umas e esquecer outras?

How good are changes?

So little time
Try to understand that I'm
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody's changing and I don't feel the same
Keane

Saudades....

Friday, November 04, 2005

Já se sentiram assim?

"Quando um Homem (homem com letra grande, ou seja, homem ou mulher) se sente perdido, torna-se incapaz de fazer o que for, comporta-se como se já tivesse morrido...."

Thursday, November 03, 2005

Psicologia Educacional - Da Motivação



"Se calhar o meu filho mastiga pastilha elástica na aula porque é uma forma de se sentir motivado. Porque não ser mais compreensiva e deixar os alunos mastigar pastilha elástica?"
A questão que se põe é a seguinte: com ou sem açúcar?

Anything...

Honestly I tried to avoid it. Honestly.

Back when we were kids, we would always know when to stop.

And now all the good kids are messing up.

Nobody has gained or accomplished anything


by Mew

Does size really matters?

Numa relação.. será que o tamanho importa mesmo?
Claro que sim! Sobretudo o tamanho do cérebro!

Coisas que se ouvem....

"Estou desiludid@ com as pessoas"..
ora.. não será (também) isto responsabilidade d@ autor(a) da frase? É que para nos desiludir é porque, à priori colocámos expectativas n@ outr@... portanto...de quem é a culpa? De quem desilude (porque não correspondeu às expectativas) ou d@ desiludid@ por não ver as suas esperanças correspondidas?

Coisas que me irritam (II)

Emprestar livros, com a maior das boas vontades de partilhar.. e pura, e simplesmente, só voltar a vê-los quando entro numa livraria...

Está decidido...


Na próxima reencarnação vou pedir (misericordiosamente e com muito jeitinho, claro) para ser um ou uma pinguim imperador! Como pinguim não tenho que ser anoréctica, ou loira, ou morena... não tenho que ser linda e não serei excluída por ser velha, ou rica, ou pobre, ou de um qualquer partido, ou de uma religião.. e consigo o meu próprio sustento, já que não sou discriminada no salário. Os pinguins imperadores partilham as tarefas domésticas, têm espírito de humanidade e... muito mais do que fiéis.. podemos contar com @s companheir@s para o essencial.. la survivance....

Wednesday, November 02, 2005

Obituários

Aquando da morte de Álvaro Cunhal, chocou-me uma entrevista na Sic Notícias dada por Mário Soares. Chocou-me que contasse historietas para "provar" que ele (Álvaro)era um radical; lembro-me que contou o episódio de uma visita da turma da filha do Álvaro Cunhal à Assembleia. quando descobriram que a menina fazia parte da turma perguntaram displicentemente ao pai porque não havia avisado, porque assim a turma teria sido recebida de forma diferente. Ao que o pai respondeu que não queria tratamento diferente para a filha.
Soares contou-a para provar que falava de um homem extremamente duro... e fico perplexa com o facto de aos 80 e tal anos não perceba que essa deve ser a atitude de quem proclama os valores democráticos.
Álvaro não pediu pela filha por causa da visita de estudo... já Soares, assumidamente presidenciável, pediu ao povo pelo seu filho.
Quem contará esta história como seu obituário?

Gosto, porque sim!



Em tempos, um professor surpreendeu-me (e aos meus colegas) com a seguinte proposta: teríamos que escrever sobre algo - um quadro, uma música, um filme, qualquer coisa - que amassemos ou odiassemos profundamente. Em uma página. E que não estivessemos preocupados com técnicas, correntes ou afins. Apenas a descrição do gosto em estado puro.
A tarefa foi explicitada com tanto trato nas palavras, com tantas explicitações, repetições e exemplificações que, quando finalmente processei mentalmente o pedido, senti-me aliviada. Afinal, não seria tão difícil, nem sequer tomaria tanto tempo quanto isso.
O alívio não foi só meu; posso tê-lo imaginado, mas pareceu-me escutá-lo colectivamente, perceptível em todos os movimentos de lábios daquela sala de aula.
Só mais tarde percebi a dificuldade implícita numa tarefa daquelas. Discorrer coerentemente sobre aquilo que se ama é tanto mais difícil quanto discorrer sobre aquilo que se odeia, talvez porque estes se escondam maliciosamente da racionalidade. E a determinada altura dei por mim a pensar que teria sido melhor escrever sobre algo que gostasse moderadamente, com um quase movimento de bocejo.
Quando estou perante um quadro, uma fotografia, uma música, um livro, quando usufruo livremente de um objecto destes, não quero que me perguntem o que acho da técnica do traço, do ângulo da objectiva, dos acordes utilizados. até porque na maior parte das vezes, apetece-me apenas ficar em silêncio...
Se me interrompem com perguntas incómodas, apetece-me apenas dizer "Gosto, porque sim!"
Por isso me irritam tanto as intelectualizações que pululam por aí e tentam instaurar a ditadura do gosto.
Hoje apetece-me Wagner, amanhã ouço no meu rádio durante toda a manhã o Fashion Nugget. E depois? Um deveria excluir o outro? Quem ouve este não empresta o ouvido a este outro? Quem gosta de Caravaggio não suporta Pollock? Quem lê Baudelaire queima os dedos se pegar no Sexo e a Cidade?
Quem me explica a lógica disto?

