Wednesday, November 30, 2005
O peso das medidas

Tuesday, November 29, 2005
Vestidos de Noiva

Ando há já algum tempo para escrever sobre isto - sim, sobre vestidos de noiva. É que, diariamente passo por uma loja destes artigos de vestuário e questiono-me sempre qual é a origem do fascínio que as pessoas sentem relativamente aos mesmos. E após alguns instantes, o que me apraz dizer sobre o assunto é: Não lhes reconheço grande utilidade: são caros, na maior parte das vezes, só se usam uma única vez e ainda por cima são brancos!!! Brancos! Dah!
O início
Digam-me então o que tem esta altura de diferente, principalmente se saímos à rua?!?
"Ao lado dos outros vou crescendo"
Monday, November 28, 2005
(Um) Domingo à tarde

Passeava pela rua. Aqui no bairro. Um bairro central e calmo da cidade.
Havia pouco tráfego aquela hora. E comecei por ouvir uns gritos distantes de uma discussão.
Olhei à volta, para as janelas mais próximas... os gritos ouviam-se mais perto.
O semáforo pôs-se vermelho. Parou um carro.
Apercebi-me que a discussão vinha de aí.
Olhei.
Ela chorava e olhava pela janela, enquanto lhe dizia qualquer coisa que não deu para perceber.
Quanto a ele, aproveitou o semáforo para dar-lhe um sopapo e puxar-lhe os cabelos.
Ouviu-se o gemido dela, sufocado pelo choro e pela janela do carro fechada.
Ao mesmo tempo que o semáforo voltava a verde e vi como o carro se afastava.
Foto: www.sistemaeducativo.net
Aparentemente, o mal é a essência de todo o humor...
A propósito de um post sobre piadas sexistas, que encontrei na vizinhança, deixo aqui um excerto do livro do Robert A. Heinlein (A stranger in a strange land):
"Descobri porque é que as pessoas riem. Riem porque isso dói... porque é a única coisa que fará com que deixe de doer... (...) Mas vê se encontras qualquer coisa que te faça rir... uma piada, qualquer coisa, mas uma coisa que te faça dar uma boa gargalhada, não um sorriso. Depois veremos se não existe uma maldade em qualquer lado, e se tu te ririas se não existisse essa maldade. Aparentemente, o mal é a essência de todo o humor."Saturday, November 26, 2005
Friday, November 25, 2005
"Não nos é possível ainda, falar de amor..."
“... porque se mulher e homem se quiserem sós e nos seus sexos, (...)logo isso é sabido como ataque à sociedade que se junta para dominar, e Abelardo é castrado, e Tristão nunca se junta a Isolda, e todos os mitos do amor dão-no como impedido e irrealizado, e todas as histórias de amor são histórias de suicidas; porque temos de remontar o curso da dominação, desmontar as suas circunstâncias históricas, para destruir suas raízes. (...)Mas a esta leitura é necessário acrescentar todos os sistemas de cristalizações culturais que vieram sustentando, reforçando, justificando e ampliando essa dominação da mulher (e não só essa dominação), porque a alteração da situação económica e política que agora nela se baseia não traz necessariamente a destruição de todas as cristalizações culturais em que a mulher é (...), homem castrado, a carne, a pecadora, Eva da serpente, corpo sem alma, virgem-mãe, bruxa, mãe abnegada, vampiro do homem, fada do lar, ser humano estúpido e muito envergonhado pelo sexo, cabra e anjo, etc., etc. E digo é, tudo isto no presente, porque contra estas imagens nunca houve combate de raiz, apenas se foram pondo em causa as consequências lógicas e práticas de algumas delas, na medida em que já não convêm (...). Voltando à enumeração dispersa dos rostos cristalizados da mulher; só quando os soubermos alinhar segundo eixos, vectores, poderemos ver a extensão e profundidade do que nos tolhe a todos, mulheres e homens. Pegando, por exemplo, numa linha: corpo de mulher, (...), medo do corpo, medo de castração nele, (...), intuição feminina (...), eterno feminino, magia, bruxa, demoníaca, possessa, vampe (...), corpo que se possui, terra do homem, carne da sua carne, costela de Adão, (...), mulher poder de tentação e de pacto com a desordem, poder e escândalo, sentimento de culpa do homem, sua crítica marginal, sua imagem negativa (...). Em toda esta linha que eu mal puxei, se ensopam e mitificam nossas políticas, nossas éticas, nossos amores a dois. (...) Chegará tempo de amor, em que dois se amem sem que uso ou utilidade mútua se vejam e procurem, mas apenas prazer, prazer só, no dar e no receber?”
Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa
Bang Bang
Bang bang, you shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down
I was five and you were six
We rode on horses made of sticks
I wore black, you wore white
You would always win the fight
Seasons came and changed the time
I grew up, I called you mine
You would always laugh and say
Remember when we used to play
Music played and people sang
Just for me the church bells rang
After echoes from a gun
We both vowed that we'd be one
Now you're gone
I don't know why
Until these days
Sometimes I cry
You didn't say goodbye
You didn't take the time to lie
Tu disseste
Mão Morta
Thursday, November 24, 2005
The One

Não me vou desculpar por estar sempre a bater na mesma tecla, porque este blog foi criado para escrevermos o que nos der na gana, e como tal uso-o para isso. E a conversa de hoje não me sai da cabeça... "Acredito num amor para toda a vida e que existe alguém que é o homem da minha vida", disse-o com uma convicção que parecia ser inabalável. Note-se que a pessoa em questão ainda não encontrou o referido amor. Mas gostaria de partilhar o seguinte (parafraseando um amigo meu): "não há uma pessoa só que seja a nossa cara-metade, que tenha as chaves para as nossas doors. Existem várias. Por diversas circunstâncias, estas pessoas vão surgindo na nossa vida, mas por uma questão de oportunidade (ou melhor, de falta dela) podem passar-nos ao lado: porque estavamos num dia mau, porque estavamos comprometid@s com outras pessoas...essas coisas (e eu acrescento: porque não estavamos para ai virad@s!) pfffffffffffffffffffff! Quando houver alguém que me possa abrir umas portas eu vou olear a fechadura... não vou lá por água para a enferrujar". Ora ai está alguém que eu conheço e que me orgulho de citar :) :)
Thank you, Lois :) :)
Outra do mesmo género....
Rupturas Conjugais...ou velhas ideias...

Conheceram-se num chat. Não um chat convencional, mas uma espécie aparentada desses canais de comunicação. Ele perguntou-lhe "onde é que gostas de dançar?" e ela respondeu.. "em Lisboa? No Lux". Ele retornou: "Lux? O que é isso?". As amigas disseram-lhe logo: estás louca? É um bronco dos subúrbios saloios, que só vai às discotecas onde as pessoas vão para caçar e não para dançar.... Os amigos defenderam o espécime do mesmo género, alegando que era profundamente redutor eliminar as hipóteses de alguém só porque não conhece uma das discotecas mais famosas do país...ficaram chocados com aqueles critérios de selecção, porque não entenderam que o que a colocara de sobreaviso não fora o facto de ele não frequentar, mas de não saber o que era...
Em qualquer dos casos, a conversa continuou com ela a explicar que o dito rapaz acabou por confessar que estava à beira de terminar um casamento. Ao que ela lhe anunciou:"cuidado! Um casamento não se termina assim". E pronto, foi este o ponto que me despertou a atenção. Porque, de repente, ao ouvi-las, parecia estar a ouvir a minha avó: "um casamento é uma coisa muito séria, e antes de se dar por terminado tem que se ter a certeza que se fez tudo para o salvar", ou "as pessoas hoje divorciam-se por qualquer coisa". Estas frases já as ouvi.. da minha avó... E sobretudo o argumento: "vai sempre haver um dia em que vais acordar e vais achar que não faz sentido" - e então.. o que vais fazer se esse dia chegar, perguntei. "Vou esforçar-me, lutar para que volte a fazer sentido. Vou batalhar para nunca sentir que não faz sentido, mas se isso acontecer vou fazer para que volte a fazer sentido." E fiquei ali a pensar que não devo ser nada conservadora, e que é normal que as pessoas que não me conhecem me vejam como uma maluca libertina... como é que há tanta gente tão jovem a defender o casamento como um valor sagrado quase intocável? "Sim", continuaram elas, "porque essa história do já não há amor... isso não é bem assim..." bom, sinceramente não sei como é, mas parece-me que a acontecer - de facto, o matrimónio já não fará sentido. Elas tinham algumas dúvidas. E foi aí que me senti fechada num túmulo. Porque sempre tive essa ideia do matrimónio: se deveria ser para sempre, porque raio as pessoas se casam tão cedo? E porque é que a coabitação não é um valor tão sagrado quanto o casamento? E porque raio é preciso assinar um contrato para legitimar uma relação? E porque é que um contrato não pode ser quebrado quando o motivo (supostamente o amor) já não existe? Deveremos nós sacrificar anos da nossa existência para salvar um matrimónio? Se o casamento deveria servir para enriquecimento e realização pessoal, porque razão me parece que algumas pessoas parecem ainda ter uma ideia que o elo que as liga - porque é legitimado - deve ser preservado, porque exigiu(e) sacrifícios, e sacrifícios pessoais? Acredito que os sacrifícios - quer sejam de ordem material e/ou pessoais - e que, eufemisticamente, são chamados de "cedências" devem ser sempre medidos e nunca sentidos como perda, pois a acontecer, então mais tarde ou mais cedo, irão aparecer à porta, a bater com força... e a reclamar o espaço que lhes foi tirado. Porque o que, aparentemente pode parecer uma concessão, quando já não faz sentido adopta um sentido de amputação de um aspecto de nós. E quando isso acontece, não só já é tarde para evitar sentir que foi @ outr@ @ culpad@ dessa perda, como acima de tudo, já é tarde, para voltar atrás e explicar que não queremos fazer essa concessão. As mulheres estão mais livres.. mas como lidam com essa liberdade quando não conseguem entender que a liberdade que sempre foi dada aos homens também pode ser delas?
Wednesday, November 23, 2005
J' adore... (II)
Tuesday, November 22, 2005
De açaimes e espingardas