Ocidente vs. Oriente


É linda, não é? Qualquer ocidental concorda que esta rapariga (na altura da foto com 16 anos) é linda.
O que é que o ocidente teria feito dela se a tivesse? Tinha-a tornado uma top model. Tinha-a tornado uma mulher escanzelada que vende a sua saúde para vender a roupa e as marcas de grande (ou médio) consumo....o que é que isso tem de mal? Será que a mulher do Bowie não está melhor agora do que quando era uma refugiada (bom.. na parte de ser a companheira do Bowie nem me atrevo a questionar...)?


E o oriente.. o que lhe fez? Tornou-a uma mulher casada, "respeitável", com filhos, e com a cara tapada.. e com fome.... e na miséria..


Ironicamente, o Ocidente conseguiu apropriar-se da única coisa que estava ao seu alcance: a imagem. Esta imagem rende milhões.. e nem um cêntimo vai para a mulher que está na foto...

Alguém me explica?

As empresas fogem dos contratos sem termo, alegando que não têm estabilidade para poder proporcioná-la aos seus colaboradores..... ou seja, querem ter o poder despedir a pessoa sempre que lhes convém (seja por dificuldades económicas, incompetência do funcionário ou pura embirração). Quando recebem a candidatura de alguém com uma licenciatura reagem com esta resposta: "lamentamos.. mas não queremos alguém que aqui esteja e que depois se vá embora...". Ora... alguém é capaz de me explicar este raciocíonio?

Sorte?

Há quem defenda que reencarnamos em "pandilha". Passo a explicar: se encarnamos sucessivamente, até atingir a perfeição ou lá o que seja (os entendidos na coisa que me perdoem, pois eu sou mesmo leiga neste domínio), encarnamos em grupo. Isto é, as pessoas que conhecemos e o grupo familiar em que nos inserirmos (quando existe) não o é ao acaso. A ser assim, significa, portanto, que o nosso círculo mais próximo já era conhecido na vida anterior (ou nas vidas anteriores). Ora, se me parece bem que assim seja (adoraria acreditar que vou voltar a conviver com algumas pessoas (se bem que acabo por não perceber bem a conveniência da coisa se nem nos vamos reconhecer...), quando penso em alguns chefes que tive... quase que me dá vontade de vomitar...

Coisas que me irritam


Para além de pessoas aos gritos, irritam-me as empresas que partem do princípio que não têm que cumprir leis, porque, pura e simplesmente, estão acima delas...

Irritam-me essas empresas que crescem à custa da morte dos outros. Irritam-me as empresas que, num total desrespeito pelos colaboradores lhes pedem tudo em troca de nada. Pedem para ficar mais horas, mas quando precisamos de uma hora para levar os filhos ao médico, então já não somos disponíveis. Irrita-me as empresas que roubam, mensalmente, pequenos cêntimos em horas que não são pagas, em subsídios mal calculados...

Irrita-me, sobretudo que essas empresas sejam dirigidas por pessoas... e irrita-me que estas consigam dormir descansadas... irrita-me não conseguir acreditar no inferno.. pelo menos, ficaria na consolação de que seria para lá que estas pessoas iriam....
Assim... limito-me a constatar que alguns estão cada vez mais pobres e outros...