Na passagem por um outro blog, li um texto sobre a posse de animais em que o autor referia a sua indignação pelas pessoas que andam com cães portentosos nas ruas das nossas cidades, sem pensarem no mal estar causado aos trausentes. Concordo que um dono responsável deve tomar todos os cuidados, para bem dos restantes trausentes assim como para bem do seu animal. Não me parece que um rot seja mais violento que um caniche (e já conheci caniches bem complicados); uma possível agressão difere apenas em grau. Tenho para mim que os animais são o reflexo dos humanos que os educam. Contudo, já não confiro qualquer legitimidade a essas pessoas que têm por passatempo andar aos tiros a animais.
Parece-me muito mais ilegítimo um fulano qualquer ter um cão porque gosta de inflingir dor a outro animal para seu prazer (desporto estranho)do que alguém ter um animal porque tem prazer na sua companhia; vivi, por força de trabalho, numa zona onde a caça era muito praticada. No final de época era ver os animais abandonados, porque deixavam de ter utilidade ou a sua prestação não tinha agradado ao omnipotente do seu dono. E os canis construídos pelos caçadores amantíssimos... com 10 cães em cubículos que mal têm espaço para dois... e nem quero imaginar a alimentação. Contudo, nada disto é novidade, porque quem anda aos tiros a um animal porque acha giro (descomprime, e tal), não vai ter mais respeito por outro que esteja a seu cargo. Esta história da caça só me faz lembrar outras acefalias, como a da tourada, em que se argumenta que o toureiro, para além de gostar do animal, o respeita. Pois é, eu sempre que tenho muito respeito por alguém, faço por acertar-lhe ou com tiros ou com bandeirolas. E no final, digo sempre olé! Imagem de Paula Rêgo
Monday, November 21, 2005
E se tivesse sido em Portugal?

"Teriam os americanos largado a bomba atómica em cima da Alemanha ou mesmo de Itália...? Neste sentido eu acho que foi um acto racista", disse Rui Faustino, hoje, numa conferência sobre a II Guerra Mundial e a Guerra Fria. Continuou a explicar que enquanto os cidadãos de ascendência italiana eram mais ou menos acarinhados pelos estado-unidenses (citando os exemplos do jogador Joe DiMagio e de Frank Sinatra), isso nunca sucedeu com os cidadãos nipónicos que se encontravam em território dos EUA. Pelo contrário, foram encerrados em campos especiais...
Depois, durante o debate, um senhor da plateia afirmou: "se a bomba atómica foi um acto racista? Pois posso dizer-lhe que para as pessoas da minha idade - que na altura tinha 13 anos - pensámos... ai estão a matar os japoneses? Pois que seja. Pois as coisas são assim mesmo. Em cada tempo é assim"... Pergunto-me se ele emitiria a mesma opinião se largassem uma bomba em Portugal... ou penso como é que se pode ter e verbalizar um raciocínio deste tipo... Recentemente, um amigo meu, confidenciou-me: "a última vez que estive em Lisboa, só serviu para confirmar que detesto os lisboetas" - e eu respondi-lhe: "és mais inteligente que isso" - porque como já afirmei antes, qualquer generalização que associe determinadas características a um grupo, pela sua nacionalidade, género, religião ou etnia não só é ignominiosa, como falsa e simplista. Até quando? Para quando uma análise mais racional e menos emotiva da realidade que nos rodeia? Para quando uma reflexão séria (independentemente das conclusões) - e sedimentada em factos e não em dogmas - sobre o passado?
Foto de Steve McCurry
Quantos mais vão ter de morrer?
Ao todo, estão no Afeganistão 196 militares portugueses, incluindo quatro no quartel-general e sete que desempenham a função de controladores aéreos avançados.
João Pereira estava entre os 148 efectivos cuja missão terminaria em Fevereiro do próximo ano.
O destacamento português está integrado na força da NATO. Composta por 10 mil soldados de 36 países, o contigente da Aliança Atlântica opera na província de Cabul e noutras nove províncias do norte e do oeste do Afeganistão". (Fonte: www.portugaldiario.iol.pt ) A minha pergunta (inocente) é: Qual o sentido desta e de outras mortes?
Acasos

"Acho que isso só vai acontecer quando estiveres mais forte...quando estiveres preparada", explicou a Amósis a sua amiga Sara.
Parecia-lhe sempre que o Universo era demasiado grande para que quem quer que fosse andasse a planear a vida d@s mortais. Quem se daria ao trabalho de delinear triliões de vidas, de trajectos? Até mesmo @ deus(a) mais paciente ficaria (rapidamente) entediad@ com o jogo.
Friday, November 18, 2005
Olhares

"O olhar do homem foi já muitas vezes descrito. Pousa friamente sobre a mulher, ao que parece, como se a medisse, a pesasse, a avaliasse, a escolhesse, por outras palavras: como se a transformasse em coisa. O que nem sempre se sabe é que a mulher não fica desarmada por esse olhar. Se é transformada em coisa, ela observa, pois, o homem com o olhar de uma coisa. É como se o martelo tivesse de repente olhos e observasse fixamente o ferreiro que se serve dele para espetar um prego. O ferreiro vê o olhar maldoso do martelo, perde a segurança e dá uma martelada no dedo polegar. (...) O poder do olhar transforma o martelo em ser vivo, mas o honrado ferreiro deve sustentar o olhar insolente e, com mão firme, transformá-lo de novo em coisa. Diz-se que a mulher vive assim um movimento cósmico para o alto e depois para baixo: o impulso da coisa transformada em criatura e a queda da criatura transformada em coisa.”"
Milan Kundera, O Livro do Riso e do Esquecimento
Imagem de Magritte
J' adore... (I)
Thursday, November 17, 2005
E se trocassemos uns desenhos sobre o assunto?

Hoje finalmente percebi porque utilizamos a expressão "É preciso fazer um desenho?", quando alguém tem uma paragem cerebral ( alguns casos mais graves acusam mesmo ausência de cérebro) e não percebe o que dizemos.
Tão sábio desabafo certamente foi inspirado no célebre documento que todos os acidentados têm que preencher quando participam ao seguro a ocorrência... É que para além da descrição escrita, da sinalização em diversas opções do ocorrido (bateu ao lado, de frente, ligeiramente, blá,blá,blá)... É ainda necessário fazer um DESENHO da ocorrência.
"Ora desenha lá o que se passou, mas desta vez como se eu fosse mesmo muito burra (sibila a Companhia de Seguros)..."
Enquanto buscava o final do arco-íris
O olhar preso naquela figura delimitada pelas quatro paredes reafirmava o seu sentimento de um bicho enjaulado.
E tentava uma e outra vez libertar-se daquele desespero e revolta. Buscava nas frestas o final simbólico, do seu sentimento adolescente - sem solução aparente.
Nesse desespero e raiva contida, acurralados, manifestavam-se as dúvidas como sobras da sua fé por reencontrar e renascer no seu mundo.
Nós os vencidos do catolicismo
que não sabemos já donde a luz mana
haurimos o perdido misticismo
nos acordes dos carmina burana
Nós é que perdemos na luta da fé
não é que no mais fundo não creiamos
mas não lutamos já firmes e a pé
nem nada impomos do que duvidamos
Já nenhum garizim nos chega agora
depois de ouvir como a samaritana
que em espírito e verdade é que se adora
Deixem-me ouvir os carmina burana
Nesta vida é que nós acreditamos
e no homem que dizem que criaste
se temos o que temos o jogamos
«Meu deus meu deus porque me abandonaste?»
Ruy Belo
Wednesday, November 16, 2005
Tuesday, November 15, 2005
Um poeta brasileiro entre nós
Monday, November 14, 2005
Masoquismo?
Devendra Banhart, 12 Novembro, Aula Magna - Queremos mais!!!

A música que ele não cantou...
Santa Maria da Feira Pensando cada dia, cada hora
Pensando en ti
Caminando,
mi sesta llena de moras
Son para ti
Temprano por la tarde y por la noche
sueño de ti
Lalalala
Comiendo pera
En santa maria de la feira
Que placer ir
La gente buena
Solo gozan nunca hay pena
Pa' que sufrir
Jugando en el mar, en la arena
Viviendo haci
Lalalala
Ventana blanca
Hay que venga la mañana
Hay que venga otra vez
Esperando
Asi es como yo paso mi tiempo
Esperando a Inaniel
Y rezando por su calor, por su aliento
Sobre mi piel
Te digo todo aqui va bien
Conmigo de no dormir
Amigo, te lo suplico, te lo pido
Que me ayudes a mi, a mi
Buscando
Con mi ancla en la marea
Nadando en ti
Yo voy andando
Oyeme, te estoy llamando
Te amo a ti
Por el valle me encontré un rio escondido
Me recuerdo,
hacía calor pero tenia frio
Me iba a morirBianca
Ay Paloma, ay Angelina
Por fin te vi
Por fin te vi
Por fin te vi
Sunday, November 13, 2005
O toque no ouvido
Pressentir as aproximações ou não percebê-las de todo.
Não ter cor. Só cheiro. E tacto.
A urgência de ouvir.
"O que é? - tacteia o porta-chaves - Um cão?"
"Não, um urso."
"Pois, é muito fofinho. De que cor?"
"É castanho. Bem, não é bem castanho, é mais um castanho clarinho, um camel."
"É bonito."
Ficou marcado a ferro em mim, lembrança da minha cegueira até então.
Estou com ela, conduzo-a, levo-lhe o tabuleiro ao final do almoço. E só quando perguntou pela cor do urso, tive total percepção da enormidade da sua força. Como explicar uma cor a quem vê tudo a negro?
Quilómetros....