A propósito da frase "é uma mulher com tomates"

Ouvi (ou li) que a Fátima Felgueiras tinha "tomates" para voltar a Portugal e aventurar-se à conquista de Felgueiras...
E quanto a isto, não há nada a fazer... a Fátima Felgueiras (até prova em contrário) não tem tomates (lamento desiludir, mas alguém que tem testículos - vulgo tomates - não pode dar à luz, algo que ela fez...). Infelizmente, e para vergonha da humanidade.. a Fátima Felgueiras tem ovários. E o facto de ela ser o que é pouco terá a ver com a sua identidade sexual. É que, definitivamente, há coisas em que homens e mulheres não se distinguem. Se há menos mulheres corruptas na política é porque elas são raras nesta área.
Há quem defenda que as mulheres se sentem pouco atraídas pela política, uma vez que esta é-lhes particularmente hostil, incompatível com a dupla jornada de trabalho que a maioria tem e cheia de joguinhos sem imaginação. Até pode ser. Eu cá acho que é porque um grupo de homens (sublinho: um grupo) não está disposto a partilhar o poder com uma série de grupos - entre os quais, o das mulheres.

Padrões

"Depressa aprendeu que as histórias se repetem com muito poucas mudanças, as pessoas parecem-se muito, todas sentem ódio, amor, cobiça, sofrimento, alegria e temor da mesma maneira. Negros, brancos, amarelos, todos iguais por baixo da pele; como dizia Nora Reeves, a bola de cristal não distinguia raças, só dores. Todos queriam escutar a mesma boa sorte, não porque a julgassem possível, mas porque imaginá-la servia de consolo. Olga descobriu também que só há duas espécies de enfermidades: as mortais e as que se curam sozinhas em seu devido tempo"

In Plano Infinito, Isabel Allende

Nós nos olhos dos Outros



"Há uma contingência incontrolável na maneira como os outros olham para nós. Os outros, na verdade, não nos vêem; vêem, só, aquilo que lhes convém parecermos. É essa impressão de nós que prevalece, ainda que o que é esteja tão despreocupado em provar que é que ofusca aquilo que parece"

Problemas de Ortografia

No Encontro de Língua Portuguesa, que decorreu nos dias 06 e 07 de Dezembro de 2004, na Gulbenkian, a escritora Agustina Bessa-Luís defendeu que o homem precisa da culpa para viver. A mulher, segundo ela, basta-se com a maternidade. Nesse caso, porque razão a Agustina continua a escrever romances? Não lhe bastaria a maternidade? E porque raio a maternidade tem que ser um recurso sine qua non para todas as mulheres? Será que a genial Agustina nunca leu Elisabeth Badinter?
Hoje disseram-me "és uma mulher com H grande" – será que acharam que era um elogio? Ou devo, simplesmente, acreditar que esta pessoa não sabe como se escreve a palavra Mulher?

Ignorância nas escrituras ou a perplexidade (Não de Cassandra, mas a minha)

Sou uma confessa ignorante das escrituras cristãs... mas agora, estava aqui a ver num livrito e deparei-me com a seguinte citação: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus..."....
É certo que a frase está descontextualizada e que tem as misteriosas reticências no final, o que pode indiciar que algo (ainda mais) surpreendente irá sair daquele raciocínio... no entanto, questiono-me se o reino dos céus é um local cheio de gente idiota ou se os pobres de espírito serão outros que não os que imagino...

Segunda questão: com esta filosofia, como é que conseguem seduzir tanta gente? Será que todos os cristãos se vêem como "pobres de espírito"? Ou, por algum acaso, e desígnio oculto anseiam conhecer o reino oposto? Estaria o Sr. Mateus (o alegado autor da frase) bom da cabeça quando escreveu uma coisa destas? É que nas seguintes frases ainda admito que pudesse pura falta de visão estratégica - passo a citar: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados." - mas na questão da pobreza de espírito ser garantia do Reino dos Céus... aqui só posso mesmo pensar que o Sr. Mateus tinha um destes dois problemas: ou falta de droga, ou droga fora do prazo da validade...

Para sempre não é demais...

"Para sempre não é demais", costumava ouvi-la dizer. No fundo sabia que aquelas palavras não continham toda a verdade. Pois o que é o tempo senão um inimigo. As horas de rodeio de felicidade perduravam pela eternidade... mas quando se tem 20 anos, a eternidade parece algo distante.

Tuesday, November 01, 2005

And all of the sudden...




I'm feelling so fine :)

"Let's end it here"

International Dateline

Woke up in the evening
To the sound of the screaming
Through the walls that were bleeding
All over me
Untied & weightless
Unconscious as we cross
The international dateline
Let's end it here

by Ladytron