Cento e setenta e cinco quilómetros. Foi a distância que percorri para ir ver uma amiga. Tive tempo de ouvir The Cure e de confirmar que a associo Friday ao Etc... :) às noites em que toda a noite custava 300 escudos. Em que o porteiro nos deixava entrar só para dar um pé de dança e depois sair... penso que nunca conheci porteiros tão simpáticos quanto os do Etc... (embora nem sequer me lembre da cara ou do nome do sr...).
Saturday, November 12, 2005
Coisas que me deixam pi ursa (ou seja pior que uma ursa) II
Tudo por causa de umas pantufas
Citação retirada de Alice no País da Linguagem, Marina Yaguello, Editorial Estampa, 1990, pág. 23
Friday, November 11, 2005
Coisas que me deixam mais do que irritada - pi ursa! (ou seja.. pior que uma ursa)!
O desespero da sexta feira
Thursday, November 10, 2005
Cântico do País Emerso
Os previdentes e os presidentes tomam de ponta
Os inocentes que têm pressa de voar
Os revoltados fazem de conta fazem de conta...
Os revoltantes fazem as contas de somar.
Embebo-me na solidão como uma esponjaPor becos que me conduzem a hospitais.
O medo é um tenente que faz a ronda
E a ronda abre sepulcros fecha portais;
Os edifícios são malefícios da conjura Municipalde um desalento e de uma Porta.
Salvo a ranhura para sair o funeral
Não há inquilinos nos edifícios vistos por foraQue é dos meninos com cataventos na aérea
Arquitetura de gargalhadas em cornucópia?
Almas bovinas acomodadas à matéria
Pastam na erva entre as ruínas da memória,
Homens por dentro abandalhados em unhas sujas
Que desleixaram seu coração num bengaleiro;
Mulheres corujas seriam gregas não fossem as negras
Nódoas deixadas na sua carne pelo dinheiro;
Jovens alheios à pulcritude do corpo em festa
Passam por mim como alamedas de ciprestes
E a flor de cinza da juventude é uma aresta
Que me golpeia abrindo vácuos de flores silvestresE essa ansidedade de mim mesma me virgula
Paula de pátria entressonhada. É um crisol.o fruto agreste da linfa ardente que em mim circula
Sabe-me a sol. Sabe-me a pássaro. Pássaro ao sol.
Entre mim e a cidade se ateia a perspectiva
De uma angústia florida em narinas frementes.
Apalpo-me estou viva e o tacto subjectiva-me
a galope num sonho com espuma nos dentes.E invoco-vos, irmãos, Capitães-Mores do Instinto!
Que me acenais do mar com um lenço cor da aurora
E com a tinta azulada desse aceno me pinto.
O cais é a urgência. O embarque é agora.
Natália Correia
Assim o diz Miguel Esteves Cardoso
Wednesday, November 09, 2005
Da Leitura (e outros demónios)

"De todas as experiências, a que me marcou mais fundo foi a da literatura. Nunca fui leitor de um só livro. Isto não é um elogio. É uma verificação e uma melancolia. Seria impossível para mim mesmo estabelecer qualquer hierarquia entre as influências sofridas. Foram inumeráveis, constantes e contraditórias."
Eduardo Lourenço(1953)
Coisas que me deixam triste

A constatação do fim de uma amizade ... assim, como quem termina uma refeição. Acabou. Findaram os tempos da partilha, dos risos em comum e das lágrimas que corriam em ambas as faces.
Acima de tudo, termina a cumplicidade. A capacidade de adivinhar o pensamento d@ outr@. E tudo redunda numa indiferença. Como se aquela pessoa que ali estivesse não passasse de um(a) estranh@.
Será que não conseguimos lidar com as mutações d@s outr@s?
Os Inadaptados

Tenho por amigo um miúdo de 11 anos esmagado pela sua condição.
Filho de mãe errante - o violino e a tenda que todos os professores deste país carregam - acompanha-a pelos caminhos que esta é obrigada a percorrer.
No dia em que saiu de casa olhou para trás em jeito de despedida e tornou-se sal. Estrangeiro em outra terra e outra escola, o olhar petrificou-se no Pai, agora feito verbo através das palavras ditas ao cair da noite, junto ao ouvido.
Fran acompanha a Mãe e oferece-lhe o coração,que é agora metade dela, metade do Pai, nenhuma migalha para a escola e amigos. Assusta-se com a enormidade dos outros, entidade colectiva que lhe levanta o sobrolho porque Fran não sonha só com sol e mar.
Erguem-lhe um muro de silêncio, quebrado por vezes por palavras que apenas declinam insultos e medos.
Carrega todos os dias a sua pedra escola acima, solitário nos caminhos que não conhece nem pediu para conhecer.
Está no limiar da inocência, mas a sua foi-lhe arrancada mais cedo com o nome da sua Mãe numa lista. E ele sabe que as listas não têm rostos nem vidas, apenas nomes, números e ordens.
Quantos Fran no nosso País?
Imagem de Magritte
Tuesday, November 08, 2005
Coisas que me irritam (III)

Generalizações... "as mulheres são sempre a mesma coisa..." ou "os homens só pensam numa coisa ...quando pensam", como se todas as almas do planeta fossem reduzidas a duas.
Felizmente para toda a gente que habita o planeta, nem os homens são um grupo homogéneo, nem as mulheres o são. Se é certo que alguns homens não pensam nada de jeito - também conheço mulheres assim.. e inclusive algumas que eu desconfio que não pensam de todo... quanto aos homens... idem. E, sim, há estudos que comprovam que há mais diferenças intrapares do que interpares...porque no fundo, somos todos humanos...
Temos é uma preguiça - esta sim - que parece ser comum a tod@s - de pensar em cada pessoa como um Ser único. E como tal, independentemente, de ser homem ou mulher, judeu, cristão ou muçulmano (ou de outra qualquer crença religiosa), e independentemente de qual seja a sua origem étnica.. ou a sua nacionalidade.. é um Ser Humano.
Coisas que se ouvem (II)
In Agência Financeira.ptAssinado com um singelo "Zézé (sic)"
Fora do Mundo

"Será preciso coragem para fazer o que vou fazer: dizer. E me arriscar à enorme surpresa que sentirei com a pobreza da coisa dita. Mal a direi, e terei que acrescentar: não é isso, não é isso! Mas é preciso também não ter medo do ridículo, eu sempre preferi o menos ao mais por medo também do ridículo: é que há também o dilaceramento do pudor. Adio a hora de me falar."
A Paixão Segundo G.H.
Clarice Lispector
Amig@s e Rupturas

Há quem defenda que o mais importante numa relação conjugal é a amizade. Aquela cumplicidade que faz com que se adivinhe os gestos d@ outr@. Há tempos, uma pessoa disse-me: "o meu companheiro é, antes de mais, o meu melhor amigo". Esta frase, ouça-a muitas vezes. O que me faz questionar.. a ser assim...
A (re)aproximação de um@ amig@ que há muito se julgara perdido (ou a angariação de um@ nov@) pode atenuar ou eliminar a dor de uma ruptura conjugal?
A Deal with God
Do you want to know that it doesn't hurt me?
Do you want to hear about the deal that I'm making?
You, it's you and me.
And if I only could, I'd make a deal with God,
And I'd get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
Be running up that building.
You don't want to hurt me,
But see how deep the bullet lies.
Unaware I'm tearing you asunder.
There is thunder in our hearts.
Is there so much hate for the ones we love?
Tell me, we both matter, don't we?
Let's exchange the experience
Within Temptation
Running up that Hill
Monday, November 07, 2005
Tudo acaba...
Pérolas....
Estas declarações foram proferidas por um jornalista a propósito de um assassinato passional. Um homem matou uma mulher. Mas não termina por aqui: 'o único crime respeitável, que não condenaria com rigor, era o passional. Crime passional qualquer um comete, até eu'. E conclui: 'A chamada privação de sentidos provocada pela paixão pode fazer do mais cordial dos homens um assassino' . Continuando com as pérolas... o advogado do alegado autor do crime utiliza o seguinte argumento: "a vítima provoca a própria morte", ela "busca um assassino que concretizará seus desejos de eliminação". Ao que o jornalista acresce: "Ela sabia. Sabia, por exemplo, que um dia um de seus amantes seria mais homem do que os outros e lhe daria o castigo - ou a vingança - que ela buscava, inconscientemente, ao longo de sua estranha aventura feita de amor, delírio e vazio". Portanto, nada mais lógico.. a mulher, a ganda maluca andava a pedi-las.. na verdade, ela queria mesmo era ser castigada ... morrer, está claro, era o que ela desejava no seu íntimo... não sabia, é certo, mas na verdade queria... Estas declarações remontam a 1976... e hoje, como se defenderia um caso destes? Quem defenderia um assassino com estes argumentos?
Manipulação e Sedução
Sunday, November 06, 2005
Coincidências
Hoje ao almoço comentei que (desde o início deste ano) comecei a detestar os Domingos porque são o prenúncio de uma semana que é invariavelmente má, chegando mesmo a ser péssima. E é claro que isso é mau e evidente que por agora não descobri como evitar essa situação. Provavelmente devo tentar adaptar-me ao meu novo local de trabalho com mais afinco, mas a verdade é que detesto toda esta situação de ser novamente a estrangeira.
O engraçado nisto tudo é que, na visita que faço por alguns blogs que considero interessantes, encontrei um post exactamente sobre esta questão dos Domingos.
A surpresa inicial, aquela sensação estranha de identificação (muito embora saiba perfeitamente que não conheço o autor) foi lentamente substituída pela questão que se segue: Será que (a)Deus(a) quando criou o mundo e finalmente descansou ao sétimo dia, também se angustiou perante a eminência do dia seguinte?
Siddartha
(...)
Semelhante a um véu, a um nevoeiro fino, o cansaço caiu sobre Siddhartha, devagar, cada dia um pouco mais espesso, cada mês um pouco mais opaco, cada ano um pouco mais pesado. (...) secretamente, mostrando aqui e além a sua negra face, a desilusão e a náusea esperavam-no. Siddartha não o notava.
Notava apenas que a voz clara e segura do seu íntimo, que em tempos estivera bem desperta e no seu período dourado o conduziu, se tornara inaudível.
O mundo tinha-o apanhado, o prazer, a ambição, a indolência e, por fim, também o defeito que ele, por imprudência, sempre mais desprezara e
escarnecera: a cobiça".
Siddhartha, Hermann Hesse
A Queda
In Plano Infinito
Saturday, November 05, 2005
Para que não restem dúvidas...

"Este anúncio foi criado pela Lowe, da África do Sul, para a POWA - People Opposing Women Abuse.
Quando se tenta abrir a página, percebe-se que as folhas estão coladas. É possível ver apenas, parcialmente, que há uma imagem de pernas femininas sob um lençol. Ao puxar a folha, o adesivo vai cedendo e rasgando a página.
Aí sim é possível entender o anúncio. Uma mulher nua deitada de pernas abertas com o seguinte título: If you have to force, it's rape."
Memories....

A questão é ... até onde é que se consegue recuar.. ou mais do que isso.. quais os aspectos que decidimos ignorar? O passado é parte de nós. Mas o passado está a ocorrer diariamente. As coisas, os lugares e as pessoas têm a importância que lhes damos. E só por isso é que têm poder/influência. Assim, se somos nós que lhes damos poder (ao considerá-las importantes) só nós podemos recuperar esse poder .. mas, nisto... permanece uma dúvida... porque é que decidimos dar importância a umas coisas/pessoas/locais/whatever e não a outras? Isto é o que me interessa, na medida em que as minhas escolhas são fruto de mim - sou uma construção das minhas experiências e das minhas memórias.. - ora, eu não recordo todas as minhas experiências.. e é isso que me intriga.. porque é que eu decidi recordar umas e esquecer outras?
How good are changes?
Try to understand that I'm
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody's changing and I don't feel the same
Keane
Friday, November 04, 2005
Já se sentiram assim?
Thursday, November 03, 2005
Anything...
Back when we were kids, we would always know when to stop.
And now all the good kids are messing up.
Nobody has gained or accomplished anything
by Mew
Does size really matters?
Coisas que se ouvem....
Coisas que me irritam (II)
Está decidido...

Na próxima reencarnação vou pedir (misericordiosamente e com muito jeitinho, claro) para ser um ou uma pinguim imperador! Como pinguim não tenho que ser anoréctica, ou loira, ou morena... não tenho que ser linda e não serei excluída por ser velha, ou rica, ou pobre, ou de um qualquer partido, ou de uma religião.. e consigo o meu próprio sustento, já que não sou discriminada no salário. Os pinguins imperadores partilham as tarefas domésticas, têm espírito de humanidade e... muito mais do que fiéis.. podemos contar com @s companheir@s para o essencial.. la survivance....
Wednesday, November 02, 2005
Obituários
Soares contou-a para provar que falava de um homem extremamente duro... e fico perplexa com o facto de aos 80 e tal anos não perceba que essa deve ser a atitude de quem proclama os valores democráticos.
Álvaro não pediu pela filha por causa da visita de estudo... já Soares, assumidamente presidenciável, pediu ao povo pelo seu filho.
Quem contará esta história como seu obituário?
Gosto, porque sim!

Em tempos, um professor surpreendeu-me (e aos meus colegas) com a seguinte proposta: teríamos que escrever sobre algo - um quadro, uma música, um filme, qualquer coisa - que amassemos ou odiassemos profundamente. Em uma página. E que não estivessemos preocupados com técnicas, correntes ou afins. Apenas a descrição do gosto em estado puro.
A tarefa foi explicitada com tanto trato nas palavras, com tantas explicitações, repetições e exemplificações que, quando finalmente processei mentalmente o pedido, senti-me aliviada. Afinal, não seria tão difícil, nem sequer tomaria tanto tempo quanto isso.
O alívio não foi só meu; posso tê-lo imaginado, mas pareceu-me escutá-lo colectivamente, perceptível em todos os movimentos de lábios daquela sala de aula.
Só mais tarde percebi a dificuldade implícita numa tarefa daquelas. Discorrer coerentemente sobre aquilo que se ama é tanto mais difícil quanto discorrer sobre aquilo que se odeia, talvez porque estes se escondam maliciosamente da racionalidade. E a determinada altura dei por mim a pensar que teria sido melhor escrever sobre algo que gostasse moderadamente, com um quase movimento de bocejo.
Quando estou perante um quadro, uma fotografia, uma música, um livro, quando usufruo livremente de um objecto destes, não quero que me perguntem o que acho da técnica do traço, do ângulo da objectiva, dos acordes utilizados. até porque na maior parte das vezes, apetece-me apenas ficar em silêncio...
Se me interrompem com perguntas incómodas, apetece-me apenas dizer "Gosto, porque sim!"
Por isso me irritam tanto as intelectualizações que pululam por aí e tentam instaurar a ditadura do gosto.
Hoje apetece-me Wagner, amanhã ouço no meu rádio durante toda a manhã o Fashion Nugget. E depois? Um deveria excluir o outro? Quem ouve este não empresta o ouvido a este outro? Quem gosta de Caravaggio não suporta Pollock? Quem lê Baudelaire queima os dedos se pegar no Sexo e a Cidade?
Quem me explica a lógica disto?
Ocidente vs. Oriente

É linda, não é? Qualquer ocidental concorda que esta rapariga (na altura da foto com 16 anos) é linda. O que é que o ocidente teria feito dela se a tivesse? Tinha-a tornado uma top model. Tinha-a tornado uma mulher escanzelada que vende a sua saúde para vender a roupa e as marcas de grande (ou médio) consumo....o que é que isso tem de mal? Será que a mulher do Bowie não está melhor agora do que quando era uma refugiada (bom.. na parte de ser a companheira do Bowie nem me atrevo a questionar...)?
E o oriente.. o que lhe fez? Tornou-a uma mulher casada, "respeitável", com filhos, e com a cara tapada.. e com fome.... e na miséria..
Ironicamente, o Ocidente conseguiu apropriar-se da única coisa que estava ao seu alcance: a imagem. Esta imagem rende milhões.. e nem um cêntimo vai para a mulher que está na foto...
Alguém me explica?
Sorte?
Coisas que me irritam

Para além de pessoas aos gritos, irritam-me as empresas que partem do princípio que não têm que cumprir leis, porque, pura e simplesmente, estão acima delas...
Irritam-me essas empresas que crescem à custa da morte dos outros. Irritam-me as empresas que, num total desrespeito pelos colaboradores lhes pedem tudo em troca de nada. Pedem para ficar mais horas, mas quando precisamos de uma hora para levar os filhos ao médico, então já não somos disponíveis. Irrita-me as empresas que roubam, mensalmente, pequenos cêntimos em horas que não são pagas, em subsídios mal calculados...
Irrita-me, sobretudo que essas empresas sejam dirigidas por pessoas... e irrita-me que estas consigam dormir descansadas... irrita-me não conseguir acreditar no inferno.. pelo menos, ficaria na consolação de que seria para lá que estas pessoas iriam.... Assim... limito-me a constatar que alguns estão cada vez mais pobres e outros...
A propósito da frase "é uma mulher com tomates"
E quanto a isto, não há nada a fazer... a Fátima Felgueiras (até prova em contrário) não tem tomates (lamento desiludir, mas alguém que tem testículos - vulgo tomates - não pode dar à luz, algo que ela fez...). Infelizmente, e para vergonha da humanidade.. a Fátima Felgueiras tem ovários. E o facto de ela ser o que é pouco terá a ver com a sua identidade sexual. É que, definitivamente, há coisas em que homens e mulheres não se distinguem. Se há menos mulheres corruptas na política é porque elas são raras nesta área. Há quem defenda que as mulheres se sentem pouco atraídas pela política, uma vez que esta é-lhes particularmente hostil, incompatível com a dupla jornada de trabalho que a maioria tem e cheia de joguinhos sem imaginação. Até pode ser. Eu cá acho que é porque um grupo de homens (sublinho: um grupo) não está disposto a partilhar o poder com uma série de grupos - entre os quais, o das mulheres.
Padrões
In Plano Infinito, Isabel Allende
Problemas de Ortografia
Hoje disseram-me "és uma mulher com H grande" – será que acharam que era um elogio? Ou devo, simplesmente, acreditar que esta pessoa não sabe como se escreve a palavra Mulher?
Ignorância nas escrituras ou a perplexidade (Não de Cassandra, mas a minha)
É certo que a frase está descontextualizada e que tem as misteriosas reticências no final, o que pode indiciar que algo (ainda mais) surpreendente irá sair daquele raciocínio... no entanto, questiono-me se o reino dos céus é um local cheio de gente idiota ou se os pobres de espírito serão outros que não os que imagino...
Segunda questão: com esta filosofia, como é que conseguem seduzir tanta gente? Será que todos os cristãos se vêem como "pobres de espírito"? Ou, por algum acaso, e desígnio oculto anseiam conhecer o reino oposto? Estaria o Sr. Mateus (o alegado autor da frase) bom da cabeça quando escreveu uma coisa destas? É que nas seguintes frases ainda admito que pudesse pura falta de visão estratégica - passo a citar: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados." - mas na questão da pobreza de espírito ser garantia do Reino dos Céus... aqui só posso mesmo pensar que o Sr. Mateus tinha um destes dois problemas: ou falta de droga, ou droga fora do prazo da validade...






















